Novo CT do Santos em São Vicente: o que cabe em 700 mil metros quadrados?
Novo centro de treinamento da base santista entra no mapa da Área Continental, enquanto estudo ambiental, Ministério Público e movimentos ambientais levantam perguntas sobre o futuro da área
A Área Continental de São Vicente aparece cada vez mais nas conversas sobre o futuro da cidade. E não é difícil entender o motivo.
É naquele espaço que se concentra boa parte da expansão urbana da cidade. Ao mesmo tempo, a região recebe projetos de mobilidade, novos investimentos e planos que pretendem transformá-la em um novo eixo de crescimento.
Até aí, tudo certo. O detalhe é que a Área Continental não começou a existir agora porque alguém colocou “desenvolvimento” em uma apresentação de PowerPoint.
Manguezais, rios, Mata Atlântica e áreas de preservação permanente já fazem parte daquele território. Além disso, ele ainda guarda importantes remanescentes naturais.
Agora, cerca de 700 mil m² desse tesouro ecológico entraram nos planos de um clube de futebol.
Foto: Divulgação/Prefeitura de São Vicente
O Santos Futebol Clube incorporou a área ao patrimônio para construir o futuro Centro de Treinamento das categorias de base. Para viabilizar o negócio, o time negociou com a Saint-Gobain, antiga proprietária do terreno, em uma operação que envolveu propriedades comerciais e espaços de publicidade. A Prefeitura de São Vicente também participou dessa articulação.
A princípio, o clube e a administração municipal comemoraram o anúncio como “mais um passo para o desenvolvimento da Área Continental”.
Só que, enquanto a notícia fazia a alegria de quem pensa em novos campos, estrutura e futuros meninos da vila, outra torcida começou a prestar atenção no gramado.
Pessoas e organizações que acompanham as questões ambientais da Baixada Santista passaram a questionar os possíveis impactos do empreendimento.
E foi aí que o novo CT ganhou uma segunda partida para jogar: além do futebol, entrou em campo o meio ambiente.
Até aqui, dá para montar o quebra-cabeça. Mas algumas peças ainda estão espalhadas por São Vicente.
A Frente Contra o Desmatamento passou a questionar os possíveis impactos da implantação do CT na região. O grupo afirma que não é contrário à construção de um centro de treinamento para o Santos FC.
Segundo a Frente, a preocupação está no local escolhido e nas consequências de uma intervenção de grande porte.
Enquanto isso, o Ministério Público de São Paulo notificou o Santos, a Saint-Gobain e a Prefeitura para pedir esclarecimentos sobre a área. O ofício também questiona a presença de áreas de preservação permanente no terreno.
Com isso, a discussão ainda está em jogo.
Longe de começar a sair do papel, o projeto precisa passar por etapas ambientais, urbanísticas e de licenciamento antes de qualquer obra.
Segundo a Prefeitura de São Vicente, a Saint-Gobain elabora um EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental – EIA e Relatório de Impacto Ambiental – RIMA) com conclusão prevista para abril de 2027. O município afirma que a empresa custeará integralmente o levantamento.
Além disso, a Prefeitura garante que nenhum projeto avançará para análise sem os estudos ambientais exigidos.
A área que entrou no mapa do Santos FC
Em 21 de agosto de 2026, o Santos FC oficializou a aquisição de aproximadamente 700 mil m².
O terreno fica na Avenida Vereadora Angelina Pretti da Silva, na Área Continental de São Vicente. Segundo o clube, a propriedade dará lugar ao futuro centro de treinamento das categorias de base.
O Santos afirma que a operação não exigiu desembolso financeiro. Em troca da área, o clube ofereceu propriedades comerciais e espaços de publicidade à Saint-Gobain.
Para a imprensa, o presidente do Santos FC, Marcelo Teixeira, classificou a aquisição como um passo importante para ampliar e modernizar a infraestrutura das categorias de base.
