Wandering Ghost: santista aposta no rock alternativo em novo single
Com referências de Fresno e Paramore, o músico de Santos transforma dilemas da vida adulta em uma faixa intensa e apresenta sua nova fase na cena independente.
Quem nunca ficou encarando o teto às três da manhã, pensando se a vida está indo para algum lugar ou se a gente só está girando em círculos? Essa pode até ser uma sensação coletiva, um peso invisível que a maioria que já passou dos 20 anos conhece bem.
Foi justamente esse aperto no peito que o músico santista Enzo Borges, que atende pelo nome artístico de limmbo, transformou em sua nova música, wandering ghost. Ela chegou às plataformas nesta terça-feira (13/10).
Foto: Divulgação / Giovanna Barbosa
Se você ainda não conhece o trabalho do artista, esta é a hora de prestar atenção. Aos 25 anos, o cantor e compositor santista está na segunda empreitada pela Casalago Records e, desta vez, não veio para brincadeira. Afinal, ele entrega a faixa mais pesada de toda a sua trajetória musical até aqui.
O fantasma que a gente carrega
A inspiração para wandering ghost veio de um período que parece familiar para muita gente: o pós-confinamento de 2022. Naquela época, em meio ao turbilhão de incertezas e ao medo do desconhecido, limmbo conviveu com uma paranoia latente. Ele sentia que poderia partir a qualquer momento.
“Sempre fui muito sonhador e admiro muito isso na minha pessoa, porque sei que é o que me move pelo mundo”, comenta o artista. Só que o sonho tem um custo, né? Com o passar do tempo, a vida adulta, com toda a sua carga de boletos, o cenário político instável e a dificuldade real de se manter como artista no Brasil, acaba virando um balde de água fria.
É justamente desse contraste que nasce a música: de um lado, a vontade de voar; do outro, a sensação de estar preso em um loop de ansiedade.
Nesse sentido, a letra não tenta romantizar o problema nem oferecer respostas prontas. Em vez disso, limmbo dá voz àquele medo de passar pela vida sem ter realizado o que planejou. Assim, a faixa se torna um convite para olhar para a encruzilhada em que todos nós, em algum momento, nos encontramos.
Um mergulho no som e na estética
Para quem curte uma sonoridade mais visceral, wandering ghost é um prato cheio. Musicalmente, o artista se inspirou no peso do Fresno e no rock alternativo do Paramore. Ele traz guitarras distorcidas que assumem o protagonismo e uma bateria que dita o ritmo da nossa própria ansiedade.
Além disso, tudo foi gravado no home studio do próprio limmbo, mantendo aquela aura DIY (o famoso “faça você mesmo”) que a gente tanto respeita por aqui. Já o contraste fica por conta dos vocais: versos mais íntimos e contidos que explodem em um refrão rasgado. Isso cria uma dinâmica que prende quem ouve.
A estética visual, por sua vez, não fica atrás. Fotografada por Giovanna Barbosa, a capa traz um efeito de borrão que combina perfeitamente com a ideia de um “fantasma andarilho”. É como se o artista estivesse tentando se materializar em meio ao caos urbano que a gente conhece bem.
Vale lembrar, ainda, que o talento de limmbo não é novidade em terras santistas: o clipe de seu single anterior, dancing with wolves, já foi destaque na Mostra Videoclipe Caiçara do 23º Curta Santos.
Onde entra o limmbo na cena?
Com uma trajetória que começou lá aos 12 anos de idade, Enzo Borges, o nome por trás do projeto, provou que amadureceu junto com suas letras. Seus trabalhos anteriores, como o álbum nineteen (2021) e i care about what you think of me (2025), já deixavam claro que a vulnerabilidade é uma marca registrada. Afinal, ele canta sobre sexualidade, autoimagem e identidade sem medo de ser quem é.
Já em 2026, ao se juntar à Casalago Records, limmbo deu um passo importante na carreira. Para descrever sua relação com o mundo, ele se define como uma pessoa que se sente confortável em “lugares-não lugares”, como aeroportos ou estradas.
Por isso, fica a dica para a sua playlist de rock alternativo e indie: wandering ghost é daquelas músicas para ouvir no fone de ouvido, no ônibus ou caminhando pela orla.