Exposição revela passado e presente do bordado em Santos e região
Conheça o legado das bordadeiras do Morro do São Bento em uma mostra inédita
A tradição do bordado das artesãs em Santos ganha destaque com uma exposição que celebra a memória das artesãs do Morro do São Bento e sua conexão com as expressões contemporâneas dessa arte na mostra “Ponto de Contato: Diálogos com a Tradição do Bordado em Santos”, no Espaço Futrica Economia Criativa, localizado na Rua 15 de Novembro, 146, no Centro.

Resgate de uma herança cultural
O projeto “Ponto de Contato” vem para resgatar e valorizar o legado das bordadeiras do Morro do São Bento. Essas mulheres transformaram a arte têxtil em fonte de renda e expressão artística ao longo de décadas. Consequentemente, o bordado se tornou um símbolo identitário importante para a cidade.
Durante três meses, quinze participantes receberam mentorias presenciais e online. Cada artista foi contemplado com bolsa de incentivo de R$ 3.500. O artista visual Julian Campos coordenou a iniciativa, junto com Luciana Arruda, Rick Rodrigues e Paulo Rezende, além do apoio do Instituto Procomum.
Memória que atravessa gerações
Entre as participantes está Maria Carmina de Andrade Sebastião, de 75 anos. Ela aprendeu o ofício ainda criança com sua mãe, Isabel da Paixão — a Dona Isabel —, uma das bordadeiras originais do morro.
“Tem sido uma bênção participar dessa experiência, que revive o trabalho das bordadeiras e cria um espaço de troca entre gerações”, relata Carmina.
A presença de participantes com vivências diversas reforça o caráter histórico do projeto. Além disso, a iniciativa discute o artesanato têxtil como linguagem artística e política, questionando associações exclusivas ao universo feminino.
Raízes portuguesas na arte santista
A técnica de bordado santista carrega forte influência da imigração portuguesa. Mulheres vindas da Ilha da Madeira trouxeram a tradição para Santos na década de 1960. O advogado Manoel Ricardo Sebastião, presidente do grupo folclórico Cruz de Malta e descendente direto das bordadeiras, destaca a importância desse patrimônio cultural.
“O resgate do bordado da Madeira em Santos é crucial para a preservação da nossa identidade cultural”, afirma Manoel.
Portanto, a técnica, reconhecida como patrimônio imaterial, possui valor simbólico que transcende a peça em si.
Obras contemporâneas
A mostra apresenta trabalhos desenvolvidos durante as mentorias, exibidos ao lado de peças históricas cedidas por familiares das bordadeiras. Segundo Julian Campos, “o que vemos agora é mais do que uma exposição: é um encontro entre tempos”. Os participantes conseguiram transformar pesquisa, memória e técnica em obras que dialogam com a tradição.

Além disso, o projeto lançará uma publicação inédita que atualiza a história do grupo a partir de 2013. O lançamento acontecerá ao término da mostra, em fevereiro de 2026.
Os horários e outras informações são divulgados através das redes sociais do projeto @redepontodecontato.
Tradição
A feira de bordados que acompanha a abertura amplia o alcance da iniciativa. Para os organizadores, o conjunto de mostra e feira reforça a vocação do projeto para promover circulação e valorização da tradição bordadeira na Baixada Santista.
Dessa forma, a exposição de arte têxtil em Santos representa não apenas um resgate histórico, mas também uma ponte entre gerações que mantém viva uma tradição centenária.
Preservação e continuidade
A iniciativa demonstra como o trabalho manual pode dialogar com questões contemporâneas sem perder suas raízes. Enquanto as técnicas tradicionais são preservadas, novos artistas trazem olhares atuais para essa arte centenária.
O bordado se renova e permanece relevante para as novas gerações. A expectativa dos organizadores é que o projeto inspire outras ações de valorização do patrimônio cultural santista, especialmente aquelas relacionadas aos saberes populares e às tradições comunitárias.