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Drinpe, o pirata da Baixada, lança mixtape

Novo trabalho reúne seis anos de construção artística, referências caiçaras, Drill, R&B, Funk da Baixada e participações de nomes como L7NNON e Lawe

Tempo de leitura: 4 minutos

Tinha um estúdio improvisado em casa, um filho recém-nascido e uma faixa gravada com quem seria, anos depois, um dos maiores nomes do rap brasileiro. Drinpe não estava esperando o momento perfeito, estava construindo.

www.juicysantos.com.br - Drinpe, o pirata da baixada lança mixtapeFoto: Fabrizio Toniolo

“Pirata da Baixada”, primeiro projeto solo do santista, junta músicas que vieram surgindo ao longo de seis anos, de um artista que já navegava pelo Drill (subgênero com batidas pesadas) quando o estilo mal tinha nome no Brasil.

Santos no meio do oceano

Quem cresceu ouvindo Neguinho do Kaxeta e Duda do Marapé sabe que a Baixada sempre teve sua própria forma de contar a vida. Drinpe bebeu direto nessa fonte. Assim, o projeto carrega a estética caiçara como identidade, e não como cenário de fundo.

O mar aqui não funciona como cartão-postal, mas sim como metáfora. É o movimento de quem nada contra a maré sem dramatizar.

A produção une referências que, à primeira vista, não deveriam caber no mesmo projeto. Gospel, R&B, Funk da Baixada e Charlie Brown Jr., tudo se encaixa. São camadas de quem nasceu e cresceu aqui, em uma cidade que é praia e periferia ao mesmo tempo.

Da Moby ao estúdio do Orochi

A história das colaborações do álbum diz muito sobre como funciona a cena.

O feat com L7NNON, hoje um dos nomes mais importantes do rap nacional, não nasceu de uma reunião de negócios. Nasceu de uma identificação genuína em uma festa onde os dois eram praticamente os únicos que não bebiam. Depois vieram os reencontros no Rio, o estúdio do Orochi, o produtor Ajaxx e uma música que brotou no meio de uma madrugada enquanto a festa rolava lá fora.

Além de L7NNON, o projeto reúne Kawe, Zlatan, Pedro Trick, Yung Thi e Wentz. A mixagem e masterização ficaram com 2F-Uflow, engenheiro de áudio que já trabalhou com Anitta, Ludmilla e é o braço direito de Papatinho.

Hossy Beats, produtor internacional que assinou uma das faixas do último álbum de Chris Brown, assina “Concupiscente”, um dos pontos altos do projeto.

Mixtape não é pouco

Drinpe é preciso ao falar do formato. Uma mixtape, no rap, é apresentação. É o artista colocando a cara para bater, dizendo ao público quem ele é e o que quer dizer.

Portanto, “Pirata da Baixada” não tenta ser um álbum-conceito com narrativa fechada. É um compilado criterioso, com identidade sonora coerente, de alguém que passou 11 anos aprendendo a fazer música em grupo e está, agora, falando por conta própria.

O próximo passo já está traçado: videoclipes de “Pelo Fogo” e “Não Vou Cair”, dois EPs e uma outra mixtape no horizonte. O álbum vem depois, quando a história estiver pronta para ter começo, meio e fim.

A cena que precisa de âncoras

A Batalha da Santa, no BNH, acontece na rua, sem cobrar ingresso, e já recebeu Drinpe em shows e lançamentos. É um dos poucos espaços onde a cena musical da cidade ainda respira de forma orgânica.

Contudo, o próprio artista admite: a cena local está fraca. E é exatamente por isso que projetos como esse importam. Não como solução mágica, mas como prova de que existe música de alto nível sendo feita aqui, com o selo da Baixada Santista, pronta para ir além do litoral.

Santos já exportou o Charlie Brown Jr. para o mundo. Falta a cidade acreditar que ainda tem muito mais a dizer.

Ouça agora

Pirata da Baixada já está disponível nas plataformas digitais. Para acompanhar os próximos lançamentos e clipes, siga Drinpe nas redes sociais.

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