Raiva em cães e gatos: como proteger o seu pet (e a sua família) dessa doença
Saiba identificar sinais de alerta, o que fazer após mordidas ou contato com morcegos e onde vacinar cães e gatos na cidade, com orientações de especialista do Centro Universitário São Judas campus Unimonte.
Um cachorro curioso encontra um morcego caído no quintal. Ou um gatinho se depara com ele na janela e vai “brincar” com o bicho de asas. A primeira reação pode ser chegar perto para ver o que aconteceu ou deixar o pet investigar. Mas esse é um daqueles momentos em que é melhor manter distância. O contato com um animal suspeito pode trazer risco de raiva para cães, gatos e pessoas.

A doença é causada por um vírus que afeta mamíferos, incluindo seres humanos. Depois que os sintomas aparecem, a letalidade chega a aproximadamente 100%. A boa notícia está justamente antes desse ponto. A raiva pode ser prevenida quando se identifica com agilidade a exposição e a pessoa recebe atendimento adequado rapidamente.
Por isso, saber o que fazer diante de uma mordida, arranhadura ou contato com um animal suspeito pode ser tão importante quanto manter a vacinação do seu pet em dia.
Para entender esses cuidados, conversamos com Antero Matias, professor de Medicina Veterinária do Centro Universitário São Judas campus Unimonte.
O comportamento do animal pode ser o primeiro sinal
Em cães e gatos, a raiva pode provocar mudanças importantes de comportamento antes mesmo dos sinais neurológicos mais graves.
Segundo Antero, a manifestação clínica pode ser dividida em três fases: prodrômica, neurológica aguda e terminal.
Na primeira, o animal pode ficar mais retraído, procurar lugares isolados ou apresentar alterações de comportamento.
“Cães e gatos podem ter alterações de comportamento, como tendência a buscar esconderijo distante das pessoas e agressividade até em relação ao proprietário”, explica.
Também podem aparecer falta de apetite e coceira no local por onde o vírus entrou no organismo.
Depois, o quadro pode avançar para uma fase neurológica. Nesse momento, podem surgir agressividade intensa, convulsões, automutilação, salivação excessiva e paralisia.
“Com a instalação completa da paralisia, o paciente canino ou felino vai a óbito por parada respiratória em função de paralisia diafragmática”, afirma o professor.
Isso ajuda a entender uma regra básica: comportamento estranho em um animal não significa automaticamente raiva. Porém, merece distância e avaliação adequada, principalmente quando existe histórico de contato com outro animal.
E o morcego que apareceu no quintal?
Durante muito tempo, quando se falava em raiva, a imagem mais lembrada era a de um cachorro. Hoje, a vigilância também olha com bastante atenção para os animais silvestres.
O Ministério da Saúde aponta que, atualmente, os morcegos são a principal fonte de infecção da raiva humana no Brasil. Entre 2010 e 2026, foram registrados 54 casos de raiva humana no país, sendo 23 associados a morcegos.
Isso não significa que todo morcego ofereça risco. Significa que um morcego encontrado caído, morto ou com comportamento incomum não deve ser manipulado por moradores.
“Em áreas urbanas, morcegos frugívoros e insetívoros podem transmitir a raiva para cães e gatos”, explica Antero.
Existe ainda outra situação. Cães e gatos podem tentar capturar um morcego que esteja com dificuldade para voar.
Por isso, o tutor não deve deixar o pet brincar ou ter contato com o animal. O caminho é afastar pessoas e animais domésticos e procurar orientação dos serviços responsáveis.
O próprio Ministério da Saúde recomenda nunca tocar em morcegos ou outros animais silvestres, principalmente quando estiverem caídos ou apresentando comportamento diferente.
A mordida parece pequena. Ainda assim, precisa de atenção
Essa talvez seja a informação mais importante para guardar.
Uma mordida pequena continua sendo uma exposição que precisa de avaliação.

A primeira providência é lavar o local abundantemente com água e sabão. Em Santos, a orientação da Prefeitura é procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima depois de uma mordida, arranhadura ou contato de risco.
