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Onde tomar a vacina contra o sarampo em Santos

Estado de SP já tem até agora 23 casos confirmados em 2026. Entenda a recente volta do sarampo no Brasil e onde se vacinar para proteger a si mesmo, sua família e sua cidade

Tempo de leitura: 11 minutos

Não, esta não é uma manchete de 2015.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) declarou o Brasil livre do sarampo em 2016, após o país zerar a transmissão endêmica e passar dois anos sem casos autóctones. Mas dez anos depois, uma das doenças mais contagiosas que existem volta assustar, graças aos focos de transmissão no estado de São Paulo.

Em ambientes fechados, em que o vírus resiste até 2 horas, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para 90% dos não vacinados.

Profissional de saúde aplicando vacina ou injeção no braço de paciente com luvas azuis em ambiente clínico.

Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que só é possível manter o sarampo sob controle quando pelo menos 95% da população está imunizada com duas doses de vacina, o que muitos países, inclusive o Brasil, deixaram de atingir nos últimos anos.

Por que o sarampo voltou?

Entre 2000 e 2018, campanhas de imunização salvaram cerca de 23 milhões de vidas no mundo e levaram diversos países a declarar a eliminação da doença, o que criou a falsa sensação de que o sarampo era coisa do passado.

Só que, nos dois anos seguintes, o mundo inteiro regrediu para registrar os maiores números de sarampo em mais de uma década, com quase 10 milhões de infecções e mais de 140 mil mortes apenas em 2018, principalmente entre crianças.

Depois da pandemia de COVID-19, a situação ficou ainda pior. Em 2023, os casos globais subiram de 8,6 milhões para 10,3 milhões, um aumento de 20%. Tudo porque milhões de crianças deixaram de receber imunização de rotina.

Em 2024, foram quase 11 milhões de casos e surtos em pelo menos 59 países! No entanto, no mesmo ano, a Opas devolveu ao Brasil o certificado de eliminação da doença, pois não havia mais circulação endêmica e apenas lidava com casos “importados” ou ligados a viagens internacionais

A história recente mostrou o quanto os sistemas de vacinação retrocederam com fatores como o movimento antivacina. Mesmo com décadas de evidência sobre eficácia e segurança de vacinas como a tríplice viral, grupos alinhados à extrema direita reproduzem discursos de desconfiança, relativizam campanhas e transformam vacinação em guerra cultural, como na época da COVID-19.

Em locais onde esses discursos ganham mais espaço, a cobertura cai, surgem “bolsões” de não imunizados e doenças que estavam sob controle, como o sarampo, retornam.

É o que vem acontecendo nos Estados Unidos, que assistem ao seu pior surto de sarampo desde que o país declarou a eliminação da doença em 2000. O número de doentes é o maior desde o início dos anos 1990, com mais de 2.400 casos até julho de 2026, com transmissão contínua e dezenas de surtos espalhados pelos estados.

O sarampo não vai desaparecer sozinho

Voltando para 2026.

Você deve ter visto notícias e influenciadores de saúde, como Átila Iamarino, Mari Krueger e Dráuzio Varella alertarem sobre o sarampo nas redes sociais.

Pelo menos 23 casos já foram confirmados neste ano (até o início de agosto) em território paulista.

Foram sete novas infecções em menos de sete dias e uma cadeia de transmissão relacionada à importação do vírus em cidades da região metropolitana, como São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos. Desse total, 16 pacientes não tinham histórico de vacinação ou apresentavam esquema incompleto da vacina tríplice viral.

Por causa disso, o Ministério da Saúde e o governo do estado de SP decidiram lançar uma campanha de multivacinação para tentar fechar rapidamente os “buracos” de cobertura vacinal antes que o vírus se espalhe para outras regiões, incluindo a Baixada Santista.

Os dados oficiais mostram que a cobertura da tríplice viral em São Paulo está muito abaixo da meta: cerca de 77,5% das crianças receberam a primeira dose e apenas 65,5% tomaram a segunda, quando o ideal seria que 95% estivessem com o esquema completo.

Nas cidades que tiveram casos em 2026, as coberturas já foram superiores a 90% há poucos anos, o que ajuda a explicar por que o vírus conseguiu encontrar um ambiente favorável para circular novamente.

Por essa razão, o Ministério da Saúde recomendou vacinar de forma indiscriminada todas as pessoas de 6 meses a 59 anos de idade em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, durante a Campanha de Multivacinação de agosto.

Em paralelo, o governo estadual lançou uma campanha de multivacinação em todos os 645 municípios paulistas, voltada principalmente a crianças e adolescentes menores de 15 anos, para atualizar o calendário de várias vacinas, incluindo a tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola).

Vale um adendo aqui: pessoas imunossuprimidas (com doenças autoimunes) ou maiores de 60 anos não podem se vacinar. Então, elas dependem de toda a população elegível para ajudar a conquistar a chamada “imunidade de rebanho”.

Santos sem casos, mas em alerta

A cidade não registra casos de sarampo desde 2020, mas está em estado de atenção diante da confirmação de casos na capital e na Grande São Paulo, porque muita gente transita entre essas localidades.

Entre janeiro e maio deste ano, a cobertura vacinal em Santos chegou a 87,95% para a primeira dose e 77,51% para a segunda, em crianças menores de 2 anos, ou seja, índices melhores que a média estadual, mas ainda abaixo da meta ideal de 95% em duas doses.

No mesmo período de 2025, a cidade havia atingido 98,06% na primeira dose e 84,20% na segunda, o que mostra uma queda recente que a vigilância municipal tenta contornar.

