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Economia portuária e cidade: como as decisões no terminal impactam a vida em Santos

Evelyn Lima explica como os grandes números do Porto de Santos se transformam em decisões estratégicas que impactam a economia do país e o dia a dia da cidade

Tempo de leitura: 4 minutos

Entre 95% e 97% do comércio exterior brasileiro passa pelos portos. Parece um número distante, mas ele ajuda a explicar o preço do café, da roupa que chega às lojas e até o ritmo do trânsito em Santos. Esses impactos fazem parte do universo da economia portuária. No novo episódio da série Lendárias & Portuárias, o Juicy Santos conecta esses “big numbers” à vida real da cidade. Além disso, faz isso contando a história de Evelyn Lima.

Economista, com 16 anos de trajetória no Porto de Santos, Evelyn começou como estagiária em 2009. Hoje é Diretora de Planejamento de Operações na Santos Brasil. Desde dezembro de 2025, ela responde pelo planejamento estratégico de um dos principais terminais de contêineres do país.

Mas o que exatamente faz alguém nesse papel?

O que acontece antes do navio atracar?

O Porto de Santos é responsável por cerca de 30% de toda a movimentação de contêineres do Brasil. Em 2025, bateu recorde histórico: 186,4 milhões de toneladas movimentadas e mais de 5,9 milhões de TEUs.

Por trás desses números existem decisões técnicas que parecem pequenas. No entanto, geram efeitos em cascata: janela de atracação, uso de pátio, priorização de cargas, alocação de equipes, previsão de sazonalidade agrícola, variações cambiais e fluxo de importações.

Se o planejamento falha, o impacto aparece rápido: filas de caminhões, navios aguardando, pátios saturados, aumento de custos logísticos e, no fim da cadeia, pressão sobre preços e abastecimento.

Quando funciona, o ganho de eficiência melhora a competitividade das exportações brasileiras. E também reduz desperdícios de tempo e dinheiro.

Do suco de laranja ao guarda-roupa

O suco de laranja que o Brasil exporta — líder global na produção —, o café, o açúcar e até as blusinhas compradas online passam pelos terminais de contêineres. Empresas como a Santos Brasil operam parte relevante dessa engrenagem logística.

Esses terminais disputam eficiência com outros players instalados em Santos, como a Brasil Terminal Portuário e a DP World. Todos investem em tecnologia, automação e expansão para reduzir custo por unidade movimentada. Como resultado, aumentam a produtividade.

Só que a conta não fecha apenas em planilhas.

Prosperidade, mas para quem?

Os fluxos econômicos do porto se materializam na cidade: empregos diretos e indiretos, circulação de renda, demanda por serviços, pressão sobre infraestrutura viária e conflitos urbanos em bairros vizinhos.

Estudos indicam que a atividade portuária é um dos principais vetores econômicos da Baixada Santista. Ao mesmo tempo, também expõe desigualdades salariais. Além disso, revela precarização em alguns segmentos e forte segregação de gênero.

Hoje, mulheres representam cerca de 17% da força de trabalho do setor portuário brasileiro. Menos de 6% ocupam cargos de alta direção. Assim, a presença de Evelyn em uma posição estratégica não é apenas simbólica — pesquisas internacionais associam diversidade em cargos de liderança a melhores resultados econômicos e indicadores ESG mais sólidos.

Ou seja, discutir quem toma decisões no porto é também discutir o futuro econômico da cidade.

Dê o play

No nono episódio da 3ª temporada de Lendárias & Portuárias, Evelyn Lima explica como os grandes números da economia portuária se transformam em decisões práticas — e como essas decisões chegam (ou não) até a vida de quem mora em Santos.

Lendárias e Portuárias é um projeto incentivado pela DP World através da Lei Municipal de Apoio à Cultura Alcides Mesquita, o Promicult.