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Quando um Beatle visitou o Guarujá

O primeiro Beatle a pisar em solo brasileiro trocou Liverpool pela Enseada em 1979 — e quase comprou uma casa por aqui

Tempo de leitura: 4 minutos

O que os Beatles, a Baixada Santista e a Fórmula 1 têm em comum? 

O ano era 1979, quase uma década após a separação de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. E a região recebeu a visita de um turista que ajudou a moldar a cultura pop como a conhecemos. 

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Foto: reprodução

A visita de George Harrisson ao Brasil aconteceu por conta do Grande Prêmio de Fórmula 1 em Interlagos.

Harrison, que era amigo próximo do piloto brasileiro Emerson Fittipaldi, aproveitou para curtir uns dias de descanso na casa de praia do parça, na Praia da Enseada.

O astro do rock acabou se apaixonando pelo clima tropical que tanto adorava. E ele, que já tinha casas no Havaí e na Austrália, ficou tão encantado com o Brasil que chegou a cogitar comprar uma propriedade por aqui.

www.juicysantos.com.br - george harrisson no guarujá

Caipirinhas e violões na Enseada

George Harrison não era o tipo de celebridade que fazia alarde. Durante sua estadia no Guarujá, o guitarrista levou uma rotina tranquila: tomava caipirinhas, relaxava na praia e curtia a simplicidade da vida litorânea. Tão apaixonado ficou pela bebida nacional que, anos depois, em uma homenagem a Fittipaldi no SBT, Harrison cantou uma versão de Here Comes The Sun brincando que iria beber 20 caipirinhas.

www.juicysantos.com.br - homenagem george

Foi também durante essa visita ao Brasil que Harrison gravou trechos do clipe de Faster, eternizando sua passagem pelo país. A conexão com o ritmo e a cultura brasileira era genuína. Afinal, para alguém que já havia conquistado o mundo com os Beatles, o Guarujá oferecia algo que dinheiro não compra: paz.

Mais que o guitarrista dos Beatles

George Harrison foi um dos fundadores dos Beatles no início dos anos 1960, em Liverpool. Ao lado de Paul McCartney, John Lennon e Ringo Starr, ele ajudou a criar a banda que se tornaria um fenômeno mundial. Tão famosa que, em determinado momento, Lennon chegou a declarar que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo (e provavelmente eram mesmo).

Harrison, porém, era muito mais que o guitarrista. Ele foi o compositor de clássicos atemporais como Here Comes The Sun e While My Guitar Gently Weeps, músicas que transcenderam a própria banda e se tornaram hinos de gerações.

Em janeiro de 1969, durante as tensas gravações do projeto Let It Be, Harrison saiu temporariamente dos Beatles, frustrado com os rumos da banda e com os conflitos internos. Convenhamos: estar preso num estúdio com pessoas que se odiavam não devia ser fácil. Ele foi convencido a retornar dias depois, mas aquela saída foi um dos primeiros sinais de que o fim estava próximo. A banda rompeu oficialmente em 1970.

A vida pós-Beatles

Após o fim da banda, Harrison trilhou o caminho da carreira solo e lançou sucessos como My Sweet Lord. Sua jornada, no entanto, não foi isenta de dor. Em 1999, ele sofreu um violento ataque em sua casa, levando cerca de 40 facadas e sendo atingido no peito e no pulmão. Sua esposa, Olivia, conseguiu subjugar o agressor, salvando sua vida. Harrison se recuperou, mas alguns especulam que o trauma contribuiu para o câncer que viria a tirar sua vida anos depois.

Seu legado cultural, porém, é indiscutível. Ele sempre será um Beatle. Em 2023, a banda lançou Now and Then, uma música finalizada com ajuda de inteligência artificial, provando que o espírito dos Fab Four ainda ecoa pelo mundo. Paul McCartney segue se apresentando e visitando o Brasil com frequência. Mas o primeiro Beatle a provar nossa caipirinha e a se apaixonar pelo litoral paulista sempre será George Harrison.

E quem diria: entre o Havaí, a Austrália e o Guarujá, o guitarrista quase se tornou nosso vizinho de praia.

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