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Sai da tela e vem pra vida real: os clubes offline chegaram em Santos

Atividades manuais, jogos, conversa de verdade. Sem stories, notificação e sem o risco de passarem 10 minutos escolhendo o filtro certo

Tempo de leitura: 5 minutos

A humanidade passou décadas sonhando com o futuro. Carros voadores, robôs domésticos, teletransporte (esse aqui salvaria muito quem pega busão em Santos no horário de pico). Mas o que quase ninguém previu é que, em pleno século 21, o ato mais revolucionário seria simplesmente guardar o celular na bolsa e olhar nos olhos de alguém.

Bem-vindo ao movimento dos clubes offline, a tendência que virou febre global e chegou com força à Baixada Santista.

www.juicysantos.com.br - Sai da tela e vem para a vida real os clubes offline chegaram em SantosFoto: Unlock Filmes para CreativeMornings Santos

Do sofá para o mundo real

A lógica é simples e quase óbvia demais: adultos conectados 24 horas por dia se reúnem sem telas, para fazer coisas juntos. Ler, jogar, criar com as mãos e bater um bom papo sem aquela pressão de olhar as notificações do celular.

O movimento ganhou nome e força lá na Holanda, onde três amigos, Jordy, Ilya e Valentijn, criaram o The Offline Club. O objetivo declarado deles é “trazer de volta a humanidade a uma sociedade isolada e fixada na tela”. Hoje, o perfil tem mais de 530 mil seguidores no Instagram. 

www.juicysantos.com.br - Sai da tela e vem para a vida real: os Clubes Offline chegaram em SantosFoto: @OfflineClub/Instagram

A ironia não passou despercebida nem para os próprios fundadores, que admitem ser “estranho” ter conta ativa na rede social. Mas, no fundo, até que faz sentido: você precisa pescar as pessoas onde elas estão antes de convencê-las a nadar na praia de verdade.

A geração que está exausta de si mesma

Não é exagero dizer que a geração mais conectada da história também é uma das mais saudosas do analógico. Uma pesquisa da British Standards Institution, feita com jovens entre 16 e 21 anos, revelou que quase 70% se sentem mal após passarem tempo online. Outro dado, de uma pesquisa britânica amplamente citada, aponta que quase metade dos jovens gostaria de viver em um mundo sem internet.

Portanto, quando o The Offline Club realizou um evento em Londres que reuniu mais de mil pessoas, todas sem celular, o resultado não foi surpresa. Foi alívio coletivo!

O movimento, além disso, já se espalhou por Paris, Milão, Copenhague e agora aterrissou de vez no Brasil, com iniciativas surgindo em diversas cidades.

Santos entrou nessa

E quem acha que Santos ficaria de fora está subestimando a cidade.

A Baixada Santista tem todas as condições para ser terreno fértil desse movimento. Uma cidade que já convida, pela própria geografia, a largar a tela e encarar o horizonte. Praia, orla, parques, canais, uma vida pública que pulsa nas ruas. Só que o hábito digital é teimoso, E, às vezes, a gente precisa de uma estrutura, de um grupo, de um encontro marcado, para reaprender a estar presente.

Assim, não surpreende que a cultura das comunidades offline comece a ganhar muita força por aqui. Espaços de convivência, bares, coletivos culturais e grupos de amigos estão organizando encontros com uma regra central: celular guardado, atenção disponível. As atividades variam, mas o espírito é o mesmo de Londres a Santos, trocar o scroll infinito por algo que deixe rastro na memória afetiva.

A cidade, aliás, já tem tradição nisso sem saber nomear. Quem nunca passou uma tarde na praia sem olhar para o telefone uma única vez? Ou saiu de um barzinho na Tolentino com a sensação de que aquela conversa valeu mais do que qualquer feed? A diferença agora é que esse tipo de experiência virou intenção, e não apenas um ato do acaso.

Outra iniciativa que tem tudo a ver com a conexão offline é o CreativeMornings Santos. O evento mensal não só faz a sua cabeça pirar com novas ideias e outros pontos de vista, como também amplia sua rede na vida real em uma manhã de troca e aprendizado.

Por que isso virou febre só agora?

Há algo paradoxal nessa história. Vivemos na era mais conectada de todos os tempos, mas nunca sentimos tanta falta de presença real. As pessoas não estão fugindo da tecnologia por princípio. Elas estão buscando, de forma prática, o equilíbrio que a tecnologia por si só não entrega.

Santos, aliás, é uma cidade naturalmente propícia para esse tipo de movimento. Uma cidade que já tem a praia, a orla e os parques como convite diário ao mundo fora da tela. 

A melhor versão da vida real não tem filtro.

E aí, quando foi a última vez que você ficou duas horas sem olhar para o celular e saiu de lá se sentindo mais humano?

Informações de serviço

Quer se inspirar no movimento?
Conheça o projeto original: @theoffline_club
Participe do CreativeMornings Santos
Fique de olho na agenda de eventos do Juicy Santos para encontros offline na região

Vitor Fagundes
Texto por

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