Juicy Design Meetup: veja tudo o que rolou na 3ª edição
Acompanhe a cobertura em tempo real do maior evento criativo da Baixada Santista
Depois de reunir mais de mil participantes nas duas primeiras edições e alcançar 98% de aprovação do público, o Juicy Design Meetup retorna para sua 3ª edição. O evento tem a missão de conectar estudantes, designers, ilustradores e profissionais da economia criativa.
Realizado em Santos, no Juicyhub, o evento nasceu da parceria com a Adobe. Além disso, se consolidou como um dos principais encontros voltados à criatividade e à inovação na Baixada Santista. A proposta vai além das palestras. O meetup promove uma verdadeira imersão criativa, reunindo pessoas de diferentes áreas para trocar experiências. Também amplia repertórios e cria novas oportunidades.
Foto: Unlock Films
O evento mantém o espírito que marcou os encontros anteriores: inspirar, conectar e fortalecer a comunidade criativa. Além de acompanhar tendências e conhecer histórias de quem atua no mercado, o público tem a oportunidade de fazer networking. Assim, pode trocar ideias com pessoas que compartilham a mesma paixão pela criatividade.
3ª edição Juicy Design Meetup
Com a Adobe mais uma vez como patrocinadora oficial, a 3ª edição do Juicy Design Meetup reforça a proposta de conectar talentos e ampliar oportunidades. Dessa forma, fortalece a comunidade criativa da Baixada Santista e de todo o Brasil.
Para Ludmilla Rossi, CEO do Juicyhub e idealizadora do evento, o crescimento do meetup demonstra a força da economia criativa na região e o potencial de impacto gerado quando grandes marcas e profissionais se unem para compartilhar conhecimento.
“É muito especial chegar à 3ª edição e ver como essa comunidade cresceu. O Juicy Design Meetup nasceu para criar conexões, gerar oportunidades e mostrar a potência criativa que existe na Baixada Santista. Ter a Adobe ao nosso lado nessa construção reforça ainda mais a relevância desse movimento.”
Da ideia ao impacto: os bastidores da criação de vídeos que conectam
Com mais de uma década de experiência na creator economy, Lucca Najar compartilhou um pouco dos bastidores da criação de conteúdo audiovisual. Diretor criativo, empresário e criador de conteúdo, ele mostrou como transformar ideias em vídeos capazes de gerar conexão, transmitir mensagens e engajar audiências.
Durante a palestra, Lucca apresentou técnicas de planejamento, narrativa e produção, mas destacou que a criatividade vai muito além das ferramentas.
“A parte mais legal de trabalhar com criatividade é aprender e ensinar as pessoas. São 10 anos trabalhando com pessoas incríveis e ótimas marcas. Nós, criativos, adquirimos várias habilidades. Nunca somos um só.” afirmou.
Ele também falou sobre a capacidade de adaptação exigida dos profissionais criativos atualmente. Ao compartilhar sua trajetória e seu processo de criação, Lucca reforçou a importância de unir estratégia, repertório e autenticidade para produzir conteúdos que gerem impacto de verdade.
Design não é mais uma profissão: é uma demanda do futuro
Com mais de 20 anos de atuação em design, inovação e experiência do usuário, Thoz Gonçalves levou ao palco uma reflexão sobre o papel do design em um mundo cada vez mais impactado pela inteligência artificial. Além disso, ressaltou as transformações tecnológicas.
Designer, professor, mentor e empreendedor, ele compartilhou aprendizados acumulados em sua trajetória por grandes empresas, startups e projetos de inovação. Ao longo da apresentação, destacou que o diferencial dos profissionais não está apenas nas ferramentas. Por isso, ressaltou a capacidade de compreender pessoas e conectar diferentes contextos.
“As inspirações são importantes. Precisamos observar o que está ao nosso redor. O design é o chamado para o futuro. E cada pessoa tem o seu futuro”, destacou.
Thoz também provocou o público com uma das perguntas mais recorrentes da atualidade: “Será que a IA vai acabar com o mercado de design?”. Para ele, o design continua sendo uma ferramenta essencial para construir significado, resolver problemas e imaginar futuros possíveis.
Entre reflexões sobre tecnologia, criatividade e comportamento humano, a palestra reforçou a importância de desenvolver um olhar atento para as mudanças do mundo sem perder aquilo que nos torna humanos.
