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Santos e CBF fecham acordo para preservar o legado de Pelé

Prefeitura firma parceria com a confederação para ampliar o acervo do Museu Pelé e projetar Santos como referência da história do futebol brasileiro

Tempo de leitura: 3 minutos

Em um ano em que só se fala de Copa do Mundo, a cidade que deu ao futebol o seu maior nome acabou de garantir que essa história não vai a lugar nenhum. A Prefeitura de Santos, por meio da Secretaria de Turismo, assinou um acordo de cooperação técnica, cultural e institucional com a CBF, tendo o Museu Pelé como palco central.

www.juicysantos.com.br - Santos e CBF fecham acordo para preservar o legado de PeléFoto: Franck Fife/AFP

O timing não é coincidência. A Copa de 2026 começa dia 11 de junho, e Santos sabe exatamente o papel que ocupa nessa narrativa.

O que o acordo prevê na prática

A parceria não envolve repasse financeiro entre as partes. É uma cooperação institucional com vigência de 12 meses, renovável por até 60. Na prática, o Museu Pelé passa a funcionar também como espaço da CBF para eventos institucionais: reuniões, entrevistas, convocações, palestras e exposições temáticas sobre futebol.

A confederação se compromete a promover o museu nos seus canais de comunicação, o que significa projeção nacional e internacional para um equipamento cultural que já recebeu quase 24 mil visitantes no primeiro mês de funcionamento em 2014, com metade vindo de fora do Brasil.

O acordo também abre caminho para que itens do acervo histórico da CBF cheguem ao museu, ampliando o conteúdo disponível para quem visita o Valongo. A troca inclui intercâmbio de imagens, arquivos e documentos. Santos compartilha sua experiência de gestão do acervo. A CBF contribui com material que até então ficava fora do alcance do público santista.

A polêmica que não deveria existir

Neste ano, circularam declarações de argentinos tentando relativizar as três Copas do Mundo conquistadas por Pelé e pela Seleção Brasileira, com o argumento de que os títulos de 1958, 1962 e 1970 teriam sido disputados pela Taça Jules Rimet e não pela taça atual, como se isso criasse uma hierarquia entre as edições.

O raciocínio não se sustenta. A Taça Jules Rimet era o troféu original do torneio. A regra estabelecia que a seleção vencedora por três vezes ficaria com o troféu definitivamente. O Brasil cumpriu a condição em 1970 e ficou com a taça. O que veio depois foi um crime: o troféu foi roubado em 1983 e nunca recuperado. A FIFA criou um novo troféu por necessidade, não como sinal de que os títulos anteriores pertenciam a uma competição diferente. A Seleção Brasileira segue sendo a única pentacampeã do mundo.

É nesse contexto que acordos como o firmado entre Santos e CBF ganham peso extra. Memória documentada, institucionalizada e acessível ao público é o que impede que narrativas sem fundamento ocupem o espaço deixado pelo descuido.

Santos no centro da história

O Museu Pelé já recebeu fotos inéditas da Copa de 1962 trazidas do Chile, registradas pelo fotógrafo Juan Luco e esquecidas por décadas numa mala. Agora, com o acervo da CBF potencialmente acessível, a perspectiva é de que o museu do Valongo se consolide como o principal repositório físico da história do futebol brasileiro.

Com o mundo de olho na Copa, qualquer ação que conecte Santos ao futebol brasileiro tem potencial de alcance muito além da Baixada Santista. Quem visitar o museu nos próximos meses pode esperar um acervo mais robusto e com mais histórias para contar.

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