Terceira pista da Imigrantes cada vez mais perto: em que pé está o projeto?
Será que essa é mesmo a solução para os congestionamentos históricos da serra?
Quem já enfrentou congestionamentos na descida da serra, principalmente em feriados e na temporada de verão, conhece o impacto do trânsito no dia a dia da Baixada Santista. Agora, uma novidade representa um passo importante para melhorar essa ligação: o projeto da terceira pista da Imigrantes acaba de obter Licença Ambiental Prévia.
Foto: Divulgação/Ecovias
O Conselho Estadual do Meio Ambiente aprovou a decisão com base em parecer técnico favorável da CETESB. Dessa maneira, o empreendimento foi considerado ambientalmente viável e pode avançar para as próximas etapas do licenciamento.
Para quem vive em Santos e na região, o assunto vai além da mobilidade. A ligação entre planalto e litoral influencia o turismo, o transporte de cargas e o ritmo econômico local. Portanto, qualquer mudança na Serra do Mar impacta diretamente a rotina da cidade.
Principal porta de entrada para o litoral
Nos últimos 25 anos, o movimento de veículos aumentou mais de 50%. Além disso, os caminhões que seguem para o Porto de Santos utilizam majoritariamente a Via Anchieta.
Com a previsão de crescimento da movimentação portuária para 241 milhões de toneladas até 2040, a infraestrutura atual começa a mostrar sinais de saturação. Dessa forma, a nova pista surge como alternativa para ampliar a capacidade do trecho de serra.
Segundo o projeto, a capacidade total do sistema deve crescer cerca de 25%. No caso específico da descida de veículos pesados, o aumento pode chegar a 145%. Consequentemente, a medida pode reduzir gargalos logísticos e melhorar o fluxo em períodos de maior movimento.
Como será a terceira pista da Imigrantes?
O traçado terá 21,6 quilômetros de extensão, ligando o km 43 da Rodovia dos Imigrantes ao km 265 da Rodovia Cônego Domênico Rangoni, em Cubatão. Assim, o percurso facilita o acesso ao Polo Industrial e às áreas portuárias.
Um dos principais diferenciais do projeto é a inclinação média de 4%, que favorece o tráfego seguro de caminhões. Além disso, a pista poderá ser revertida para o sentido da capital quando houver necessidade.
Outro ponto relevante envolve a engenharia da obra. Cerca de 80% do trajeto será construído em túneis. Ao todo, serão cinco estruturas, somando 17,4 quilômetros. Um deles deve se tornar o maior túnel rodoviário do país, com mais de seis quilômetros.
Essa solução reduz a necessidade de cortes na serra e diminui impactos sobre a Mata Atlântica. Além disso, o projeto prevê túneis paralelos de emergência para reforçar a segurança.
Questões ambientais e medidas de mitigação
Como a obra atravessa a Serra do Mar, uma das áreas mais sensíveis do estado, o processo ambiental exigiu estudos detalhados. O Estudo de Impacto Ambiental avaliou fauna, flora, recursos hídricos e patrimônio histórico.
Durante a análise, a equipe identificou impactos potenciais e propôs 22 programas ambientais. Entre eles estão controle de erosão, gestão de resíduos, monitoramento da fauna e acompanhamento da qualidade da água.
Além disso, o projeto inclui monitoramento de ruídos, controle de emissões, comunicação social e capacitação ambiental dos trabalhadores. Também estão previstas medidas relacionadas ao Parque Estadual da Serra do Mar e ao Parque Perequê.
Audiências públicas ocorreram em São Bernardo do Campo e Cubatão, com participação da sociedade. Dessa forma, o processo buscou garantir transparência e ampliar o debate sobre a obra.
Próximos passos do projeto
A Licença Ambiental Prévia representa apenas uma das etapas. O próximo passo será obter a Licença de Instalação, que autoriza o início das obras. A expectativa aponta para a conclusão dessa fase no segundo semestre de 2026.
Em paralelo, a concessionária deve finalizar o projeto executivo ainda no primeiro semestre do mesmo ano. A certificação técnica também será realizada por empresa credenciada pelo Inmetro.
Somente após essas etapas será possível definir o cronograma de construção. Portanto, a obra ainda não tem data confirmada para começar.
Mas como fica a Baixada nessa história?
Para moradores da Baixada Santista, a terceira pista pode significar viagens mais previsíveis, principalmente em feriados e alta temporada. Além disso, o transporte de cargas mais eficiente tende a influenciar custos logísticos e a economia regional.
Ao mesmo tempo, projetos desse porte exigem acompanhamento constante. Questões ambientais, desapropriações e impactos sociais ainda farão parte do debate público.
A Licença Ambiental Prévia marca um avanço importante. No entanto, o sucesso da iniciativa depende da execução responsável e do equilíbrio entre desenvolvimento e preservação. A terceira pista pode mudar a mobilidade entre capital e litoral.
Mas vale ressaltar que o desafio permanece.
A nova estrutura soluciona os gargalos históricos ou apenas vai acompanhar o crescimento da demanda?