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Raiva em cães e gatos: como proteger o seu pet (e a sua família) dessa doença

Saiba identificar sinais de alerta, o que fazer após mordidas ou contato com morcegos e onde vacinar cães e gatos na cidade, com orientações de especialista do Centro Universitário São Judas campus Unimonte.

Tempo de leitura: 8 minutos

Um cachorro curioso encontra um morcego caído no quintal. Ou um gatinho se depara com ele na janela e vai “brincar” com o bicho de asas. A primeira reação pode ser chegar perto para ver o que aconteceu ou deixar o pet investigar. Mas esse é um daqueles momentos em que é melhor manter distância. O contato com um animal suspeito pode trazer risco de raiva para cães, gatos e pessoas.

Veterinário de barba em jaleco azul examinando um cachorro marrom e branco em uma mesa de consulta no consultório.

A doença é causada por um vírus que afeta mamíferos, incluindo seres humanos. Depois que os sintomas aparecem, a letalidade chega a aproximadamente 100%. A boa notícia está justamente antes desse ponto. A raiva pode ser prevenida quando se identifica com agilidade a exposição e a pessoa recebe atendimento adequado rapidamente.

Por isso, saber o que fazer diante de uma mordida, arranhadura ou contato com um animal suspeito pode ser tão importante quanto manter a vacinação do seu pet em dia.

Para entender esses cuidados, conversamos com Antero Matias, professor de Medicina Veterinária do Centro Universitário São Judas campus Unimonte.

O comportamento do animal pode ser o primeiro sinal

Em cães e gatos, a raiva pode provocar mudanças importantes de comportamento antes mesmo dos sinais neurológicos mais graves.

Segundo Antero, a manifestação clínica pode ser dividida em três fases: prodrômica, neurológica aguda e terminal.

Na primeira, o animal pode ficar mais retraído, procurar lugares isolados ou apresentar alterações de comportamento.

“Cães e gatos podem ter alterações de comportamento, como tendência a buscar esconderijo distante das pessoas e agressividade até em relação ao proprietário”, explica.

Também podem aparecer falta de apetite e coceira no local por onde o vírus entrou no organismo.

Depois, o quadro pode avançar para uma fase neurológica. Nesse momento, podem surgir agressividade intensa, convulsões, automutilação, salivação excessiva e paralisia.

“Com a instalação completa da paralisia, o paciente canino ou felino vai a óbito por parada respiratória em função de paralisia diafragmática”, afirma o professor.

Isso ajuda a entender uma regra básica: comportamento estranho em um animal não significa automaticamente raiva. Porém, merece distância e avaliação adequada, principalmente quando existe histórico de contato com outro animal.

E o morcego que apareceu no quintal?

Durante muito tempo, quando se falava em raiva, a imagem mais lembrada era a de um cachorro. Hoje, a vigilância também olha com bastante atenção para os animais silvestres.

O Ministério da Saúde aponta que, atualmente, os morcegos são a principal fonte de infecção da raiva humana no Brasil. Entre 2010 e 2026, foram registrados 54 casos de raiva humana no país, sendo 23 associados a morcegos.

Isso não significa que todo morcego ofereça risco. Significa que um morcego encontrado caído, morto ou com comportamento incomum não deve ser manipulado por moradores.

“Em áreas urbanas, morcegos frugívoros e insetívoros podem transmitir a raiva para cães e gatos”, explica Antero.

Existe ainda outra situação. Cães e gatos podem tentar capturar um morcego que esteja com dificuldade para voar.

Por isso, o tutor não deve deixar o pet brincar ou ter contato com o animal. O caminho é afastar pessoas e animais domésticos e procurar orientação dos serviços responsáveis.

O próprio Ministério da Saúde recomenda nunca tocar em morcegos ou outros animais silvestres, principalmente quando estiverem caídos ou apresentando comportamento diferente.

A mordida parece pequena. Ainda assim, precisa de atenção

Essa talvez seja a informação mais importante para guardar.

Uma mordida pequena continua sendo uma exposição que precisa de avaliação.

