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Zimbra usa distopia para cutucar feridas da pandemia em novo clipe

Tempo de leitura: 4 minutos

Um soco no estômago sobre o negacionismo. Esse é o novo trabalho da banda santista Zimbra, figurinha carimbada na nossa cena musical no videoclipe de “Orfanato”. 

Na produção, que saiu em outubro, o público é convidado a olhar para o retrovisor e encarar o que aconteceu no Brasil nos últimos anos.

Se você espera um vídeo de banda tocando em um estúdio asséptico e limpinho, esquece. O audiovisual traz uma animação distópica que mistura sátira política com a lembrança de que não podemos normalizar o que vivemos no passado recente.

Homem com cabeça de cavalo e faixa presidencial brasileira observa paciente intubado em hospital decadente.

Com direção e roteiro de Rafael Reis e com animação de Leo Ferraz, a obra revisita o caos da pandemia de COVID-19, o negacionismo que tomou conta das conversas de família e amizades e, acima de tudo, o descaso com as mais de 700 mil vidas perdidas.

Pratas da casa 013

O clipe marca o reencontro da Zimbra com a Tehuá Filmes, exatamente 10 anos após a parceria no clipe de “Já Sei”. Mas o clima agora é outro. Como diz o vocalista Bola, autor da faixa:

“É muito doido ver esse momento do Brasil e do mundo uma década depois. Ter que conversar com o negacionismo, com o absurdo. Em pleno 2026, termos que falar sobre vacina… É um pouco decepcionante”.

O clipe não economiza nas alegorias. Tem presidente com cabeça de cavalo, marionetes sendo controladas por fios invisíveis e figuras que representam os poderes político, religioso e militar disputando quem dá as cartas enquanto o cenário, um hospital decadente, desmorona. É uma crônica visual da nossa história recente, daquelas que embrulham o estômago, como bem define o baterista Pedro Furtado.

Por que ainda precisamos falar sobre a pandemia?

Olhando pra trás, pode parecer que o que aconteceu entre 2020 e 2022 ficou distante. Mas o projeto da Zimbra, que começou a ser gestado ainda naqueles anos, é um lembrete de que a ferida, se não for cuidada, continua aberta.

Para o diretor Rafael Reis, realizar esse trabalho foi uma forma de colocar para fora sentimentos que muitos de nós ainda não conseguimos processar.

“Acho que a sociedade brasileira ainda não lidou de verdade com as feridas da pandemia”, comenta.

O clipe usa a arte para nos impedir de esquecer que, enquanto a política nacional gestava um projeto autoritário, o país inteiro vivia um luto coletivo gigantesco.

O clipe de “Orfanato” trata sobre a estrutura que permitiu que absurdos virassem rotina. Embora a crítica ácida não cite nomes, faz a gente reconhecer exatamente quem são os atores dessa tragédia.

Vale o play e a reflexão.

Assista a Orfanato, da Zimbra

Zimbra é coisa nossa

A Zimbra nasceu em Santos e levou a música autoral da Baixada Santista para palcos de todo o Brasil. Formado por Rafael Costa, o Bola (voz e guitarra), Vitor Fernandes (guitarra), Guilherme Goes (baixo) e Pedro Furtado (bateria), o quarteto construiu uma identidade autêntica com uma combinação de rock alternativo, MPB, soul e pop.

O primeiro álbum, O Tudo, o Nada e o Mundo, chegou em 2013, com músicas como “Viva”, “Missão Apollo” e “Orfanato”. Em 2015, o grupo venceu um concurso da Rádio 89 FM e conquistou uma apresentação no Lollapalooza Brasil, ganhando projeção nacional. No ano seguinte, lançou Azul, segundo disco de estúdio e um dos marcos de sua trajetória, com faixas como “O Redator” e “Eu Te Amo e Nem Sei”. 

A caminhada seguiu com Verniz (2019), produzido por Esteban Tavares e com participação de Dinho Ouro Preto, e Sala Dois (2022).

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Juicy Santos
Texto por

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