Quando um Beatle visitou o Guarujá
O primeiro Beatle a pisar em solo brasileiro trocou Liverpool pela Enseada em 1979 — e quase comprou uma casa por aqui
O que os Beatles, a Baixada Santista e a Fórmula 1 têm em comum?
O ano era 1979, quase uma década após a separação de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. E a região recebeu a visita de um turista que ajudou a moldar a cultura pop como a conhecemos.

Foto: reprodução
A visita de George Harrisson ao Brasil aconteceu por conta do Grande Prêmio de Fórmula 1 em Interlagos.
Harrison, que era amigo próximo do piloto brasileiro Emerson Fittipaldi, aproveitou para curtir uns dias de descanso na casa de praia do parça, na Praia da Enseada.
O astro do rock acabou se apaixonando pelo clima tropical que tanto adorava. E ele, que já tinha casas no Havaí e na Austrália, ficou tão encantado com o Brasil que chegou a cogitar comprar uma propriedade por aqui.

Caipirinhas e violões na Enseada
George Harrison não era o tipo de celebridade que fazia alarde. Durante sua estadia no Guarujá, o guitarrista levou uma rotina tranquila: tomava caipirinhas, relaxava na praia e curtia a simplicidade da vida litorânea. Tão apaixonado ficou pela bebida nacional que, anos depois, em uma homenagem a Fittipaldi no SBT, Harrison cantou uma versão de Here Comes The Sun brincando que iria beber 20 caipirinhas.

Foi também durante essa visita ao Brasil que Harrison gravou trechos do clipe de Faster, eternizando sua passagem pelo país. A conexão com o ritmo e a cultura brasileira era genuína. Afinal, para alguém que já havia conquistado o mundo com os Beatles, o Guarujá oferecia algo que dinheiro não compra: paz.
Mais que o guitarrista dos Beatles
George Harrison foi um dos fundadores dos Beatles no início dos anos 1960, em Liverpool. Ao lado de Paul McCartney, John Lennon e Ringo Starr, ele ajudou a criar a banda que se tornaria um fenômeno mundial. Tão famosa que, em determinado momento, Lennon chegou a declarar que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo (e provavelmente eram mesmo).
Harrison, porém, era muito mais que o guitarrista. Ele foi o compositor de clássicos atemporais como Here Comes The Sun e While My Guitar Gently Weeps, músicas que transcenderam a própria banda e se tornaram hinos de gerações.
Em janeiro de 1969, durante as tensas gravações do projeto Let It Be, Harrison saiu temporariamente dos Beatles, frustrado com os rumos da banda e com os conflitos internos. Convenhamos: estar preso num estúdio com pessoas que se odiavam não devia ser fácil. Ele foi convencido a retornar dias depois, mas aquela saída foi um dos primeiros sinais de que o fim estava próximo. A banda rompeu oficialmente em 1970.
A vida pós-Beatles
Após o fim da banda, Harrison trilhou o caminho da carreira solo e lançou sucessos como My Sweet Lord. Sua jornada, no entanto, não foi isenta de dor. Em 1999, ele sofreu um violento ataque em sua casa, levando cerca de 40 facadas e sendo atingido no peito e no pulmão. Sua esposa, Olivia, conseguiu subjugar o agressor, salvando sua vida. Harrison se recuperou, mas alguns especulam que o trauma contribuiu para o câncer que viria a tirar sua vida anos depois.
Seu legado cultural, porém, é indiscutível. Ele sempre será um Beatle. Em 2023, a banda lançou Now and Then, uma música finalizada com ajuda de inteligência artificial, provando que o espírito dos Fab Four ainda ecoa pelo mundo. Paul McCartney segue se apresentando e visitando o Brasil com frequência. Mas o primeiro Beatle a provar nossa caipirinha e a se apaixonar pelo litoral paulista sempre será George Harrison.
E quem diria: entre o Havaí, a Austrália e o Guarujá, o guitarrista quase se tornou nosso vizinho de praia.