A Prefeitura também apresentou a negociação como parte do processo de desenvolvimento da Área Continental. Em comunicado oficial, o secretário de Desenvolvimento Urbano, Alexsandro Ferreira, relacionou o interesse privado à expansão da infraestrutura e da mobilidade na região. Além disso, cita a expansão do VLT, que prevê quatro novas estações na Área Continental: Ponte Nova, Quarentenário, Rio Branco e Terminal Samaritá.
O discurso é de crescimento. Mas essa suposta expansão não acontece em um território vazio.
A própria Prefeitura reconhece a riqueza ambiental da Área Continental, que reúne manguezais, rios, cachoeiras e mata atlântica. Com isso, a chegada do CT colocou o projeto esportivo dentro de uma discussão ambiental maior.
700 mil m² não significam 700 mil m² de campos
Sim, o tamanho da área impressiona.
Para colocar a dimensão em perspectiva, 700 mil m² equivalem a cerca de 70 hectares ou 98 campos de futebol oficiais. Se a gente fosse comparar com uma escala de cidade, seriam 70 quarteirões de 10.000 m² cada. Ou seja, praticamente um bairro de pequeno porte em cidades como as nossas na Baixada Santista.
Isso, porém, não significa que todo o terreno poderá receber construções. A Prefeitura afirma que informações preliminares do clube indicam uma possível ocupação de até 30% da propriedade.
Na conta simples, isso representa aproximadamente 210 mil m².
Os outros 70% permaneceriam fora da ocupação indicada atualmente. Só que o primeiro cartão amarelo aparece aqui: esse percentual ainda não está definido.
A própria Prefeitura ressalta que o estudo ambiental e o processo de licenciamento ainda precisam confirmar a ocupação.
Também não existe, neste momento, um projeto público detalhado mostrando onde ficarão campos, alojamentos, estacionamentos, centro médico, estruturas administrativas ou outras instalações.
Segundo o município, o Santos FC ainda deverá apresentar um projeto concreto.
O clube, por sua vez, informou que trabalha na estruturação de um fundo de investimento específico para financiar a implantação do complexo esportivo.
Ou seja, existe uma área definida. Porém, o desenho do CT ainda está em construção.
Antes do futebol
A Área Continental não funciona apenas como uma reserva de espaço para novos empreendimentos.
Estudos ambientais apontam a presença de vegetação de Mata Atlântica, restingas e manguezais na área continental.
Um plano de manejo da APA Marinha do Litoral Centro aponta que os manguezais da Área Continental de São Vicente apresentam bom estado de conservação e baixa taxa de ocupação urbana.
Além disso, o documento identifica o manguezal do Rio Piaçabuçu como parte de uma conexão ambiental entre os parques estaduais Xixová-Japuí e Serra do Mar.
E esse é uma das principais preocupações da Frente Contra o Desmatamento.
Gabriel Tosello, professor e integrante do movimento, afirma que a região reúne um bioma que cumpre funções ecológicas que ultrapassam os limites do terreno.
Para ele, uma eventual intervenção precisa considerar a conexão entre esses ambientes.
“Se querem construir um CT, que se faça em áreas já degradadas”, defende.
A frase resume a principal posição da Frente. O grupo não questiona a existência de um CT para o Santos. Questiona, porém, se uma área ambientalmente sensível deveria receber um empreendimento dessa dimensão.
No entanto, existe uma diferença entre a preocupação e aquilo que os estudos já comprovaram.
Ainda não existe um estudo ambiental concluído capaz de determinar exatamente quais formações vegetais sofreriam impactos com o projeto. Esse seria o papel do EIA/RIMA.
Mangue, peixe e uma pergunta que ainda não tem resposta
A discussão ambiental não termina nas árvores.
Manguezais e estuários têm funções importantes na reprodução e alimentação de diversas espécies aquáticas. E São Vicente possui atividade de pesca artesanal, o que faz com que espécies como robalos, tainhas e paratis sejam parte da fauna existente nas águas do município.
A Frente afirma que a alteração desses ecossistemas pode afetar a dinâmica ecológica e, consequentemente, atividades como a pesca.
Gabriel também defende que o terreno precisa ser analisado como parte de um sistema ambiental maior.
