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Fatec Praia Grande coloca revista científica no topo da academia nacional

Publicação científica da Fatec PG estreia no Qualis Capes com classificação A3 e abre chamada para novos artigos até fevereiro

Tempo de leitura: 3 minutos

Quem acha que pesquisa de ponta só acontece fora vai ter que rever seus conceitos. A Revista Processando o Saber, da Fatec Praia Grande, acaba de alcançar a classificação A3 no Qualis Capes.

É a primeira vez que a revista passa pela peneira rigorosa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior — e já estreia no grupo de elite da produção acadêmica do país, na faixa superior da avaliação.

Foto: Divulgação 

Por que isso importa para quem mora na Baixada Santista?

Além do orgulho regional óbvio, esse reconhecimento tem impacto direto na formação dos estudantes e na economia local. Professores que publicam em revistas de alto nível trazem conhecimento fresquinho para a sala de aula. Empresas da região ganham acesso a pesquisas aplicadas nas áreas de tecnologia, gestão, comércio exterior e processos químicos. Portanto, não é só medalhinha no peito: é produção de conhecimento que fica na cidade e gera oportunidades.

A conquista ainda chega em momento estratégico. Para o ciclo 2025-2028, a Capes está implementando mudanças que preveem a substituição progressiva do modelo tradicional do Qualis Periódicos por um sistema de classificação direta dos artigos científicos. Assim, o novo modelo terá maior peso para indicadores bibliométricos, métricas de impacto e citações. A Fatec PG antecipou tendências e se credenciou justamente quando as regras do jogo estão mudando.

Da garagem digital ao pódio nacional

Criada em 2003, a Processando o Saber ficou quase duas décadas fora do radar oficial. A virada começou em 2021, quando migrou para a plataforma OJS (Open Journal Systems) — o padrão internacional para periódicos científicos. Coincidência ou não, foi quando começou o quadriênio avaliativo 2021-2024 da Capes que terminou agora com a nota A3.

Bastidores

A equipe editorial trabalhou pesado. Além disso, implementou mudanças profundas: padronização dos fluxos editoriais, adequação às normas internacionais, ampliação do corpo de pareceristas e reforço nas políticas de ética e transparência. Tudo isso enquanto mantinha a regularidade de publicação e a avaliação por pares no sistema double blind review — exigências básicas para entrar no clube dos periódicos sérios.

A nota A3 não é brincadeira. Ele indica que a revista atende rigorosamente às exigências editoriais da Capes e reconhece o impacto acadêmico da publicação. Conquistar essa classificação logo na primeira avaliação é feito raro, especialmente diante da concorrência com periódicos nacionais e internacionais já consolidados.

O que vem por aí?

Contudo, o reconhecimento não serve de travesseiro. A revista abriu o período de submissão pública de artigos para a edição 18, com prazo até 28 de fevereiro. Pesquisadores, professores e estudantes de graduação podem enviar trabalhos nas áreas de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Gestão Empresarial, Comércio Exterior, Processos Químicos, Comunicação e Educação.

Conquistas como essa da Fatec PG mostram que o conhecimento não tem CEP privilegiado — tem método, dedicação e gente disposta a colocar a região no mapa acadêmico nacional. Será que outras instituições da região vão seguir o exemplo ou vão continuar achando que pesquisa é coisa de gente da capital?

Vitor Fagundes
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