Portuguesa Santista entra em campo no futebol feminino com 3 novas categorias
O time da Vila Mathias anuncia categorias de base femininas. Mais do que montar times, clube quer mudar o jogo para jovens atletas da região
Torcer pela Briosa e passar uma tarde no Ulrico Mursa é das coisas mais santistas que existem. Mas a Portuguesa Santista acaba de fazer algo que vai além da arquibancada: decidiu que as meninas também merecem campo, comissão técnica e sonho grande.
No último Dia Internacional da Mulher (8 de março de 2026), o clube anunciou a criação do seu departamento de Futebol Feminino, com categorias Sub-15, Sub-17 e Sub-20.
Foto: Divulgação/Portuguesa SantistaFaz sentido. Santos é a cidade mais feminina do Brasil, segundo o IBGE. As mulheres representam cerca de 54,6% da população santista. Já estava mais do que na hora de o futebol local refletir isso.
Uma parceria que vem do Guarujá
O projeto nasce em parceria com dois aliados estratégicos: a DNA Carreiras, especializada em desenvolvimento de carreira para atletas, e o Esporte Clube Santa Rosa, clube do Guarujá que já atua com futebol feminino desde 2001.
Os treinos acontecerão nas instalações do Santa Rosa, gerido por Anna Mertinat, com o apoio de Marcio do Pet. Na comissão técnica, o treinador Marcello Onofle assume o comando, profissional com mais de 26 anos dedicados ao futebol feminino. Felipe Ferrari cuida da preparação das goleiras e também dará suporte à gestão do projeto.
Mais do que jogar
O presidente da Portuguesa Santista, Frederico Barreiros, deixou claro que a proposta vai além de simplesmente montar equipes.
“O projeto busca desenvolver talentos, oferecer acompanhamento de carreira e criar um ambiente estruturado para que as jovens possam sonhar alto e alcançar novos patamares no futebol.”
Quem assina junto é Adriana Petrella, fundadora da DNA Carreiras e gerente do futebol feminino de base da Briosa. Para ela, lançar o projeto no 8 de março não foi gesto simbólico. Foi posicionamento.
“Acreditamos profundamente no potencial do futebol feminino como ferramenta de transformação social, inspiração e construção de novas referências para meninas e jovens da Baixada Santista e de todo o Brasil.”
Transformação social com chuteira no pé, esse é o espírito.
A Baixada Santista já tem história no feminino e está crescendo
Santos não chegou atrasada nesse jogo. O Santos FC mantém as Sereias da Vila na elite do futebol feminino brasileiro, na Série A1. O clube já teve em seu elenco Marta, a maior jogadora de todos os tempos, e segue escrevendo capítulos históricos.
Em outubro de 2025, a atacante Ketlen Wiggers se tornou a primeira jogadora do futebol brasileiro a treinar até o oitavo mês de gestação, com total suporte do clube. Um marco que reforça o que a FIFA vem construindo desde 2021: regras que protegem atletas mães, garantem licença-maternidade remunerada e proíbem demissões por gravidez.
O futebol feminino na região não é tendência. É tradição em expansão.
Uma Briosa de 108 anos que ainda surpreende
Fundada em 20 de novembro de 1917 por trabalhadores portugueses, a Portuguesa Santista carrega apelidos e conquistas que fazem parte do DNA de Santos. O nome “Briosa” nasceu nas décadas de 1920 e 1930, época em que o time ganhou fama nos torneios amadores da região. A de que não levava desaforo pra casa.
A história do clube é longa: foi uma das fundadoras da Federação Paulista de Futebol em 1941. Seu estádio, o Ulrico Mursa, foi o primeiro da América Latina com cobertura de concreto. E a Portuguesa foi o primeiro clube santista a revelar um jogador convocado para uma Copa do Mundo, o atacante Tim, que disputou o Mundial de 1938 na França.
Um clube com esse peso histórico entende que crescer faz parte de quem é. Agora, esse crescimento também tem nome feminino.
O campo está aberto
A Baixada Santista tem talento em cada esquina, em cada praia, em cada quadra de bairro. O que faltava, e ainda falta em muitos lugares, é estrutura para que esse talento floresça com dignidade e perspectiva de futuro.
A Briosa entra em campo. E a cidade, que já é majoritariamente feminina, ganha mais um motivo para se orgulhar.