O impacto específico sobre os ecossistemas aquáticos e sobre a atividade pesqueira vai passar por avaliação técnica, já que a Prefeitura afirma que os efeitos sobre o entorno integram o conteúdo obrigatório do EIA/RIMA.
Mas há uma pergunta concreta esperando pelo estudo:
Qual será o efeito da implantação do CT sobre os sistemas de drenagem, os cursos d’água, os manguezais e os ambientes que sustentam a fauna aquática da região?
Por enquanto, ninguém tem essa resposta.
E se a natureza disser “até aqui”?
O EIA/RIMA pode se tornar o documento mais importante dessa partida.
A Prefeitura afirma que o prefeito Kayo Amado estabeleceu, desde as primeiras tratativas, que qualquer projeto para a área só entraria em análise acompanhado do estudo ambiental necessário, que já está em andamento e tem conclusão prevista para abril de 2027.
Segundo o município, o documento servirá para delimitar as áreas de preservação permanente e a vegetação existente na propriedade.
A Prefeitura também foi categórica ao responder a uma das principais preocupações:
“As áreas caracterizadas como de preservação permanente (APP) serão integralmente preservadas, sem qualquer hipótese de ocupação.”
O município, porém, ainda não divulgou quantos metros quadrados da propriedade são considerados APP. Também não estão definidos publicamente todos os pontos onde existe vegetação protegida.
Essas informações dependem da análise técnica. E existe mais uma questão.
O resultado do estudo pode mudar o projeto do CT do Santos FC em São Vicente?
A Prefeitura afirma que supressão de vegetação, impermeabilização do solo, alterações na drenagem e efeitos sobre o entorno entrarão na avaliação técnica.
O Juicy Santos questionou o município sobre a possibilidade de reduzir estruturas ou impedir determinadas intervenções, caso os estudos apontem impactos ambientais significativos.
A resposta enviada não tratou diretamente dessa possibilidade.
O município afirmou que qualquer obra deverá cumprir integralmente a legislação ambiental e as condicionantes do licenciamento.
Mesmo que a declaração oficial esclareça uma parte do questionamento, será preciso acompanhar de perto se a lei será cumprida e até onde o resultado do estudo pode obrigar o projeto a mudar.
A emergência climática mais uma vez entra nessa conta
O debate sobre drenagem dessa zona da cidade não chega junto por acaso.
Grandes áreas impermeabilizadas alteram a forma como a água da chuva circula pelo território. Por isso, o EIA/RIMA deverá analisar justamente esse impacto.
Gabriel chama atenção para uma questão social. Ele aponta que os efeitos das mudanças climáticas não atingem todas as pessoas da mesma maneira.
“Quem geralmente perde todos os seus pertences numa chuva qualquer?”, questiona.
A provocação faz parte do argumento da Frente de que decisões sobre grandes empreendimentos precisam considerar também quem vive nas áreas mais vulneráveis.
Novamente, é preciso separar preocupação de conclusão. Ainda não se tem certeza se a obra provocará alagamentos.
O que existe é uma área de grande dimensão, um projeto ainda não definido e a obrigação de avaliar os efeitos da impermeabilização e da drenagem antes da autorização.
Como São Vicente está construindo um plano para lidar com o clima
Assim como muitas cidades no país, São Vicente já desenvolve iniciativas para entender seus próprios riscos climáticos.
O próprio PPA 2026-2029 de São Vicente registra convênios com universidades para elaborar o Plano de Justiça Climática e o Observatório de Justiça Climática. Essa parceria serve para produzir ferramentas para apoiar políticas públicas de adaptação às mudanças climáticas, construir um Plano de Ação Climática para o município e identificar riscos e problemas ambientais em diferentes regiões da cidade.
Só que, enquanto São Vicente se move para entender e se adaptar aos riscos climáticos, um empreendimento de grande porte começa a ser planejado em uma região ambientalmente sensível.
