Residência Arrastão inscreve artistas para performance de dança em Santos
Não é preciso ter experiência em dança, só vontade de participar de uma atividade coletiva e transformadora
Você dança? Tem vontade de criar junto com outros artistas e ainda receber cachê ao final desse processo? Pois anota aí: Santos tem vagas abertas para a residência em dança “Arrastão”, iniciativa que propõe reunir diferentes corpos, identidades e experiências em uma semana de oficinas, ensaios e trocas artísticas com a Cia Etra.
Depois de circular por cidades como São Paulo, Campinas e Araraquara, o projeto desembarca aqui e promete movimentar o cenário cultural da Baixada Santista. E isso vale tanto pra quem se inscrever quanto pra quem curte assistir a apresentações artísticas em espaços públicos.

Ao todo, são 10 vagas para maiores de 18 anos, com inscrições até o dia 21 de fevereiro (sábado). E atenção: não é necessário ser artista profissional (mas, claro, ter uma relação com o corpo, dança ou performance ajuda bastante).
Além de todo o aprendizado, os selecionados participam de seis apresentações e recebem uma remuneração de R$1.000.
A gente explica como funciona o projeto, quem pode participar e o que a Residência Arrastão traz de novo para a cena cultural local.
Experimentar para criar: a onda das residências artísticas
Se você acompanha as novidades da cultura, já deve ter reparado no crescimento das residências artísticas pelo Brasil. A ideia é simples: artistas se reúnem, trocam experiências, aprendem e, juntos, criam algo inédito para apresentar ao público local. Esse formato se diferencia de cursos ou oficinas tradicionais porque privilegia o processo coletivo de construção e o diálogo entre diferentes trajetórias.
Aqui na Baixada Santista, movimentos como esse têm ganhado espaço. O Instituto Procomum, em Santos, por exemplo, já realiza residências colaborativas voltadas ao desenvolvimento de vizinhança, cidadania e criatividade. Já tivemos ações parecidas em teatro e artes visuais, no Ateliê Jiboia, por exemplo.
Esse formato consegue valorizar os talentos da nossa região e criar pontes entre artistas, público e território.
Fotos: divulgação/Cia Etra
O que é a Residência Arrastão
A residência artística Arrastão, organizada pela Cia Etra, vai rolar entre os dias 24 e 28 de fevereiro (terça-feira a sábado), com atividades concentradas no campus Centro da Unifesp, em Santos.
O projeto nasceu com o objetivo de promover a diversidade de experiências e a autenticidade de artistas locais, reconhecendo que a cena cultural da Baixada Santista é marcada por corpos, histórias e poéticas bem variadas. Não à toa, as inscrições priorizam pessoas com deficiência, indígenas, negras, mães solo, pessoas trans e travestis.
Durante cinco dias, os participantes mergulham em oficinas práticas, ensaios e dinâmicas de criação coletiva. O resultado? Uma recriação da performance Arrastão, que desde 2001 vem sendo apresentada em diferentes formatos e cidades pelo país, sempre adaptada aos artistas daquela edição e ao contexto local. E no fim, o público poderá conferir seis apresentações gratuitas em Santos, Cubatão e São Vicente.
O diferencial da residência está no jeito de construir junto: cada participante traz suas referências e histórias, contribuindo para que o espetáculo seja diferente a cada cidade. Os artistas responsáveis pela condução são Ariadne Fernandes, Jandé Potyguara, Tamara Sayumi, Juliana Melhado e Rodney. Cada um compartilha metodologias e práticas desenvolvidas pela Cia Etra, que em 2026 completa 25 anos de trajetória na pesquisa, criação e formação em dança contemporânea.
Impacto social e valorização da dança
Além de reunir diferentes perspectivas artísticas, a residência Arrastão também propõe uma nova forma de pensar o papel da arte na cidade. Ao ocupar espaços públicos com performances acessíveis, o projeto incentiva a circulação de arte fora dos teatros tradicionais e coloca em pauta debates urgentes sobre representatividade, diversidade e direito à cidade.
Outra questão importante é a valorização financeira: a seleção dos participantes será feita em uma aula aberta no dia 23 de fevereiro, e cada pessoa escolhida receberá um cachê de R$1.000 ao final da experiência. Isso permite que artistas locais possam dedicar tempo e energia ao trabalho criativo, independentemente da situação socioeconômica.
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A chegada de Arrastão à Baixada Santista é daquelas boas notícias que combinam arte, diversidade e ocupação do espaço urbano, ingredientes que têm tudo a ver com o território. Para quem dança, é uma chance única de mergulhar em uma criação coletiva, trocar experiências com outros artistas e ainda ser reconhecido com cachê. Para quem frequenta ou vive na cidade, representa a possibilidade de conexão com novas expressões artísticas, com as ruas e os diferentes corpos que aqui estão.