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Parque Palafitas: projeto piloto entra em fase final de entrega

Um modelo inédito de reurbanização que pode inspirar outras áreas da Baixada Santista.

Tempo de leitura: 5 minutos

O início de 2026 já tem motivos para ser aguardado ansiosamente por quem vive ou acompanha as transformações sociais em Santos. Isso porque o tradicional aniversário da cidade de 480 anos, celebrado no dia 26 de janeiro, vai marcar uma virada para dezenas de famílias da Vila Gilda, na Zona Noroeste.

Está chegando, a entrega do projeto piloto do Parque Palafitas, uma iniciativa inédita de reurbanização na região — e no Brasil.


Foto: Francisco Arrais e Diego Matos

Para quem mora na Baixada Santista e tem acompanhado de perto os desafios das áreas de palafitas, a expectativa é grande. Além disso, este projeto representa não só novos lares, mas também um passo importante para repensar como a cidade lida com habitação, inclusão e acesso à qualidade de vida.

O que são as palafitas de Santos e por que elas importam?

Quem vive ou circula por bairros como a Vila Gilda sabe que as famosas palafitas fazem parte da paisagem. Entretanto, elas também retratam um desafio ainda presente. Hoje, mais de 20 mil pessoas vivem nessas moradias erguidas sobre áreas alagadas em Santos, principalmente na Zona Noroeste.

As palafitas surgiram como solução de moradia para famílias de baixa renda. No entanto, ao longo das décadas ganharam fama pela precariedade. Além disso, apresentam altos riscos de incêndio, alagamentos, falta de saneamento e dificuldade de acesso a serviços públicos.

Apenas em 2023 mais de 120 famílias precisaram deixar suas casas de palafita por conta de problemas graves de infraestrutura.

Como o programa de reurbanização se diferencia dos projetos anteriores

A discussão sobre o futuro dessas áreas não é nova. Santos já tentou projetos de urbanização antes. Porém, o Parque Palafitas se diferencia por integrar moradia, requalificação ambiental e espaços para comércio e convivência.

Consequentemente, sai o improviso e entra planejamento — num modelo que começa pequeno, mas pode servir de referência para toda a região. O projeto trabalha com foco na preservação do manguezal, criando assim uma relação mais sustentável entre moradia e meio ambiente.

Como será o novo Parque Palafitas em Santos

Agora, a obra do projeto piloto entra na reta final para entrega em janeiro de 2026. Ao todo, 60 famílias da Vila Gilda serão as primeiras beneficiadas com moradias novas em folha.

O conjunto é formado por quatro prédios residenciais de diferentes tamanhos. Esses edifícios são destinados às famílias que viviam nas áreas mais vulneráveis próximas ao canal. Os prédios têm apartamentos com dois quartos, sala, cozinha, lavanderia e banheiro.

Além disso, há também duas áreas com 16 casas térreas acessíveis, projetadas especialmente para quem tem mobilidade reduzida.

Espaços comerciais e de convivência integram o projeto

Mas não para por aí: no mesmo espaço foram erguidos outros dois blocos importantes. Um deles destina-se ao comércio, com sete lojas para pequenos empreendedores locais. Já o outro será sede da associação de moradores, espaço fundamental para organização e defesa dos interesses de quem vive ali.

As obras de fundação, infraestrutura e montagem dos prédios já estão quase finalizadas. No momento, portanto, os trabalhos concentram-se na finalização de portas, pisos cerâmicos, pintura e instalação dos últimos equipamentos hidráulicos e elétricos.

Também já foi feita a reorganização da rede de energia e instalação de novos postes. Além disso, houve o preparo das ruas internas e calçadas com acessibilidade.

O que muda para a região da Zona Noroeste

A entrega do projeto piloto do Parque Palafitas em janeiro vai além da mudança de CEP para quem será contemplado. O programa prevê não só a retirada de moradias precárias sobre o mangue, como também a regeneração ambiental de áreas sensíveis.

Consequentemente, estão sendo criadas praças, áreas de lazer e chamados “respiros”. Esses espaços ajudam na ventilação e colaboram para reaproximar a cidade do manguezal.

Além disso, ao garantir espaços de comércio e convivência, o projeto busca criar oportunidades econômicas locais. Dessa forma, fortalece o senso de comunidade e mantém as famílias próximas de suas redes de apoio.

Impacto esperado para o futuro de Santos

É também uma resposta a um dos maiores desafios urbanísticos da Baixada: oferecer moradias dignas sem expulsar a população para áreas distantes. Para quem vive, trabalha ou frequenta Santos, portanto, acompanhar de perto o andamento desse piloto é fundamental.

Afinal, o que está sendo testado ali pode abrir caminho para novas etapas. Quem sabe, em breve, trazer transformações para outras áreas de palafitas da região. O aniversário da cidade em 2026 pode, desta vez, ser lembrado não só pela celebração, mas por marcar um começo diferente para famílias inteiras da Zona Noroeste.

Vitor Fagundes
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