Vivendo no caos criativo: a curadoria como um ato de rebeldia
Em uma palestra que misturou criatividade, reflexão e troca de experiências, Isa Santos convidou o público a pensar sobre o excesso de referências que consumimos diariamente. Ademais, ela refletiu sobre como isso influencia o processo criativo.
Designer e artista natural de São Vicente, ela propôs um exercício simples, mas provocador: “Se eu entregasse uma folha em branco para vocês agora, o que vocês iriam criar? Porém, nada de abrir o Google, Pinterest ou buscar referências.”
Ao longo da apresentação, Isa defendeu a ideia de que criar não significa acumular infinitas inspirações, mas saber escolher aquilo que realmente faz sentido. Para ela, a curadoria é uma das habilidades mais importantes para quem trabalha com criatividade.
A palestrante também reforçou a importância dos encontros e das conexões entre profissionais criativos.
“O que você escolhe compartilhar fala muito sobre você. O estar aqui é muito importante. Aproveitem o evento. Ninguém faz nada sozinho. Várias coisas acontecem depois de uma troca.”
Entre reflexões sobre criatividade, referências e autenticidade, Isa deixou uma mensagem sobre confiar nas próprias escolhas e seguir em frente sem carregar arrependimentos pelo caminho escolhido.
Ideias não nascem prontas: criando ao vivo com Adobe
Um dos momentos mais aguardados do Juicy Design Meetup foi o painel “Ideias não nascem prontas: criando ao vivo com Adobe”. O painel reuniu Bia Lopes Maria, Gabriel Sá e Luiz Buscapé em uma conversa sobre criatividade, repertório e construção de carreira.
A proposta foi mostrar que o processo criativo está longe de ser linear. Enquanto Gabriel Sá desenvolvia uma arte ao vivo utilizando ferramentas da Adobe, os palestrantes compartilharam referências, métodos de trabalho e dúvidas. Eles ainda falaram sobre aprendizados acumulados ao longo de suas trajetórias.
Diretora de criação, palestrante e uma das principais vozes do mercado criativo brasileiro, Bia Lopes Maria destacou a importância da inquietação como combustível para criar. Ela também reforçou que a criatividade não depende apenas de tecnologia. Além disso, destacou que ferramentas sofisticadas não são essenciais.
“Sou uma pessoa completamente incomodada e levo isso para os lugares. Vamos ser pessoas incomodadas sim. Independente da ferramenta que você tem, você pode criar. É só olhar para as pessoas e para as cores ao nosso redor e usar isso como inspiração, afirmou.
Ao falar sobre inteligência artificial, Bia defendeu que o diferencial continua sendo o repertório humano. A criativa também deixou uma mensagem para quem está dando os primeiros passos na profissão.
“A IA é importante, mas precisamos ter mais repertório. A ideia não precisa estar pronta. Tem muitas pessoas que estão começando e está tudo bem. Tudo bem estar no começo.”
Enquanto construía uma ilustração em tempo real, Gabriel Sá compartilhou um pouco de seu próprio processo criativo e da importância de buscar referências além do universo digital.
“Eu ocupo muito o sair da tela, explorar o design de outras formas”, explicou.
Para ele, entender a própria forma de trabalhar é tão importante quanto dominar técnicas e ferramentas. “É muito importante você se conhecer e conhecer os seus processos.” Gabriel também lembrou que todo trabalho criativo faz parte de algo maior. “Fazemos parte dessa engrenagem gigantesca.”
Painel – Como uma ideia nasce?
Na segunda parte do painel, Luiz Buscapé trouxe uma perspectiva mais pessoal sobre sua trajetória até se tornar fotógrafo, videomaker e artista visual. Nascido e criado no Morro da Penha, em Santos, ele compartilhou os desafios de construir uma carreira criativa. Ele explicou que estava em um ambiente onde a arte nem sempre parecia um caminho possível.
“Fui o primeiro da linhagem a trabalhar com arte. De certa forma, foi libertador”, contou.
Ao lado de Bia e Gabriel, Buscapé falou sobre os caminhos, as dúvidas e o caos que fazem parte da descoberta da própria identidade artística. Entre histórias de vida, demonstrações práticas e reflexões sobre criatividade, o painel mostrou que grandes ideias raramente surgem prontas. Elas nascem da observação, das experiências, das trocas e da coragem de começar, mesmo sem ter todas as respostas.
Juicy Creative Lab
O público foi surpreendido com uma novidade que promete movimentar ainda mais a cena criativa da região. Ludmilla Rossi anunciou o lançamento do Juicy Creative Lab. Este é um programa de inclusão produtiva criado para ajudar novos talentos a darem os primeiros passos no mercado criativo.
