Parque Ecológico Cotia-Pará volta ao mapa de Cubatão
Mais uma área verde vai reabrir na Baixada Santista
Se, nos anos 1980, alguém te falasse que Cubatão se tornaria um símbolo da preservação ambiental no estado de São Paulo, talvez você nem acreditasse. A cidade já provou ao mundo que é possível renascer, superando o estigma da poluição industrial para se tornar símbolo de recuperação. E, agora, ela escreve um novo capítulo dessa história de resiliência.
O Parque Ecológico Cotia-Pará, fechado desde o início de 2025, volta a respirar com investimentos que prometem devolver à população um contato direto e próximo com a Mata Atlântica. Muito mais do que uma simples reforma, essa reabertura reforça a identidade verde do município e acende a esperança de que espaços públicos de qualidade não podem ser apenas lembranças do passado, mas um direito do presente na vida de quem mora aqui.
Foto: Divulgação
A revitalização toca num ponto sensível da Baixada Santista: a falta de áreas verdes acessíveis e bem cuidadas para a população.
Enquanto outras cidades da região lutam para equilibrar urbanização e preservação ambiental, Cubatão mostra que é possível exigir contrapartidas concretas de grandes empresas. Dessa forma, o projeto, que a petroquímica Braskem banca após aprovação do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), prevê reforma de entradas, novos portões, revitalização de alambrados, recuperação do pórtico principal, melhorias no paisagismo e instalação de um totem informativo. A previsão de entrega é para este mês de fevereiro de 2026.
Como funciona o EIV
O Estudo de Impacto de Vizinhança é um instrumento urbanístico que obriga grandes empreendimentos a avaliar os efeitos de suas operações sobre a qualidade de vida da população do entorno. Além disso, ele define contrapartidas obrigatórias. Na prática, isso significa que a empresa não pode simplesmente se instalar e operar sem devolver nada para a cidade que a recebe.
Portanto, o parque não é um favor da Braskem, mas uma responsabilidade dela com o território onde atua.
E mais: as obras também movimentam a economia local, já que empresas da região participam da execução. Trata-se de um ciclo: a contrapartida ambiental gera empregos, fortalece fornecedores e, ao final, devolve um espaço público de qualidade para a população.
O parque que já teve muitas vidas
Inaugurado em 1992, o Parque Ecológico Cotia-Pará fica na altura do km 56 da Via Anchieta, sentido Baixada Santista, e ocupa uma área de 1,4 mil metros quadrados nos limites da Mata Atlântica. Metade desse espaço é área construída, que a Secretaria de Meio Ambiente de Cubatão administra.
Ao longo dos anos, o parque passou por diversas revitalizações e períodos de fechamento. Ele já abrigou laboratórios, ambulatórios, centro de triagem e até um biotério destinado à criação de roedores usados como alimentação viva para animais silvestres. Contudo, a estrutura foi sendo desativada. Hoje, restam apenas patos próximos à lago. Os demais animais silvestres foram transferidos para outros locais do estado para estudo e preservação.
O fechamento mais recente aconteceu no primeiro semestre de 2025 e se estende até agora. Assim, a revitalização chega como uma oportunidade de recuperar não apenas a estrutura física, mas também o papel do parque como ponto de educação ambiental e lazer para a população.
O que esperar daqui para frente
A obra representa o compromisso da gestão municipal em garantir melhorias por meio de contrapartidas. Há um monitoramento ativo do processo entre poder público e a Braskem, o que aumenta as chances de que o cronograma seja cumprido.
Resta agora torcer para que, desta vez, o parque não volte a fechar as portas pouco tempo depois de reabrir. Afinal, é excelente que o parque ganhe nova vida, mas nada vai adiantar se não existir um plano de manutenção contínua.
Informações de serviço
Parque Ecológico Cotia-Pará
Localização: Km 56 da Via Anchieta, sentido Baixada Santista, Cubatão/SP
Previsão de reabertura: Fevereiro de 2026
Administração: Secretaria de Meio Ambiente, Segurança Climática e Bem-Estar Animal de Cubatão