Porto Hack Santos 2026: do desafio ao primeiro estágio
E se o seu próximo estágio começasse antes mesmo de você ter um estágio?
Calma, não é erro de digitação. Também não é promessa de coach no LinkedIn.
É uma competição em que estudantes têm uma jornada de imersão, pesquisa de campo, mentoria e uma maratona de inovação para encarar problemas reais do setor portuário, trabalhar em equipe e transformar tudo isso em uma solução. E, no fim, o time campeão ainda pode sair com uma vaga de estágio para todos os integrantes.
Essa é a lógica do Porto Hack Santos 2026, que chega à sexta edição colocando estudantes frente a frente com desafios que não cabem exatamente naquela clássica apresentação de PowerPoint da faculdade.

Foto: Divulgação / Unlock Films
O hackathon oficial da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (ABTRA) mobiliza universitários da Baixada Santista para desenvolver soluções para desafios reais do Porto de Santos, reunindo pessoas de áreas como negócios, tecnologia, logística, comunicação e comércio exterior.
E, nesta edição, a proposta ganhou uma etapa pra deixar a competição mais interessante. Antes de pensar na solução, os participantes terão tempo para pesquisar o problema e entender o que acontece no mundo real.
As inscrições são gratuitas e seguem abertas até 12 de agosto de 2026, ou até o preenchimento das 60 vagas de times.
Faculdade e o mundo real
Quem já participou de um hackathon costuma dizer que a experiência passa voando. São horas intensas de pesquisa, troca de ideias, testes, apresentações e muito café. No fim, porém, a sensação costuma ser a mesma: aprender em poucos dias o que talvez demorasse meses dentro de uma sala de aula.
É justamente essa ponte entre teoria e prática que fez o Porto Hack Santos crescer ao longo dos últimos anos.
Promovido pela ABTRA e organizado pelo Instituto AmiGU e a plataforma TAKAI, o evento já reuniu mais de 400 estudantes. Cerca de 50 deles conquistaram oportunidades profissionais dentro do ecossistema portuário santista.
Agora, a proposta vai navegar em mares mais profundos.
Em vez de jogar os participantes direto em uma maratona, a edição de 2026 começa com uma semana de imersão e workshops, seguida por uma pesquisa de campo. A ideia é chegar à maratona com evidências na mão, e não apenas com um monte de ideias soltas.
E quem esteve na edição passada sabe que o aprendizado começa muito antes de pensar no prêmio.
Gabriel Fujii, um dos vencedores da última edição, destaca que saber resolver problemas e trabalhar em equipe fez toda a diferença durante a maratona:
“A principal habilidade é resolver problemas. E outra também é trabalho em equipe, porque durante o hackathon a gente tem um tempo relativamente curto.”
Na prática, é justamente isso que diferencia o hackathon de um trabalho convencional de faculdade: não existe um roteiro pronto dizendo qual caminho seguir. É preciso entender o problema, dividir tarefas, ouvir o time e chegar a uma resposta antes que o cronômetro apite.
Além da tecnologia
Quem imagina que o Porto Hack Santos é um evento apenas para quem programa computadores está olhando para o lugar errado.
Em 2026, os participantes podem escolher entre duas trilhas. A Trilha Negócios é voltada para quem quer trabalhar pesquisa, modelo de negócio, experiência do usuário e validação da ideia, sem precisar programar. Já a Trilha Hack é para quem quer colocar a mão no código, desenvolvendo protótipos funcionais com ferramentas, APIs e agentes de Inteligência Artificial.
Sendo assim, as duas trilhas concorrem juntas, têm o mesmo peso e chegam à final na mesma classificação geral.

Foto: Divulgação / Unlock Films
Ou seja: Administração, Comércio Exterior, Marketing, Direito, Engenharia, Tecnologia da Informação, Comunicação e muitos outros cursos encontram espaço na competição.
A lógica é simples: os desafios do mercado também são multidisciplinares.
Segundo Angelino Caputo, presidente-executivo da ABTRA, o objetivo é consolidar o Porto Hack Santos como uma plataforma permanente de inovação aberta, aproximando os novos talentos das transformações que estão acontecendo no comércio exterior brasileiro.
Além disso, a iniciativa fortalece a conexão entre universidades e empresas que fazem parte do dia a dia do Porto de Santos.
O desafio começa antes do cronômetro
Nesta edição, os participantes terão uma missão bastante específica.
O desafio de 2026 é o Censo Inteligente do Comportamento do Importador diante do novo processo de implantação ( NPI ) que gira em torno da DUIMP (Declaração Única de Importação), uma das maiores transformações do comércio exterior brasileiro nas últimas décadas.
A nova realidade muda processos, prazos e decisões e cria uma pergunta que o mercado ainda precisa responder: como os importadores vão se comportar diante dessas mudanças?
