Vai passar feriado em Santos? Aqui tem um guia de boas práticas para turistas e santistas
Um manual para curtir a cidade o ano todo sem transformar tudo em um caos coletivo
Mais um feriado em Santos chegando – e isso está longe de ser uma reclamação. Pois é, Santos tem daquelas coisas: transforma qualquer pessoa em personagem de uma cena de série de TV. Basta alguns minutos na orla para ver o roteiro se repetir. Alguém atravessa a rua de sunga como se estivesse em casa, um carro buzina com convicção, como se isso abrisse o sinal mais rápido. Na areia, uma caixa de som disputa atenção com o barulho do mar. E, na ciclovia, a galera desfila sem olhar pro lado e corredores disputam espaço com bikes, tornando tudo um caos mais ou menos organizado.
Foto: Nair Bueno
Nada disso é exatamente novo. Pelo contrário, já virou parte do folclore urbano da cidade. Quem mora reconhece, quem visita acha estranho. Mas quem faz, muitas vezes, nem percebe.
Aqui vai um ponto importante: Santos funciona melhor quando as pessoas lembram que não estão sozinhas no cenário. A cidade é coletiva por natureza. E isso inclui o som, o espaço, o trânsito e até o figurino.
Sunga em todo lugar
A sunga tem o seu lugar no mundo. E não, não é na fila do mercado! O problema começa quando ela decide expandir horizontes. Padaria, mercado, banco e, em casos mais ousados, fila de cartório.
Ninguém está pedindo dress code de terno e gravata – aqui é quente demais para isso. Contudo, uma camiseta ou uma bermuda resolve praticamente todas as situações sociais fora da areia.
Dica prática: Uma camiseta pesa poucas gramas. Ela não vai atrapalhar o rolê.
Buzinar no trânsito
A buzina existe para alertar situações de risco. O Código de Trânsito Brasileiro deixa isso bem claro.Contudo, em Santos, ela ganhou uma nova função: válvula de escape emocional.
Buzina quando o sinal abre e alguém demora meio segundo, quando chove ( e não chove ) mas no final, buzina porque sim.
O resultado é uma trilha sonora constante que não melhora o trânsito e ainda aumenta o estresse coletivo. Além disso, áreas centrais e vias próximas à orla já registram altos níveis de poluição sonora. Ou seja, não é só incômodo. É questão de saúde urbana.
Dica prática: É só respirar! O trânsito anda e infelizmente a buzina não acelera o tempo.
Lixo nas praias
Esse é um clássico que insiste em continuar em cartaz. Santos tem lixeiras distribuídas, campanhas frequentes e acesso fácil à informação. Ainda assim, o lixo segue aparecendo na areia.
Canudos, copos, sacolas e bitucas têm um destino previsível: o mar.
De acordo com ações da ONG EcoFaxina, toneladas de resíduos são retiradas do litoral todos os anos. Grande parte vem de hábitos simples.
Dica prática: leve um saquinho na bolsa. Funciona, é leve e resolve.
Caixinha de som na praia
A música faz parte da experiência da praia. Isso ninguém discute. O problema começa quando a experiência vira coletiva sem consentimento. E, de repente, uma caixa de som vira o DJ oficial de dez barracas ao redor.
Cada grupo tem um gosto. E a soma disso costuma resultar em um verdadeiro festival involuntário. Além disso, a legislação municipal já prevê limites para emissão de som em espaços públicos. Nem sempre é fiscalizado, mas existe.
Dica prática: fone resolve tudo (esse realmente foi bem prático)
Patinete e corrida na ciclovia
A ciclovia da orla de Santos tem mais de 11 km. É uma das maiores do Brasil e motivo de orgulho local. Contudo, também virou palco de um pequeno caos organizado.
Tem gente caminhando na ciclovia, corredores treinando na faixa de bike e patinete competindo com bicicleta. A sinalização é clara. Mesmo assim, ela costuma ser ignorada na prática.
Isso gera risco real. Não só para ciclistas, mas para todo mundo que circula ali.
Dica prática: caminhada e corrida vão no calçadão. Bicicleta e patinete vão na ciclovia, com bom senso.
Santos é de quem cuida
Todos esses pontos têm algo em comum. Nenhum depende de obra, investimento ou tecnologia, mas sim dependem de escolha.
Santos já é uma das cidades mais queridas dos visitantes quando se fala de turismo – e isso rola o ano todo. Mas a convivência ainda pode melhorar muito com atitudes mais conscientes e humanas dos dois lados, né?
Em meio a tanta rotina automática, o que você, santista ou turista, pode fazer pra tudo ficar mais legal?