A iniciativa vai selecionar três jovens para uma jornada de seis meses de aprendizado na prática, trabalhando em projetos reais de conteúdo, design e audiovisual. E o melhor: não é preciso ter experiência anterior para participar. Os selecionados receberão bolsa-auxílio, acesso às ferramentas da Adobe e mentoria ao longo de todo o processo.
“Aqui no Juicy, acreditamos que o talento pode estar em qualquer lugar. Acreditamos que a criatividade é uma ferramenta de transformação”, destacou Ludmilla durante o anúncio.
Além de desenvolver novos profissionais, o programa também vai apoiar projetos de impacto social da Baixada Santista que precisam fortalecer sua comunicação.
Com início marcado para 1º de julho de 2026 o programa Powered by Adobe nasce com a proposta de transformar potencial em oportunidade. Ele busca mostrar que grandes carreiras criativas podem começar com uma única chance.
Mais informações serão divulgadas em breve no Instagram do Juicyhub
As melhores ideias estão onde ninguém está olhando
Stephanie Antonoff compartilhou com o público uma visão de criatividade construída muito além do universo do design. Com passagens por áreas como moda, música, fotografia, publicidade e empreendedorismo, a designer mostrou como experiências diversas ajudam a desenvolver um olhar único e ampliar as possibilidades criativas.
Atualmente Senior Designer na Design Bridge & Partners, Stephanie trabalha com algumas das maiores marcas do mundo. Mesmo assim, sua principal mensagem foi que as melhores ideias raramente surgem quando estamos olhando para os mesmos lugares de sempre.
Para ela, ampliar repertório exige disposição para viver novas experiências, sair da zona de conforto e aceitar que o erro faz parte do processo.
“Sair da bolha, participar de coisas novas, ser vulnerável e errar. Tudo isso muda o nosso olhar criativo sobre as coisas”, afirmou.
Ao compartilhar projetos e aprendizados acumulados ao longo de mais de 15 anos de carreira, Stephanie mostrou como diferentes referências podem se transformar em soluções relevantes para marcas de diferentes segmentos.
“Tento trazer o meu olhar para as marcas”, explicou.
Entre histórias de carreira, bastidores de projetos e reflexões sobre criatividade, a palestra reforçou uma ideia simples, mas poderosa: muitas vezes, aquilo que diferencia um trabalho criativo não é a ferramenta utilizada, mas a soma das experiências, interesses e conexões que cada pessoa carrega consigo.
O que a deficiência pode ensinar sobre criatividade e inovação
Michele Simões levou ao palco uma reflexão sobre como a forma que enxergamos o mundo influencia diretamente aquilo que criamos. Consultora, especialista em Design de Experiência e criadora de conteúdo, ela compartilhou aprendizados construídos a partir de sua vivência como mulher cadeirante. Além disso, falou da observação constante das pessoas, das cidades e dos comportamentos.
Ao longo da palestra, Michele mostrou que muitas das barreiras enfrentadas no dia a dia não surgem pela falta de criatividade ou tecnologia, mas pela ausência de diferentes perspectivas nos processos de criação.
“O mundo não mudou. Eu precisei mudar a forma que vejo o mundo. Meu olhar precisou ficar apurado para tudo”, afirmou.
Segundo ela, essa mudança de perspectiva transformou não apenas a maneira como observa os espaços e as experiências ao seu redor. Mas também mudou a forma como entende inovação e design.
“Troquei a diferença do olhar para o perceber”, explicou.
A palestrante destacou que grandes transformações costumam nascer da capacidade de observar aquilo que muitas vezes passa despercebido. Para Michele, inovar não significa necessariamente criar algo inédito, mas desenvolver sensibilidade para identificar oportunidades que já existem diante de nós.
“Quando a nossa percepção muda, as coisas que criamos também mudam”, destacou.
Ao encerrar a apresentação, deixou uma provocação para o público refletir sobre seus próprios processos criativos.
“O que eu quero que vocês tirem dessa palestra é exatamente isso: a inovação não começa quando criamos algo novo, mas quando percebemos algo que já estava ali.”
Entre histórias pessoais, exemplos práticos e reflexões sobre inclusão, experiência e comportamento, Michele reforçou a importância de ampliar as lentes através das quais enxergamos o mundo. Afinal, quanto mais perspectivas participam da construção das soluções, mais relevantes e humanas elas tendem a ser.
O que as letras dizem sem falar?