É aí que entra a novidade desta edição.
Antes de construir qualquer solução, os times terão uma etapa dedicada à pesquisa de campo. A missão será investigar o comportamento real dos importadores, conversar com profissionais, reunir dados primários e validar hipóteses. Além disso, a proposta também vem para antecipar, prever e entender esse comportamento nos recintos alfandegados.
Depois, entram em cena a criatividade, a colaboração e os recursos de Inteligência Artificial para transformar essas descobertas em uma solução capaz de mapear e prever como diferentes perfis de importadores tendem a agir.
Para preparar os participantes, a jornada também conta com workshops online com certificado, passando por temas como o novo processo de importação, a dor do importador, métodos de pesquisa, Design Sprint e prototipagem com ou sem programação.
Uma maratona que aproxima estudantes e empresas
A jornada acontece em etapas que começam bem antes da maratona. Depois da imersão, dos workshops e da pesquisa de campo, chega a hora de colocar as ideias em prática. Entre os dias 18 e 20 de setembro, os times participam da maratona online, desenvolvendo e submetendo seus projetos com acompanhamento de mentores durante todo o processo.
E não precisa interpretar “maratona” literalmente: a organização prevê descanso durante a atividade. A ideia é desenvolver soluções, não testar quem consegue sobreviver mais tempo sem dormir.
Ao final, os dez melhores times avançam para a grande final presencial, marcada para 22 de setembro.
É nesse momento que as soluções serão apresentadas ao vivo para uma banca formada por profissionais do setor, seguida pela cerimônia de premiação.
Mas, para quem participou da edição anterior, a experiência vai muito além de colocar uma ideia no papel.
Felipe Shinzato resume o que muda quando o problema deixa de ser hipotético:
“Uma coisa é você fazer um trabalho na faculdade ou um projeto próprio. Você vê um problema real fornecido e tem que resolver vários problemas. É realmente algo diferente.”
Foi justamente essa experiência que fez o participante enxergar o hackathon também como uma porta de entrada para o mercado de trabalho. Segundo ele, desde o começo a equipe encarou a competição como uma oportunidade concreta de ganhar experiência.
No Porto Hack Santos, o currículo vai sendo construído enquanto a oportunidade acontece.
Para o currículo!
Nem todo mundo sobe ao pódio. Ainda assim, ninguém termina o Porto Hack Santos exatamente como começou. Todos os participantes terão certificado de participação e certificados dos workshops, além de um portfólio digital na plataforma Sou AmiGU.
Esse portfólio reúne um radar de competências e um readiness score, construídos a partir das avaliações feitas durante a jornada. O material fica visível para empresas associadas à ABTRA, ampliando a possibilidade de conexão com o mercado de trabalho.
E os benefícios não terminam na premiação.
O time campeão terá vaga de estágio, nos termos da Lei 11.788, para todos os seus integrantes em empresas associadas à ABTRA.
Portanto, os participantes que ficarem em segundo e terceiro lugares terão acesso prioritário a eventuais vagas de estágio adicionais, caso empresas associadas disponibilizem oportunidades para o evento. Eles também recebem portfólio digital em destaque e mentoria individual de carreira, com cinco horas por pessoa.
Para Marco Riveiros, CEO do Instituto AmiGU, o Porto Hack Santos deixou de ser apenas uma competição para se tornar um programa de formação de talentos. Nesta edição, a empregabilidade deixa de ser apenas uma possibilidade para o time campeão e passa a fazer parte concreta da proposta da competição.
Aliás, em uma cidade onde o porto movimenta milhões de toneladas todos os anos e impulsiona boa parte da economia local, aproximar estudantes desse universo significa também investir no futuro de Santos e da Baixada Santista.
Quem sabe a próxima grande solução para o comércio exterior brasileiro não começa justamente com uma ideia rabiscada durante um hackathon?
Serviço
Porto Hack Santos 2026
O que é: hackathon oficial da ABTRA, voltado a universitários de qualquer curso
Inscrições: gratuitas até 12 de agosto de 2026 ou até o preenchimento das 60 vagas de times.
Quem pode participar: universitários de qualquer área, em times de 3 a 5 integrantes.
Trilhas: Negócios ou Hack.
Maratona online: de 18 a 20 de setembro de 2026.
Final presencial: 22 de setembro de 2026, em Santos.
Desafio: Censo Inteligente do Comportamento do Importador, com foco na DUIMP.
Prêmio principal: vaga de estágio para todos os integrantes do time campeão em empresas associadas à ABTRA.
Realização: ABTRA.
Organização: Instituto AmiGU.
Plataforma: TAIKAI.
Informações e inscrições: no site oficial :portohacksantos.com.br