No mar de Ilhabela, os barcos competem e uma cidade inteira trabalha
Registro audiovisual liga esporte, turismo, economia criativa e território em um dos principais eventos náuticos do país
Duas cidades em ilhas que têm no mar uma parte essencial de suas identidades. Mas Santos e Ilhabela vivem essa relação de jeitos um pouco diferentes. Por aqui, a atividade portuária e urbana, o comércio, a história do café e o esporte são o nosso norte, nossa cidade irmã no Litoral Norte construiu sua imagem em torno da vela, da natureza e do turismo de mergulho. Tanto em comum e, ainda assim, tão diferentes…
Durante a Semana Internacional de Vela, porém, as duas cidades se aproximam: o oceano deixa de ser só paisagem e vira o motor que propulsiona uma verdadeira rede de negócios, trabalhadores, serviços e histórias que vai além da competição.
Ilhabela muda de ritmo por uma semana
O vento move os barcos, mas é em terra que uma rede inteira de pessoas, negócios e serviços faz a cidade navegar.

Essa é a premissa de um minidocumentário produzido pelo Oxigênio Ilhabela sobre a 53ª edição da Semana Internacional de Vela.
Exibido no BandSports no mês de agosto, o filme olha para além da competição esportiva e acompanha quem trabalha e cria oportunidades durante um dos principais eventos do calendário da cidade litorânea.
A produção serve como ponto de partida para uma pergunta bem interessante para cidades de médio porte: como um evento esportivo pode se transformar em uma plataforma de turismo, negócios, trabalho e identidade territorial?
Mar calmo nunca fez bons marinheiros
Para quem acompanha a Semana de Vela de Ilhabela, a imagem que vem na memória é a de um monte de veleiros disputando espaço na água. Mas, para um evento desse porte rolar, há toda uma estrutura por trás que começa bem antes da largada.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Ilhabela (SP)
Grandes eventos costumam ser avaliados pela quantidade de público, pela visibilidade gerada ou pelo número de atrações. Mas há uma outra forma de analisar os efeitos que provocam, que é acompanhar a cadeia de pessoas e negócios mobilizada pela programação. É economia criativa pura.
Hotéis e pousadas recebem atletas e visitantes.
Restaurantes ampliam equipes e estoques.
Empresas náuticas prestam serviços.
Fornecedores são contratados.
Poder público apoia.
Profissionais de audiovisual e comunicação registram a programação.
Motoristas, produtores, comerciantes e trabalhadores temporários ajudam a cidade a responder ao aumento da circulação.
O minidocumentário do Oxigênio busca revelar justamente essa camada que costuma ficar fora das transmissões esportivas.
Ou seja, como o território se relaciona com o evento.
“Quando olhamos apenas para a competição, enxergamos os barcos. Quando olhamos para o território, percebemos uma cidade inteira trabalhando para que aqueles barcos estejam ali. O filme nasce desse desejo de mostrar essa outra camada da Semana de Vela e levar essa história de Ilhabela para o Brasil”, contou Aziz Camali Constantino, fundador do Oxigênio Ilhabela.
De acordo com a produção, mais de 25 negócios locais participaram diretamente da ativação realizada durante a Semana de Vela.
A iniciativa também reuniu 19 entrevistados e deu origem a oito episódios de podcast, com a participação de atletas, empreendedores, especialistas e personagens ligados à vela e à vida de Ilhabela.
Foto: divulgação/Oxigênio Ilhabela
Entre os entrevistados citados estão Robert Scheidt, Beto Pandiani e Lars Grael.
A produção teve parceria de mídia do BandSports, parceria de produção da Zion Map e apoio local do Yacht Club de Ilhabela, da Prefeitura de Ilhabela e do Ilhabela SP.