Ainda é possível fazer amigos em Santos?
Da fila do café ao banco do carro, conexões surgem nos lugares mais improváveis. E os números mostram que muita gente ainda gosta de transformar trajetos em conversa
No dia 21 de março deste ano, um post do Threads parou a Baixada Santista (aqui, leia-se com liberdade poética para o exagero). Uma pessoa cometeu o enorme erro de falar “não dá para fazer amigos em Santos”.
O post virou base para um vídeo lá no Instagram do Juicy Santos. Depois de 4 meses, esse conteúdo passou dos 2.700 comentários. E claro que as opiniões foram as mais diferentes possíveis, como:
“Nasci e cresci aqui e não tenho esse problema, talvez pelos amigos de infância, mas também tenho muitos ciclos criados no caminho”
Ou ainda:
“Eu moro em Santos desde que nasci, e também tenho dificuldades em fazer amizades”
Tem quem concorde demais e há quem resista à ideia. A real é que esse ainda é um assunto sensível no coração do santista.
Muito provavelmente você, leitor ou leitora, já ouviu alguém falando que os grupos estão formados faz tempo, que todo mundo é mais fechado aqui ou que conhecer gente nova virou missão impossível.
Mas, tretas à parte, basta prestar um pouco de atenção para perceber uma contradição um tanto quanto curiosa em alguns comportamentos pela cidade.

Tudo bem, não vamos romantizar nada. De fato, é um pouco difícil fazer amizades por várias razões. Mas, muitas vezes, precisamos ter mais atenção e intenção e, de fato, nos abrir à possibilidade de amigar com alguém.
A conversa que surgiu nas redes do Juicy Santos pode ter enveredado para a dificuldade em criar conexões. Só que a cidade continua cheia de encontros acontecendo sem aviso prévio.
Mesmo assim, nem toda conversa vira amizade. Mas quase toda amizade começa com uma conversa.
Procura-se amigos em Santos!
De acordo com a plataforma de mobilidade BlaBlaCar, alguns dados chamam a atenção para o fato de que o santista quer viver as conexões offline de maneira intensa.
Santos está entre as 5 cidades mais buscadas do Brasil para viajar – considerando caronas e ônibus (sim, eles têm essa opção). Além disso, somente entre 2025 e 2026, partiram daqui viagens para mais de 60 destinos diferentes.
Os números mostram movimento. E existe um detalhe ainda mais interessante.
São Paulo lidera entre os estados com mais viajantes que afirmam gostar de conversar durante a viagem. Em outras palavras, mesmo em uma época marcada por telas, fones de ouvido e notificações, muita gente continua enxergando valor em trocar histórias com desconhecidos.
Isso faz muito sentido quando pensamos que uma viagem de algumas horas costuma derrubar formalidades. A conversa passa pelo trânsito, trabalho, planos para o fim de semana e, quando se percebe, já virou troca de experiências.
O caminho virou parte da história, e agora?
A rotina de deslocamentos em Santos é algo para ser estudado.
Existe uma galera que sobe a serra todos os dias, para trabalhar ou estudar na capital. Outros fazem viagens frequentes para visitar familiares e amigos. Há ainda quem simplesmente queira conhecer um lugar novo.
No meio desse fluxo, o BlaBlaCar se tornou um espaço onde trajetos e encontros acontecem ao mesmo tempo.
O crescimento da modalidade “Só Para Elas”, por exemplo, que permite que mulheres condutoras viajem apenas com passageiras mulheres (e vice-versa), chegou a 129% em 2025 em todo o Brasil. No primeiro semestre de 2026, 23% dos condutores que ofereceram caronas pela plataforma eram mulheres.
Os dados ajudam a mostrar como diferentes perfis estão ocupando esses espaços e criando novas possibilidades de interação durante as caronas.
A amizade saiu de moda?
Existe uma tendência de imaginar que as conexões aconteciam mais facilmente em outras épocas. Porém, a cidade continua oferecendo oportunidades de encontro quase todos os dias.
Elas podem nascer em eventos, cursos, projetos culturais, grupos esportivos ou até durante uma viagem para outra localidade.
A diferença está menos nos lugares e mais na disposição de cada pessoa para iniciar uma conversa quando ela aparece.
Na real, fazer amizades em qualquer lugar não é tão difícil. No fim das contas, ninguém sai de casa pensando: “hoje vou fazer um novo amigo“. A maioria das histórias começa de um jeito muito menos cinematográfico.
Bom, mas antes de tu sair dessa matéria, vamos lançar um desafio: a próxima vez que pegar um BlaBlaCar, embarque na viagem mais aberto ou aberta a desenrolar uma conversa. Comece com um “você é daqui?” ou faz um comentário sobre o trânsito da orla, vai que uma conversa que era para durar cinco minutos acabe atravessando os quilômetros seguintes e vire uma boa amizade.
Serviço
Saiba mais sobre viagens de ônibus e caronas compartilhadas no site www.blablacar.com.br