Clique aqui e confira também nosso tema da semana

Esta diva da Nail Art em Praia Grande transforma unhas em telas em miniatura

Muito além da estética o trabalho que transforma unhas em telas onde técnica, tecnologia e arte caminham juntas

Tempo de leitura: 5 minutos

Uma criatura que solta fogo, luzes que acendem dentro da própria obra e estruturas esculpidas à mão. Tudo isso em uma superfície que cabe na ponta dos dedos.

Parece impossível? Mas essa visão nasceu do trabalho da nail artist Priscila Silva Mannocci Jankosky, que acaba de conquistar um feito inédito: a primeira vencedora de um concurso de Nail Art realizado dentro do primeiro congresso brasileiro criado exclusivamente por profissionais da área.

O reconhecimento veio com uma criação inspirada em “Alice no País das Maravilhas”.

A arte impressiona, principalmente quando a tela mede poucos centímetros. 

Uma tela em miniatura

Quem observa uma unha decorada costuma enxergar técnica, acabamento e estética. Priscila vê algo diferente.

Ela conta que a mudança de perspectiva aconteceu quando começou a questionar o padrão repetitivo que dominava boa parte do mercado.

“Acho que esse processo começou quando percebi que, assim como a moda, o cabelo ou a maquiagem, as unhas também poderiam ser uma forma de expressão da personalidade. Em determinado momento comecei a sentir um descontentamento com o mais do mesmo. Eu queria criar algo extraordinário, algo que tivesse identidade, conceito e emoção.”

A partir dessa inquietação, surgiu uma nova forma de encarar o próprio trabalho.

“Foi aí que comecei a olhar para a unha como uma tela em miniatura. Passei a pensar menos em decorar e mais em contar histórias, criar atmosferas e provocar sensações.”

Essa visão acompanha uma tendência cada vez mais presente em diferentes linguagens artísticas. Hoje, criadores utilizam suportes variados para expressar ideias, emoções e narrativas. As unhas passaram a fazer parte dessa conversa.

Além disso, o movimento ajuda a ampliar a percepção sobre uma profissão frequentemente associada apenas ao universo da beleza.

Um dragão na ponta dos dedos

O trabalho vencedor nasceu a partir do universo fantástico criado por Lewis Carroll.

A inspiração principal foi o Jaguadarte, criatura presente na obra e que ganhou uma releitura autoral desenvolvida por Priscila.

O processo, no entanto, começou muito antes da modelagem.

“Eu acompanho muitas artistas internacionais e lembro perfeitamente da primeira vez que vi uma criação em que a unha acendia e apagava luz. Achei aquilo extraordinário. Minha primeira reação foi pensar: como isso ainda não existe no Brasil? Eu preciso trazer isso para cá.”

A tecnologia despertou sua curiosidade. Contudo, ela não queria utilizá-la apenas pelo efeito visual.

Primeiro veio a história. Depois, os recursos técnicos.

Quando decidiu criar a obra inspirada em Alice, mergulhou em pesquisas sobre répteis, dragões e criaturas fantásticas. O objetivo era adaptar formas complexas para um espaço extremamente reduzido sem perder personalidade.

“Existe uma parte muito intuitiva e emocional no processo criativo. Em algum momento aquele personagem deixou de ser apenas uma referência e passou a existir dentro da minha imaginação como uma criatura própria.”

O resultado combinou modelagem tridimensional, texturas esculturais e um mecanismo luminoso integrado à composição.

“E quando finalmente o fogo se acendeu, tive a sensação de assistir aquele personagem nascer.”

Quando a tecnologia vira ferramenta de narrativa

Quem imagina que luzes, magnetismo e efeitos especiais aparecem apenas para chamar atenção pode se surpreender.

Priscila desenvolve projetos que incluem sistemas luminosos acionados por magnetismo, experiências sensoriais, estruturas tridimensionais e as chamadas Aquanails, técnica que utiliza líquidos encapsulados para criar movimento e profundidade.

Ainda assim, ela faz questão de colocar o conceito à frente da tecnologia.

“Para mim, inovação só faz sentido quando ela tem intenção.”

Segundo a artista, a pergunta principal nunca é como criar determinado efeito, mas qual sensação ele deve provocar.

“Eu começo imaginando qual história quero contar, qual emoção quero despertar e qual experiência quero criar. Só depois escolho quais técnicas realmente contribuem para aquilo.”

Por isso, no set inspirado em Alice, o fogo fazia parte da narrativa fantástica. Já em outro projeto, inspirado na Copa do Mundo, o objetivo era despertar memórias afetivas ligadas ao sentimento coletivo brasileiro.

“O que eu busco é que a pessoa olhe e sinta alguma coisa. Curiosidade, encantamento, identificação, nostalgia ou até a sensação de estar entrando em outro universo por alguns instantes.”

Arte que cabe na palma da mão

Em uma cidade que valoriza a criatividade em diferentes formas, histórias como a de Priscila ajudam a ampliar a conversa sobre o que pode ser considerado arte.

A Baixada Santista abriga artistas, ilustradores, músicos, artesãos e criadores independentes que transformam suportes improváveis em experiências culturais. Nesse cenário, a Nail Art encontra espaço para ser vista além do salão e mais próxima de uma manifestação artística.

Talvez seja justamente aí que esteja a força desse trabalho.

Enquanto muita gente enxerga apenas unhas decoradas, artistas como Priscila enxergam personagens, memórias, sentimentos e universos inteiros esperando para ganhar forma.

Serviço

Mais informações sobre o trabalho de Priscila Silva Mannocci Jankosky podem ser acompanhadas em seus canais oficiais e redes sociais, onde ela compartilha bastidores dos processos criativos, novas técnicas e projetos autorais de Nail Art.

Compartilhar
Vitor Fagundes
Texto por

Contato