Desenvolvimento é o ponto da discussão
A palavra “desenvolvimento” aparece várias vezes em conteúdos publicados nas redes sociais oficiais da prefeitura e do clube sobre o CT do Santos FC em São Vicente.
Enquanto a primeira associa a chegada do Santos com um processo de “crescimento” da Área Continental, o time da Vila Belmiro enxerga a oportunidade de modernizar sua estrutura de formação de atletas, que é uma das meninas dos olhos do clube.
Para Gabriel, entretanto, é preciso discutir quem se beneficia desse desenvolvimento.
“Primeiro, desenvolvimento para quem? Para que classe?”, questiona.
A Frente entende que grandes empreendimentos privados não devem receber automaticamente o selo de progresso. Para o coletivo, São Vicente precisa buscar alternativas econômicas capazes de gerar emprego e renda sem ampliar a pressão sobre áreas naturais.
Gabriel cita propostas como Tarifa Zero e mudanças na jornada de trabalho como exemplos dessa visão. Essas propostas fazem parte da agenda política da Frente e vão além da discussão sobre o CT, porque “desenvolvimento” pode assumir significados diferentes.
Para a Prefeitura, o novo CT se insere em uma Área Continental em transformação.
Para a Frente, essa transformação precisa respeitar limites ambientais e sociais.
E o estudo ambiental vai mostrar o que o território suporta.
Participação popular?
Outro ponto levantado pela Frente envolve a participação da população.
Segundo Gabriel, a organização sentiu falta de audiências públicas durante o processo de discussão dos CTs. Ele cita principalmente o caso de Praia Grande, onde a Frente promoveu mobilizações, manifestações e ações judiciais contra o projeto anunciado em 2025.
Na ocasião, a organização realizou um estudo de avifauna na área e identificou duas espécies ameaçadas: a saíra-sapucaia e a araponga.
O caso de Praia Grande, porém, segue um processo próprio e não tem relação com este em curso em São Vicente.
Em São Vicente, o projeto ainda está na fase de estudos. Por isso, questionamos a Prefeitura sobre a realização de uma audiência pública específica para o CT.
Na resposta enviada ao Juicy Santos, a Prefeitura não apresentou um cronograma para esse tipo de participação.
Isso não significa que uma audiência esteja descartada. Até o momento, o município não informou uma data oficial.
Diante desse cenário, a Frente afirma que pretende continuar mobilizada.
Em julho de 2026, o grupo participou de uma audiência pública popular sobre questões ambientais da Baixada Santista e, além disso, anunciou participação na Marcha pelo Clima, prevista para setembro.
Disputa ambiental
O novo CT chega a uma região que já enfrentou outro conflito envolvendo meio ambiente, território e licenciamento.
No Jardim Rio Branco, a Prefeitura implantou uma área de transbordo e triagem de resíduos da construção civil, volumosos e inertes. Popularmente, o local ficou conhecido como “lixão do Rio Branco”.
Divulgação
A instalação também entrou na mira da Justiça.
Em maio de 2026, o Judiciário determinou a suspensão das atividades após uma ação questionar o empreendimento.
Na decisão, a Justiça apontou que o terreno possui aproximadamente 24,9 mil m². Além disso, considerou os argumentos sobre a localização em área de preservação permanente e o corte de vegetação.
A ação também questionou a ausência de licenciamento prévio da CETESB e a contratação emergencial de uma empresa por R$ 6,998 milhões.
A Prefeitura, por sua vez, recorreu da decisão
Em junho de 2026, porém, o Tribunal de Justiça de São Paulo reverteu a suspensão imediata e autorizou novamente o funcionamento da área.
Na ocasião, a Procuradoria de Direitos Difusos e Coletivos do Ministério Público defendeu a manutenção da suspensão enquanto o tribunal analisava o recurso.
Enquanto a disputa judicial avançava, o município também dava continuidade aos procedimentos administrativos. Em agosto, a Prefeitura mantinha processos para contratar uma empresa especializada na gestão integrada da área de transbordo e triagem.
Entretanto, o município suspendeu por tempo indeterminado uma concorrência aberta em 2026 para analisar impugnações e revisar o edital.