Depois da limpeza, o profissional de saúde avalia o tipo de exposição e o animal envolvido. Só então define se existe indicação de vacina, soro ou outros cuidados.
O Ministério da Saúde reforça que a profilaxia deve ser indicada por profissional de saúde após a avaliação do caso. Por isso, não vale improvisar com pomadas, curativos ou aquela estratégia clássica de “vou observar e, se piorar, eu vejo”.
No caso de cães e gatos que possam ser acompanhados, o animal pode ser observado por 10 dias. Se adoecer, desaparecer ou morrer durante esse período, o serviço de saúde precisa ser informado imediatamente.
A vacina do pet também entra nessa conta
A prevenção começa muito antes de qualquer acidente.
A vacinação de cães e gatos continua sendo uma das principais estratégias para evitar a circulação da raiva entre os animais e, consequentemente, reduzir o risco para as pessoas.
E Santos tem uma informação especialmente útil para quem tem pet.
Desde julho de 2026, a cidade retomou o serviço de vacinação antirrábica no Centro de Controle de Zoonoses e Vetores. O atendimento ocorre às quartas-feiras, das 9h às 12h, na Rua Rangel Pestana, 96, na Vila Mathias, por ordem de chegada. Podem receber a dose cães e gatos a partir de três meses.
A situação reforça uma ideia simples: prevenção também faz parte da rotina de quem cuida de um animal.
Medicina Veterinária
O Centro Universitário São Judas campus Unimonte mantém em Santos uma estrutura de formação prática para estudantes de Medicina Veterinária. O Centro Médico Veterinário funciona também como espaço de atendimento à comunidade e de desenvolvimento dos alunos.
A estrutura inclui atividades práticas e atendimento veterinário supervisionado, aproximando a formação acadêmica das situações que fazem parte da rotina de quem trabalha com animais.
Existe também uma relação direta entre educação e prevenção. Um projeto de extensão do Centro Médico Veterinário já trabalhou justamente com campanhas para melhorar a compreensão da população sobre cuidados com animais de estimação.
Na prática, formar médicos-veterinários também significa preparar profissionais para reconhecer sinais, orientar tutores e participar de ações que envolvem saúde animal e saúde pública.
E a raiva é um daqueles assuntos em que essas duas áreas se encontram de maneira muito clara.
A cidade também faz parte da prevenção
Santos já tem uma relação bastante próxima com os animais.
Quanto maior essa convivência, maior também a importância de saber quando ela deve parar.
Um animal desconhecido não precisa ser tocado para ser ajudado. Em todos esses casos, existe uma escolha mais segura: manter distância e procurar orientação.
A raiva é uma doença grave. Mas prevenção não precisa ser complicada.
Às vezes, ela começa com uma coisa bem simples: deixar o cachorro curioso longe daquele morcego no chão, manter a vacinação em dia e saber qual porta procurar quando alguma coisa sair do roteiro.
Serviço
Vacinação antirrábica para cães e gatos em Santos
Centro de Controle de Zoonoses e Vetores (CCZV)
Rua Rangel Pestana, 96, Vila Mathias, Santos
Quartas-feiras, das 9h às 12h
Atendimento por ordem de chegada
Cães e gatos a partir de 3 meses
Em caso de mordida ou arranhadura
Lave imediatamente o local com água corrente e sabão e procure uma unidade de saúde. A necessidade de vacina e/ou soro será definida pela equipe de saúde após avaliar o tipo de exposição e o animal envolvido.
Em caso de contato com morcego ou outro animal silvestre
Não toque no animal. Afaste crianças e pets e procure orientação dos serviços de saúde e vigilância do município.
Centro Médico Veterinário do Centro Universitário São Judas campus Unimonte
Rua Júlio de Mesquita, 184, Vila Mathias, Santos.
O espaço integra a formação prática dos estudantes de Medicina Veterinária e realiza atendimento veterinário à comunidade.