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Santos prepara novo censo da população de rua na cidade

Último levantamento oficial, de 2019, contabilizou 868 pessoas: 761 nas ruas e 107 em serviços de acolhimento. Depois de uma pandemia e de tantas mudanças, esse retrato precisa ser atualizado

Tempo de leitura: 3 minutos

Olhar com uma lupa minuciosa para o problema das pessoas em situação de rua começa em um ponto importante: saber quem são elas.

Quem caminha pelas vias da cidade nota que essa população faz cada vez mais parte do nosso cotidiano. Será que realmente entendemos quem são, de onde vieram e o que as levou a essa condição? A resposta curta é: não sabemos o suficiente.

Depois de um hiato considerável e um cenário pós-pandemia com a pandemia, a Prefeitura de Santos anunciou um levantamento importante para gerar esse diagnóstico.

Pessoa agachada com mochila e papéis observa indivíduo deitado na rua coberto por papelão e lona azul.

Em uma parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – Campus Baixada Santista, um novo Censo da População em Situação de Rua está começando.

Por que esse levantamento é tão urgente?

O último levantamento oficial, realizado em 2019, parece que aconteceu há toda uma vida atrás. Naquela época, a conta chegou a 868 pessoas (761 nas ruas e 107 em serviços de acolhimento). Mas vamos ser sinceros: o mundo de 2019 é irreconhecível perto de onde estamos hoje. A pandemia de Covid-19, que começou logo em seguida não só alterou a dinâmica econômica, mas empurrou mais gente para a vulnerabilidade extrema.

“O cenário de 2019 já não condiz com a realidade das ruas santistas em 2024. Precisamos de dados atualizados, não para preencher planilhas, mas para desenhar políticas públicas que, de fato, funcionem”, diz Renata Bravo, titular da Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds). 

Mais do que números, é preciso humanidade

O que chama a atenção nessa parceria com a Unifesp é a promessa de não tratar essas pessoas apenas como estatística. A criação de um Grupo de Trabalho (GT) que mistura a expertise da academia com a vivência prática das secretarias de saúde e assistência social, e a inclusão da própria população em situação de rua no processo, talvez sinalize uma mudança de mentalidade.

O professor Diego Taboada da Silva, do curso de Ciências Sociais da Unifesp, já adiantou que o cronograma está sendo traçado. A ideia é que o trabalho comece efetivamente em fevereiro de 2027. As etapas são mapeamento, pré-teste e a aplicação dos questionários. O objetivo final é entregar um relatório em meados de julho e agosto de 2027, mês simbólico para a luta pelos direitos dessa população.

Como pontuou Odair Aguiar Junior, diretor do Campus Baixada da Unifesp, o censo precisa ser um processo de sensibilização. Não adianta só contar quantos são, é preciso entender os “determinantes sociais”, ou seja, o que exatamente está falhando na nossa rede de proteção para que tantas pessoas ainda não tenham um teto.

O desafio de colocar em prática

O desafio de combater a desigualdade social é gigante e exige projetos novos. Em Santos, o plano é juntar as forças de diferentes secretarias para que isso se desenvolva: saúde com a assistência social e a moradia.

A terra da caridade e da liberdade tem um grande coração, mas também tem seus preconceitos. O sucesso desse Censo também depende de como nós, sociedade civil, vamos reagir ao diagnóstico.

O Juicy Santos vai acompanhar esse processo e cobrar medidas da administração municipal pra que o tratamento dessas pessoas seja mais humanizado e digno.

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Juicy Santos
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