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Praia Grande foi a cidade com mais lixo no Réveillon da Baixada Santista

Com 638 toneladas, município concentrou mais de 70% de todo o lixo recolhido na região após a virada

Tempo de leitura: 3 minutos

A virada de ano em Praia Grande trouxe fogos, música e esperança para 2025. No entanto, também deixou um rastro conhecido. Logo após o Réveillon, a limpeza recolheu 638,20 toneladas de resíduos dos 22,5 km de orla. O volume praticamente repetiu o do ano anterior, quando foram retiradas 636,19 toneladas. Ou seja, o problema segue longe de solução.

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Foto: Prefeitura de Praia Grande

A operação de guerra contra o lixo

Pouco depois da meia-noite, mais precisamente duas horas após a virada, a força-tarefa entrou em ação. Ao todo, 578 servidores da Secretaria de Serviços Urbanos se somaram a cerca de 70 trabalhadores temporários. Assim, aproximadamente 650 pessoas atuaram para liberar a praia.

Com tratores, caminhões e rastelos, as equipes trabalharam por nove horas seguidas. Somente às 11h da manhã a operação chegou ao fim. Enquanto isso, o cenário se repetia a cada trecho. Garrafas de vidro, copos plásticos, embalagens e restos de comida cobriam areia e calçadão.

Infraestrutura existe, mas não resolve sozinha

A Prefeitura reforçou a estrutura para a temporada: são 450 caçambas laranja de 1.000 litros distribuídas pela orla, além de mais de 1.500 lixeiras no calçadão. Mesmo assim, o resultado foi decepcionante.

“Não há justificativa para o descarte de lixo em local inapropriado. Além de representar um risco ao meio ambiente, esse descarte pode ser um risco também para as pessoas que frequentam a praia”, alertou Rafael Henrique Rodrigues, diretor do Departamento de Limpeza Urbana da Sesurb.

A conta ambiental e econômica

Praia Grande foi responsável por mais de 70% das 900 toneladas de lixo recolhidas em toda a Baixada Santista após o Réveillon. Santos recolheu 50 toneladas, Mongaguá 100, Guarujá 90, e Itanhaém não divulgou balanço.

Se reciclados adequadamente, esses resíduos poderiam render entre R$ 900 mil e R$ 1,8 milhão para a região, fortalecendo cooperativas e gerando renda para famílias. Mas a realidade é outra: a maior parte segue para aterros sanitários, reduzindo sua vida útil e gerando impactos ambientais como chorume e poluição.

O que vai para o mar não desaparece

Parte desse lixo inevitavelmente chega ao oceano, ameaçando a fauna marinha e contaminando as águas. Tartarugas, peixes e aves marinhas confundem plásticos com alimentos, e os microplásticos já estão presentes em toda a cadeia alimentar.

Nos comentários das publicações do Juicy Praia Grande, a quantidade de lixo na cidade é uma das principais reclamações dos leitores. A frustração é compreensível: a cidade investe em infraestrutura, mas o comportamento de parte dos turistas e moradores não acompanha.

www.juicysantos.,com.br - lixo na praia

Um alerta para 2026

O Réveillon é festa, confraternização e renovação de esperanças. Mas não pode ser sinônimo de destruição. Se Praia Grande quer se consolidar como destino turístico de qualidade  e receber dignamente os mais de 2 milhões de visitantes que a escolhem, é urgente que todos assumam responsabilidade.

Cada garrafa descartada corretamente, cada embalagem que não vai parar na areia, cada gesto consciente é um voto por um litoral mais limpo, sustentável e digno.

A festa é nossa. A praia também. E o futuro, mais ainda.

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