Saúde mental não tem mês: onde buscar ajuda psicológica em Santos
Quando a vida aperta, Santos tem rede. Conheça os serviços públicos gratuitos espalhados pela cidade e por que o cuidado com a mente não pode esperar setembro.
Setembro passa. O amarelo some das redes sociais. E as pessoas continuam precisando de ajuda.
Esse é o ponto que muita gente não vê. A campanha do Setembro Amarelo cumpre um papel importante de divulgação. Contudo, especialistas alertam que concentrar o debate sobre saúde mental em apenas um mês pode criar uma falsa sensação de que o problema foi tratado, quando, na verdade, ele permanece o ano inteiro.

Em Santos, os números revelam a dimensão do desafio. Só em 2024, a cidade registrou 311 casos de violência autoprovocada e 18 mortes por suicídio, segundo o boletim epidemiológico municipal. Não é estatística abstrata. É gente da Zona Noroeste, da Ponta da Praia, do Macuco, do Campo Grande.
Vale lembrar que a cidade perdeu um dos seus filhos mais conhecidos para a depressão e a dependência química. A história de Chorão lembra ao país que saúde mental não escolhe CEP, fama nem idade.
Setembro Amarelo: quando o mês vira armadilha
Especialistas em saúde mental apontam um paradoxo: ao concentrar o debate em 30 dias, a campanha pode produzir mais desinformação do que informação real. Além disso, o movimento tende a apagar exatamente quem mais precisa ser visto.
As populações com maiores índices de suicídio no Brasil são a LGBTQIA+, a negra, a indígena e a idosa. Não por acaso: são grupos que enfrentam violência sistemática, negação de direitos e exclusão histórica. Reduzir prevenção a mensagens de “tenha força” ignora essa realidade.
Outra crítica recorrente entre profissionais da área é o excesso de medicalização do debate. Tratar o suicídio como resultado exclusivo de transtorno mental deixa de lado fatores sociais urgentes como desemprego, fome, falta de moradia e discriminação. Segundo a OMS, quase 80% dos suicídios no mundo acontecem em países de baixa renda. Isso diz muito sobre onde o problema realmente mora.
A prevenção, portanto, passa pela garantia de direitos, não só pelo consultório.
O tamanho do problema
Os números globais assustam. Mais de 700 mil pessoas tiram a própria vida por ano no mundo, segundo a OMS. No Brasil, são em média 32 mortes por suicídio por dia, uma a cada 45 minutos.
O suicídio é atualmente a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo. No Brasil, sobe para a segunda posição nessa faixa etária, ficando atrás apenas dos acidentes de trânsito.
O cenário da saúde mental como um todo também é grave. Dados mostram que 86% dos brasileiros sofrem com algum transtorno mental, como ansiedade ou depressão. O Brasil já é o país com maior número de pessoas ansiosas do mundo: cerca de 9,3% da população, segundo a própria OMS.
A rede existe e está perto de você
A boa notícia é que Santos tem uma estrutura pública de saúde mental que vai muito além do que a maioria conhece. A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS municipal oferece acompanhamento gratuito para pessoas em sofrimento psíquico, incluindo quem vive com ideação suicida ou já passou por tentativas.
Os Centros de Atenção Psicossocial, os CAPS, são a porta de entrada principal. Funcionam por região, então há uma unidade perto de onde você mora ou trabalha.
Além dos CAPS, todas as UPAs e Unidades de Atenção Primária à Saúde de Santos também acolhem casos de urgência em saúde mental. Se alguém não puder esperar atendimento, deve ser encaminhado imediatamente para a unidade mais próxima.
CAPS por região em Santos
- CAPS Centro Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 236, Macuco (13) 3222-1217
- CAPS Orquidário Av. Francisco Glicério, 661 (13) 3251-2094
- CAPS Praia Av. Cel. Joaquim Montenegro, 329, Ponta da Praia (13) 3225-8137
- CAPS da Vila Av. Pinheiro Machado, 718, Marapé (13) 3225-5796
- CAPS Zona Noroeste Rua Bulcão Viana, 853, Bom Retiro (13) 3299-4368
Para álcool e outras drogas
- CAPS AD (adultos) Rua Monsenhor de Paula Rodrigues, 170, Vila Belmiro (13) 3237-2681
- CAPS AD Infanto-Juvenil Tô Ligado Av. Conselheiro Nébias, 349, Paquetá (13) 3221-8367
Para crianças e adolescentes
- CAPS Infanto-Juvenil Entre Mentes, Zona Noroeste Praça Maria Coelho Lopes, 395, Santa Maria (13) 3299-7901
- CAPS Infanto-Juvenil #tamojunto, Central e Orla Av. Pinheiro Machado, 769, Campo Grande (13) 3271-8235 / (13) 3221-4944
Outros serviços da rede
- Seção de Reabilitação Psicossocial Av. Conselheiro Nébias, 267, Paquetá (13) 3221-1875
- Serviço de Residência Terapêutica I Rua Godofredo Fraga, 32 (13) 3224-2528
- Serviço de Residência Terapêutica II Rua Godofredo Fraga, 125 (13) 3252-1911
- Serviço de Residência Terapêutica III Rua Cyra, 24 (13) 3225-2999
O CVV: quando você não pode esperar
Para momentos de crise aguda, quando a dor aperta e não há ninguém por perto, o Centro de Valorização da Vida atende 24 horas por dia, todos os dias do ano.
Ligue 188, de qualquer telefone, sem custo, em todo o Brasil.
O atendimento é sigiloso, voluntário e sem julgamento. Não é preciso estar em colapso total para ligar. Qualquer momento de angústia já é motivo suficiente. Fundado em 1962, o CVV conta com mais de 3.500 voluntários e atende também por chat e e-mail.
Aliás, se você quer ir além de receber ajuda e oferecer escuta a quem precisa, é possível se tornar voluntário do CVV. As inscrições podem ser feitas pelo link.
Não espere o próximo setembro
Falar sobre saúde mental em outubro, em março, em qualquer mês do ano, já é prevenção. Conhecer a rede de serviços da sua cidade também. Compartilhar essa matéria com quem precisa, mais ainda.
Santos tem estrutura. O que falta, muitas vezes, é saber que ela existe.
Se você ou alguém próximo está em sofrimento, ligue 188, CVV, 24 horas por dia, gratuito e sigiloso.