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O Instituto Federal chegou em Santos. Mas não exatamente onde a cidade mais precisava

Depois de dois anos de espera, Santos finalmente tem seu Instituto Federal

Tempo de leitura: 4 minutos

Enquanto Cubatão formava técnicos no Jardim Casqueiro há anos, a cidade que abriga o maior porto da América Latina ficava de fora da rede federal de ensino gratuito. Essa lacuna acabou, porque o Campus Santos do Instituto Federal abriu as portas no Parque Tecnológico, na Vila Nova. Para uma cidade do tamanho e da relevância econômica de Santos, o IFSP chega tarde, mas chega.

Edifício moderno branco com fachada curva e angular do Parque Tecnológico em Santos, com folhagens verdes e céu azul.Foto: Carlos Nogueira/PMS

O anúncio veio em fevereiro de 2024, durante os 132 anos do Porto de Santos, quando o presidente Lula prometeu institutos federais para Santos e São Vicente. O discurso veio junto com outras obras grandes da Baixada, como o túnel Santos-Guarujá.

Passados dois anos, a promessa virou uma sede provisória.

O bairro que puxou essa fila desde o início, porém, ficou de fora do mapa.

Quem correu atrás do IF

Antes de qualquer microfone oficial, havia gente batendo de porta em porta com abaixo-assinado. Luis Henrique Fernandes, hoje vereador suplente, lembra da mobilização como um trabalho de anos, encabeçada por moradores e pela juventude na Zona Noroeste.

“Fomos às ruas pedir que as pessoas abraçassem essa luta, fizemos abaixo-assinado e fizemos muita pressão pelas redes”, contou.

A ex-prefeita Telma de Souza entrou na articulação com um levantamento próprio de áreas disponíveis, defendendo a Zona Noroeste como destino natural do campus.

A região concentra 120 mil moradores sem nenhuma universidade por perto e reúne o maior colégio eleitoral da cidade. Fernandes viajou a Brasília para uma reunião com o então ministro Alexandre Padilha, hoje na Saúde, e a São Paulo, para conversar com a reitoria do IFSP.

O terreno que sobrou 

Segundo ele, a Prefeitura de Santos nunca tratou a escolha do endereço como prioridade e acabou destinando um imóvel que já não cumpria mais nenhuma função relevante para a cidade. Ele compara com São Vicente, que negociou diretamente com a União e recebeu um terreno perto da periferia.

“Nossa cidade vizinha colocou o instituto em uma região próxima à periferia, que não conta hoje com atividades educacionais. Deu a importância que o tema merecia”, afirmou.

De toda forma, ele reconhece que é melhor para a cidade uma instituição como essa em qualquer lugar do que nenhuma.

“Agradecemos que nossa cidade tenha esse avanço depois de tanta luta.”

O que abre em julho 

O Campus Santos ocupa dois andares do Parque Tecnológico, na Rua Henrique Porchat, 47, em área de 2,4 mil metros quadrados. Os primeiros cursos de qualificação profissional começam no dia 28 de julho.

Em 2027, entra o Técnico Integrado em Desenvolvimento de Sistemas, e em 2028, Produção Cultural e Design.

www.juicysantos.com.br - O Instituto Federal chegou em Santos. Só que não chegou onde pediram por eleFoto: Francisco Arrais/Prefeitura de Santos

A Prefeitura associou a inauguração ao fortalecimento da educação pública e ao desenvolvimento tecnológico da região. A direção do campus reforçou que os cursos vão dialogar com o maior porto da América Latina, âncora da economia santista.

A sede definitiva, porém, não fica no Parque Tecnológico.

Vai funcionar no antigo prédio do Bom Prato, na região do Mercado Municipal, com capacidade para 1.400 estudantes e metade das vagas reservada a alunos de baixa renda.

Essa segunda etapa pode reabrir o debate sobre quem a cidade prioriza quando decide onde investir em educação.

A Baixada Santista chega a 2026 com três novos campi da rede federal, em Santos, São Vicente e Guarujá, somados à unidade já consolidada em Cubatão, no Casqueiro. O Ministério da Educação descreveu, em nota, o avanço como parte de um esforço nacional de levar a rede federal para fora dos grandes centros.

Santos ganhou seu Instituto Federal depois de dois anos de espera e de uma mobilização que começou na Zona Noroeste antes de qualquer autoridade cravar um endereço.

A próxima etapa, no Mercado Municipal, ainda vai dizer se essa opção foi realmente acertada.

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