Onde receber a vacina do sarampo em Santos

Neste mês de agosto, a Prefeitura leva vacinação para finais de semana, com postos itinerantes em praças e na orla:

  • 15/08 (sábado), das 10h às 16h, na Praça Augusto Ferreira Lamego (Zona Noroeste)
  • 22/08 (sábado), das 9h às 16h, no “Dia D” nacional, com estruturas na Praça das Bandeiras e em seis policlínicas (Aparecida, Campo Grande, Conselheiro Nébias, Nova Cintra, São Manoel e Rádio Clube)
  • 23/08 (domingo), das 10h às 13h30, na Avenida Bartolomeu de Gusmão, em frente à Igreja do Embaré, dentro do projeto “Vem pra Orla”.

Santos mantém campanha perene de multivacinação para atualização da carteira de vacinação, com oferta de doses contra o sarampo em todas as 36 policlínicas da cidade, de segunda a sexta, das 9h às 16h.

Endereços das policlínicas para tomar a vacina em Santos

  • Policlínica da Alemoa e Chico de Paula – R. Afonsina Proost de Souza, s/nº, Alemoa. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Aparecida – Av. Pedro Lessa, 1728. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Areia Branca – Rua Francisco Lourenço Gomes, 118. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Bom Retiro – Rua João Fraccaroli, s/nº. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Campo Grande – Rua Carvalho de Mendonça, 607. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Caneleira – Rua Adriano de Campos Tourinho, 705 – Santa Maria. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Caruara – Rua Andrade Soares, s/nº – Área Continental. Horário: segunda a sexta, das 7h às 19h, e sábado, das 9h às 15h30.
  • Policlínica Castelo – Rua Francisco de Barros Melo, 184. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Conselheiro Nébias – Av. Conselheiro Nébias, 457. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Embaré – Praça Coronel Fernando Prestes, s/nº. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Estuário – Av. Afonso Pena, 541. Horário: segunda a sexta, das 7h às 19h.
  • Policlínica Gonzaga – Rua Assis Correia, 17. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Ilha Diana – Avenida Principal, s/nº. Horário: segunda a sexta, das 8h30 às 16h30.
  • Policlínica Jabaquara – Rua Vasco da Gama, 32. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Pompeia / José Menino – Rua Ceará, 11, Pompeia. Horário: segunda a sexta, das 7h às 19h.
  • Policlínica Marapé – Rua São Judas Tadeu, s/nº. Horário: segunda a sexta, das 7h às 18h.
  • Policlínica Martins Fontes – Rua Luiza Macuco, 40, Vila Mathias. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Monte Cabrão – Av. Principal, s/nº – Área Continental. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Monte Serrat – Praça Correa de Melo, s/nº. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Morro José Menino – Rua Doutor Carlos Alberto Curado, 77 A. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Morro Santa Maria – Rua 10, s/nº – Morro Santa Maria. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica e Pronto Atendimento Nova Cintra – Rua José Ozéas Barbosa, s/nº. Horário: segunda a sexta, das 7h às 19h como policlínica; das 19h às 7h (segunda a sexta) como pronto-atendimento; 24h aos sábados, domingos e feriados.
  • Policlínica Penha – Rua Três, 150. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Ponta da Praia – Praça 1º de Maio, s/nº. Horário: segunda a sexta, das 7h às 19h.
  • Unidade de Cuidado do Porto – Rua General Câmara, 507, Paquetá. Horário: segunda a sexta, das 7h às 19h.
  • Policlínica Rádio Clube – Av. Hugo Maia, s/nº. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica São Bento – Rua das Pedras, s/nº. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Santa Maria / São Jorge – Rua Maestro Antônio Garofalo, 682 – Santa Maria. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica São Manoel – Praça Nicolau Geraigire, s/nº. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Piratininga – Praça João de Moraes Chaves, s/nº. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Valongo – Rua Prof. Maria Neusa Cunha, s/nº, Saboó. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Vila Gilda – Av. Brigadeiro Faria Lima, 1281. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Vila Mathias – Rua Xavier Pinheiro, 284, Encruzilhada. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Vila Nova – Praça Iguatemi Martins, nº 29/36. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.
  • Policlínica Vila Progresso – Rua Três, casas 1 e 2 – Vila Telma – Morro Vila Progresso. Horário: segunda a sexta, das 7h às 17h.

Para se vacinar, apresente documento com foto, CPF e a caderneta de vacinação, se tiver.

Quem deve se vacinar

A Secretaria de Saúde segue o Calendário Nacional de Vacinação: primeira dose da tríplice viral aos 12 meses e segunda dose da tetra viral aos 15 meses, que protege contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela.

Pessoas de 5 a 29 anos devem ter duas doses registradas, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas; já quem tem de 30 a 59 anos precisa comprovar ao menos uma dose da tríplice viral. Adolescentes e adultos não vacinados ou com esquema incompleto são orientados a iniciar ou completar a proteção conforme indicação do Programa Nacional de Imunizações, exatamente para evitar a formação de “bolsões” de pessoas suscetíveis na cidade.

Sinais de alerta do sarampo

Santos ligou o radar para a detecção precoce com notificação imediata, adotando medidas de prevenção rápidas e observando tanto a rede pública quanto particular de saúde.

A Secretaria de Saúde de Santos orienta que qualquer pessoa com febre alta, tosse seca, coriza, olhos vermelhos e manchas vermelhas pelo corpo procure imediatamente o atendimento médico mais próximo.

É necessário informar possível contato com pessoas doentes ou viagem recente para locais onde há circulação do vírus, pois isso ajuda a vigilância a identificar se há risco de caso importado e a agir rapidamente.

Frente a uma doença tão contagiosa, vacinar não é só decisão individual ou liberdade de escolha. É pacto coletivo para proteger todo um território.

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