Quem passou pela palestra de Jean Rosa dificilmente saiu olhando para as letras da mesma forma. Designer gráfico e type designer, o profissional de Taubaté mostrou que a tipografia vai muito além de organizar palavras em uma página. Ela também comunica personalidade, emoção e identidade.
Ao longo da apresentação, Jean compartilhou um pouco de sua trajetória no universo do desenho tipográfico e explicou como letras podem influenciar a forma como percebemos marcas, produtos, músicas e até filmes.
Com exemplos do cotidiano, ele mostrou que cada fonte carrega características próprias e transmite sensações antes mesmo de lermos o que está escrito. Afinal, uma letra pode ser elegante, divertida, agressiva, delicada ou até provocar desconforto, dependendo da forma como foi desenhada.
Criador da fonte Tijolo e defensor da produção criativa feita fora dos grandes centros, Jean também falou sobre a importância de observar a cultura, os territórios e as referências locais como matéria-prima para o processo criativo.
Entre histórias, exemplos visuais e curiosidades sobre o universo da tipografia, a palestra revelou como o desenho de letras está presente em praticamente tudo o que consumimos. Mais do que uma questão estética, a tipografia ajuda a construir significados, criar conexões e dar voz às mensagens que queremos transmitir.
GenIAlidade tem IA?
Responsável por encerrar a programação da 3ª edição do Juicy Design Meetup, Ludmilla Rossi conduziu uma conversa franca sobre criatividade, inteligência artificial e os desafios de construir uma carreira criativa em um mundo cada vez mais automatizado.
Na palestra “GenIAlidade tem IA?”, a fundadora e CEO do Juicyhub trouxe reflexões inspiradas por sua trajetória de mais de 25 anos na economia criativa e por experiências recentes em eventos internacionais, como a Adobe 99U, em Nova York.
“Esse é um papo para os criativos”, afirmou logo no início da apresentação.
Ao longo da conversa, Ludmilla abordou um sentimento comum para quem trabalha com criação: a sensação de estar sozinho diante das próprias ideias, dúvidas e ambições.
“Quem é criativo deve compartilhar desse sentimento de estar sozinho”, comentou.
Sem tratar a inteligência artificial como vilã ou salvadora, a palestra provocou o público a pensar sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano. Em um cenário onde ferramentas conseguem gerar textos, imagens e vídeos em segundos, o diferencial passa a estar na capacidade de criar significado, conectar pessoas e transformar ideias em movimento.
Ludmilla também chamou atenção para um desafio que vai além da qualidade das ideias.
“Tem um monte de gente com ideias geniais, mas não tem carisma para vender”, destacou.
A reflexão abriu espaço para uma conversa sobre comunicação, influência e a importância de compartilhar projetos com o mundo. Afinal, criatividade não é apenas ter boas ideias, mas também encontrar formas de fazer com que elas cheguem às pessoas.
Misturando provocações, experiências pessoais e uma boa dose de sinceridade, a última palestra do dia deixou uma mensagem clara para o público: em tempos de inteligência artificial, talvez a verdadeira genialidade esteja justamente naquilo que nos torna humanos.
Criatividade fora do palco
Além das palestras, o Juicy Design Meetup também abriu espaço para quem transforma criatividade em produtos, serviços e pequenos negócios. Durante todo o dia, o público curtiu a feirinha criativa do evento, que reuniu artistas, ilustradores, designers e empreendedores da região.
Entre uma palestra e outra, os participantes circularam pelos estandes, descobriram novos projetos, trocaram contatos e apoiaram marcas independentes que fazem parte da economia criativa local. A iniciativa reforçou um dos principais objetivos do evento: criar conexões e gerar oportunidades para quem vive da criatividade.
Ao final de mais de oito horas de programação, a sensação era de que o Juicy Design Meetup já ultrapassou a condição de evento e se consolidou como um movimento. Um espaço onde profissionais experientes, estudantes e pessoas que estão começando suas jornadas criativas podem se encontrar, aprender e construir novas possibilidades juntos.
Depois de reunir mais de mil participantes nas últimas edições, trazer nomes de destaque do mercado nacional e anunciar novos projetos voltados à formação de talentos, o meetup reforça o papel de Santos como um polo criativo em constante crescimento.
E se existe algo que ficou evidente ao longo de toda a programação, é que as melhores ideias continuam surgindo quando pessoas diferentes se encontram para compartilhar experiências, repertórios e sonhos. Que venha a próxima edição.