Santos ganha Banco Vermelho no Gonzaga, ao lado da Realejo Livros
Inauguração reuniu literatura, música e arte na calçada que virou palco de luta contra o feminicídio
Uma calçada no Gonzaga virou palco na tarde de 22 de agosto. Enquanto a artista Michele Rocha pintava um banco de vermelho ao vivo, quem passava pela Avenida Marechal Deodoro parava para ler frases sobre resistência feminina espalhadas pelo parklet reformado da Realejo Livros.

Foto: Divulgação
O banco chegou para ficar. Ele integra a campanha Feminicídio Zero e representa o terceiro ponto do projeto na cidade, depois de unidades no campus da Unifesp e na quadra da Unidos da Zona Noroeste. No Gonzaga, porém, ele ganhou um diferencial: é o primeiro instalado em via pública da cidade.
Três vozes, três frases, um só recado
A Realejo Livros escolheu três madrinhas para emprestar palavras ao símbolo. Adriana Carranca assina “Ser mulher é resistir e existir”. Eliana Alves Cruz contribuiu com “A vida é o desejo mais ardente de toda mulher”. E Marcia Tiburi, que esteve presente no evento, deixou “O feminismo é o contrário da solidão”.

Na parte de trás do banco, voltada para a avenida, outra mensagem resume a proposta da campanha: sentar, refletir, levantar e agir.
Tiburi também aproveitou a tarde para lançar “Ninfa Morta: uma história do ódio às mulheres”, pela Editora Planeta. A autora encerrou a programação com sessão de autógrafos, depois de discursar sobre o papel do banco como símbolo de resistência.
Livraria, editora e coletivo dividem o palco
O evento marcou ainda um aniversário duplo. A Realejo Livros completou 25 anos de calçada e a Editora Realejo, 20 anos de catálogo. A programação, organizada com o Coletivo Feminista Classista Antirracista Maria vai com as Outras, misturou política e arte.
O Grupo Vozes abriu a tarde com intervenção poética, e o duo Choro de Bolso, formado por Marcos Canduta e Débora Gozzoli, embalou o fim da tarde antes das falas oficiais.
Um símbolo em meio a números que preocupam
A urgência por trás da iniciativa aparece nos dados. Só no primeiro semestre de 2026, 142 mulheres foram mortas por violência de gênero no estado de São Paulo, 10% a mais do que no mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
Diante desse cenário, cada banco instalado funciona como um lembrete fixo em meio à rotina da cidade. Ainda está prevista uma unidade dentro da Autoridade Portuária de Santos, o que deve levar o símbolo também ao território do porto.
Quem passar pelo Gonzaga agora encontra um convite parado na calçada. Sentar naquele banco vermelho é, também, um jeito de dizer que a cidade está de olho.
Em casos de violência contra a mulher, o Disque 180 funciona 24 horas por dia, de forma gratuita.