São Vicente tem um projeto social que a Baixada inteira deveria conhecer
A Associação Bora Lá atende 200 crianças por semana no Tancredo Neves — e agora precisa da sua ajuda para continuar acontecendo
Toda semana, diversas crianças e jovens atravessam a comunidade do Tancredo Neves, em São Vicente, e chegam até um espaço onde o contraturno escolar virou outra coisa. Não é só “ocupação de tempo” é ballet clássico, capoeira, reforço escolar, teatro, hip-hop, yoga e artesanato — tudo gratuito, tudo com intenção.

A Associação Bora Lá existe há quase dez anos. E por trás dela, há uma professora de 56 anos que decidiu não esperar ninguém resolver o que ela mesma podia fazer.
“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”
Patrícia cita a música com naturalidade. Não como slogan, mas sim com convicção.
Ela se formou professora depois dos 45 anos e, logo depois, fundou a associação. Hoje, coordena atividades que acontecem de segunda a sexta, das 18h às 21h, e aos sábados de manhã — dentro de uma comunidade que a cidade muitas vezes esquece quando o assunto é cultura e educação.
Uma educação que vai além da sala de aula
O projeto não mira apenas habilidades técnicas. Mira dimensões cognitiva, física, emocional, social e cultural — o que educadores chamam de desenvolvimento baseado nos Quatro Pilares da Educação.
“Nosso objetivo é desenvolver as crianças de forma integral”, explica Patrícia
Assim, quando uma criança entra no Bora Lá para aprender ballet, ela não está apenas aprendendo a posicionar o corpo. Além disso, está sendo apresentada à música clássica, à disciplina, ao palco e, sobretudo, à ideia de que esse mundo também é dela. Ou seja, o projeto não oferece atividade. Oferece pertencimento.
O impacto vai além das crianças
Os números ajudam a dimensionar o que acontece ali. São mais de 1.000 refeições servidas por mês, 50 cestas básicas distribuídas mensalmente e mais de mil pessoas impactadas indiretamente a cada mês — famílias inteiras que dependem da rede de suporte que o projeto representa.

Isso não é pouco para uma associação que funciona sem grandes patrocinadores. Funciona, principalmente, com a teimosia de quem acredita que o território não define o destino.
Segurança alimentar também é parte do projeto
Além das atividades culturais, o Bora Lá oferece segurança alimentar e apoio direto a famílias em situação de vulnerabilidade. Portanto, quando o projeto cresce, quem cresce junto é a comunidade inteira. Da criança que aprende ballet à mãe que recebe uma cesta básica no fim do mês — tudo faz parte do mesmo compromisso.
O chão que falta para o ballet decolar
Existe uma necessidade concreta e urgente: piso adequado para dança e barras de ballet. Pare20ce simples. Contudo, Patrícia explica que não é.
“A arquitetura de um lugar tem total influência sobre os indivíduos”, diz ela.
Assim, um espaço preparado com intencionalidade muda o que as crianças acreditam ser possível para elas.
Por que o piso importa tanto?
Hoje, as aulas de ballet acontecem em um espaço sem o revestimento técnico necessário. Consequentemente, isso limita a segurança dos alunos e compromete o desenvolvimento das habilidades. Mesmo assim, o projeto segue — porque parar não é uma opção que Patrícia considera.
A instalação do piso de linóleo, junto às barras de treinamento, representaria o que ela chama de “salto de qualidade”. Não é obra cara. No entanto, é o tipo de investimento que uma associação comunitária raramente consegue sozinha.
Como você pode ajudar?
Patrícia é direta quando o assunto é apoio:
“Eu sempre sugiro que as pessoas e empresas que têm o desejo de nos ajudar venham conhecer o nosso trabalho primeiro.”
Dessa forma, quem quiser contribuir tem várias formas práticas de fazer isso:
- Voluntariado presencial nas atividades — ou à distância, dependendo do setor
- Doações de alimentos, cestas básicas e material escolar
- Doações direcionadas — como roupas de ballet ou insumos para atividades específicas
- Apoio financeiro para a aquisição do piso e das barras de ballet
- Parcerias institucionais para viabilizar melhorias estruturais
A Baixada Santista tem uma tradição de comunidade que se cuida. A Associação Bora Lá é, portanto, a prova de que isso funciona — e de que ainda tem espaço para mais gente entrar nessa roda.