Parece exaustão, mas pode ser sede. Quantos copos de água você bebeu hoje?
A ciência explica por que um simples copo de água pode ser mais eficiente que a sua terceira xícara de café
Quem mora na Baixada Santista já conhece bem essa armadilha: o sol racha, mas a brisa do mar dá a ilusão de que o calor não está pegando tanto. Aí chegaram às 14h e a última gota d’água consumida foi no café da manhã.
Todo ano, no dia 22 de março, a ONU escolhe um tema para chamar atenção para o assunto. Em 2026, o tema é “Água e Gênero”, com o slogan “Onde a água flui, a igualdade cresce”. A gente fala mais sobre isso adiante. Mas primeiro, o foco é mais íntimo: a água que cada um coloca (ou não) dentro do próprio corpo.

A data existe desde 1993, criada pela ONU — e sugerida em 1992, durante a Eco-92, que aconteceu no Rio de Janeiro. A ideia é reservar pelo menos um dia por ano para discutir a importância da água para a sobrevivência de todos os seres vivos, para o uso sustentável dos recursos hídricos e para a preservação dos ambientes aquáticos.
Água e gênero: uma desigualdade que poucos veem
Em 2026, o tema do Dia Mundial da Água traz à tona algo que muita gente desconhece: a escassez de água afeta as mulheres de forma muito mais intensa do que os homens. Em grande parte das comunidades mais vulneráveis, são elas que caminham quilômetros para buscar água, gerenciam o uso doméstico e cuidam das crianças que adoecem por falta de saneamento.
A falta de água potável e de saneamento básico é um problema de saúde pública. Mas é também um problema de equidade.
Aqui mora um dos maiores paradoxos do Brasil: o país tem a maior reserva de água doce do planeta, o maior rio em volume do mundo e aquíferos gigantescos como o Guarani. Mesmo assim, 33 milhões de brasileiros não têm acesso à água potável — mais de 15% da população.
Santos, por sua vez, está na contramão disso. De acordo com ranking recente do Instituto Trata Brasil, a cidade ocupa a quarta posição entre as 100 maiores cidades do país em saneamento básico, subindo quatro posições em relação ao ano anterior. O estudo avalia nível de atendimento, melhoria e eficiência — e Santos obteve nota máxima nas três categorias.
O que acontece com o corpo quando falta água?
O corpo humano adulto é composto por aproximadamente 60% a 70% de água. O cérebro chega a 75%. Sangue, músculos, rins, pele — tudo funciona com base nesse recurso que a maioria das pessoas consome abaixo do necessário.
A desidratação começa de forma discreta: dor de cabeça, cansaço, dificuldade de concentração, pele ressecada. Aquele dia em que o pensamento não flui pode ter uma causa bem simples — falta de água.
Estudos mostram que perder mais de 4% da água corporal já provoca sintomas claros de desidratação. Uma perda acima de 15% pode ser fatal. Sem água, a sobrevivência humana é quatro vezes menor do que sem comida.
A água tem funções que vão além da sede:
- Temperatura corporal: controla o suor e evita o superaquecimento — especialmente importante no verão da Baixada;
- Circulação: deixa o sangue mais fluido e ajuda a manter pressão arterial e frequência cardíaca;
- Digestão: dissolve nutrientes e facilita a absorção pelo organismo;
- Função cerebral: transporta nutrientes para o cérebro e mantém a cognição ativa;
- Eliminação de toxinas: os rins precisam de água para filtrar o sangue e produzir urina.
Ok, mas quanto beber por dia, afinal?
Todo mundo conhece o clichê dos “2 litros por dia”. A OMS usa essa média para adultos. A National Academy of Medicine recomenda 3,7 litros para homens e 2,7 litros para mulheres — incluindo a água presente nos alimentos.
A conta mais personalizada: 35 ml por quilo de peso corporal para adultos entre 18 e 55 anos. Portanto, uma pessoa de 70 kg precisa de cerca de 2,45 litros por dia. Com exercício físico, exposição ao sol ou altas temperaturas, esse número pode chegar a 3,5 ou 4 litros.
Existe ainda um detalhe importante: a sede é um sinal tardio. Quando ela aparece, o corpo já está em déficit. A recomendação é não esperar — especialmente em dias quentes ou durante atividades físicas.
Cuidado com a hidratação começa pelo acompanhamento certo
Manter a hidratação adequada parece simples, mas nem sempre é. Sinais como cansaço frequente, dores de cabeça recorrentes ou pele ressecada podem indicar que o corpo está operando abaixo do ideal — e isso interfere diretamente em condições como pressão arterial, função renal e desempenho cognitivo.
A Trasmontano Saúde, com mais de 93 anos cuidando da saúde da população da Baixada Santista, reforça que a hidratação é um dos pilares básicos do cuidado com o corpo. Portanto, se você tem dúvidas sobre suas necessidades individuais, conversar com um médico é o melhor caminho. A operadora oferece acesso a consultas e acompanhamento que ajudam a entender o que o seu corpo pede — e o que ele está sentindo falta.
Um risco que veio para ficar
Com as mudanças climáticas intensificando as ondas de calor no Brasil, a desidratação deixou de ser um risco sazonal para se tornar cotidiana. O Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul já recomendou, em 2025, atenção especial ao monitoramento de sinais de desidratação durante eventos de calor extremo.
Os grupos mais vulneráveis continuam sendo crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas — justamente quem depende de outras pessoas para lembrar de beber água.
Então pega a garrafa agora e bebe. Sem esperar a sede. E enquanto faz isso, lembre que essa é uma das maiores desigualdades silenciosas do Brasil — tem gente que quer beber e simplesmente não pode.