A primeira providência é lavar o local abundantemente com água e sabão. Em Santos, a orientação da Prefeitura é procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima depois de uma mordida, arranhadura ou contato de risco.

Depois da limpeza, o profissional de saúde avalia o tipo de exposição e o animal envolvido. Só então define se existe indicação de vacina, soro ou outros cuidados.

O Ministério da Saúde reforça que a profilaxia deve ser indicada por profissional de saúde após a avaliação do caso. Por isso, não vale improvisar com pomadas, curativos ou aquela estratégia clássica de “vou observar e, se piorar, eu vejo”.

No caso de cães e gatos que possam ser acompanhados, o animal pode ser observado por 10 dias. Se adoecer, desaparecer ou morrer durante esse período, o serviço de saúde precisa ser informado imediatamente.

A vacina do pet também entra nessa conta

A prevenção começa muito antes de qualquer acidente.

A vacinação de cães e gatos continua sendo uma das principais estratégias para evitar a circulação da raiva entre os animais e, consequentemente, reduzir o risco para as pessoas.

E Santos tem uma informação especialmente útil para quem tem pet.

Desde julho de 2026, a cidade retomou o serviço de vacinação antirrábica no Centro de Controle de Zoonoses e Vetores. O atendimento ocorre às quartas-feiras, das 9h às 12h, na Rua Rangel Pestana, 96, na Vila Mathias, por ordem de chegada. Podem receber a dose cães e gatos a partir de três meses.

A situação reforça uma ideia simples: prevenção também faz parte da rotina de quem cuida de um animal.

Medicina Veterinária 

O Centro Universitário São Judas campus Unimonte mantém em Santos uma estrutura de formação prática para estudantes de Medicina Veterinária. O Centro Médico Veterinário funciona também como espaço de atendimento à comunidade e de desenvolvimento dos alunos.

A estrutura inclui atividades práticas e atendimento veterinário supervisionado, aproximando a formação acadêmica das situações que fazem parte da rotina de quem trabalha com animais.

Existe também uma relação direta entre educação e prevenção. Um projeto de extensão do Centro Médico Veterinário já trabalhou justamente com campanhas para melhorar a compreensão da população sobre cuidados com animais de estimação.

Na prática, formar médicos-veterinários também significa preparar profissionais para reconhecer sinais, orientar tutores e participar de ações que envolvem saúde animal e saúde pública.

E a raiva é um daqueles assuntos em que essas duas áreas se encontram de maneira muito clara.

A cidade também faz parte da prevenção

Santos já tem uma relação bastante próxima com os animais.

Quanto maior essa convivência, maior também a importância de saber quando ela deve parar.

Um animal desconhecido não precisa ser tocado para ser ajudado. Em todos esses casos, existe uma escolha mais segura: manter distância e procurar orientação.

A raiva é uma doença grave. Mas prevenção não precisa ser complicada.

Às vezes, ela começa com uma coisa bem simples: deixar o cachorro curioso longe daquele morcego no chão, manter a vacinação em dia e saber qual porta procurar quando alguma coisa sair do roteiro.

Serviço

Vacinação antirrábica para cães e gatos em Santos

Centro de Controle de Zoonoses e Vetores (CCZV)
Rua Rangel Pestana, 96, Vila Mathias, Santos

Quartas-feiras, das 9h às 12h
Atendimento por ordem de chegada
Cães e gatos a partir de 3 meses

Em caso de mordida ou arranhadura

Lave imediatamente o local com água corrente e sabão e procure uma unidade de saúde. A necessidade de vacina e/ou soro será definida pela equipe de saúde após avaliar o tipo de exposição e o animal envolvido.

Em caso de contato com morcego ou outro animal silvestre

Não toque no animal. Afaste crianças e pets e procure orientação dos serviços de saúde e vigilância do município.

Centro Médico Veterinário do Centro Universitário São Judas campus Unimonte

Rua Júlio de Mesquita, 184, Vila Mathias, Santos.

O espaço integra a formação prática dos estudantes de Medicina Veterinária e realiza atendimento veterinário à comunidade.

Essa matéria é uma publieditorial em parceria com a São Judas Unimonte. 
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Vitor Fagundes
Texto por

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