É importante separar as duas histórias.
O caso do transbordo não tem relação jurídica direta com o futuro CT do Santos. São empreendimentos diferentes, com processos próprios.
Ainda assim, o episódio ajuda a explicar por que o licenciamento, as APPs, a vegetação e a participação pública se interligam. O histórico também aparece nas preocupações da Frente Contra o Desmatamento, como exemplo de uma política ambiental que, na avaliação do movimento, precisa de acompanhamento atento da sociedade civil e dos órgãos reguladores.
Uma velha conhecida da cidade
Se há espaço para mais um time nessa disputa? Sim.
Entra em campo a Saint-Gobain, antiga proprietária da área e participante direta da operação que levou o terreno ao Santos.
Para quem mora ou circula em São Vicente, essa relação antiga não é segredo.
A Saint-Gobain tinha a antiga fábrica de vidros que operou durante décadas na cidade e encerrou suas atividades em 2023.
É justamente por esse motivo que Gabriel também levanta questionamentos sobre a situação financeira da empresa com o município. Ele cita informações sobre uma antiga dívida tributária da Saint-Gobain que, segundo reportagens da época do fechamento, indicavam valores superiores a R$ 114 milhões.
Mais recentemente, porém, o prefeito Kayo Amado afirmou que a questão foi resolvida antes das tratativas envolvendo o Santos.
Ministério Público na disputa
No dia 25 de agosto de 2026, o Ministério Público de São Paulo notificou o Santos FC, a Saint-Gobain e a Prefeitura de São Vicente para prestar esclarecimentos sobre o terreno.
Segundo informações divulgadas pela Agência Estado, os três têm dez dias para responder ao ofício. Entre os pontos levantados pelo MP, está a existência de áreas de preservação permanente na propriedade.
Enquanto isso, o prefeito Kayo Amado declarou ao Estadão que acredita na possibilidade de aprovação do empreendimento, desde que o projeto respeite as regras ambientais. E o prefeito afirmou, ainda, que parte das áreas de preservação permanente já estaria fora dos planos de ocupação do clube.
Ele também citou a presença de mangue e outras formações vegetais, que podem seguir regras diferentes de utilização conforme a legislação e eventuais medidas de compensação.
Na prática, a própria Prefeitura reconhece que os cerca de 700 mil m² não formam um território ambientalmente uniforme. O terreno reúne áreas com características distintas.
Agora, os estudos precisam mostrar exatamente onde cada uma delas está e quais regras se aplicam a cada trecho.
O que você precisa saber sobre o novo CT do Santos em São Vicente
Depois de ouvir a Prefeitura e a Frente Contra o Desmatamento, algumas coisas já estão claras.
- O Santos tem o terreno.
- O projeto ainda não tem clareza de definição.
- O EIA/RIMA está em andamento e deve terminar em abril de 2027.
- A Saint-Gobain entrou com o custeio do estudo.
- As APPs deverão permanecer preservadas.
- A ocupação preliminar pode chegar a 30%.
- Nenhuma obra poderá começar sem licenciamento e alvará.
Ao mesmo tempo, o que ainda não sabemos
- Alguma vegetação será suprimida?
- Como o estudo ambiental vai influenciar o projeto do CT?
- Haverá audiência pública para que a população possa opinar?
- Qual será o impacto sobre pesca e ecossistemas aquáticos?
- Essa ideia está alinhada com o Plano de Ação Climática?
- Quando começam as obras?
O CT é tempo futuro, mas a crise climática já é presente
Se você ficou sabendo sobre esse CT do Santos FC por posts no Instagram, precisamos ultrapassar os discursos políticos ou as promessas de desenvolvimento que dizem que vão definir o futuro da área. Isso vai ficar por conta dos mapas, estudos, licenças, audiências e dados sobre vegetação, drenagem, fauna e áreas protegidas.
Isso não tira a importância esportiva do projeto. Pelo contrário. Um CT moderno pode melhorar a estrutura de formação de novos jogadores e movimentar a economia local.
Ao mesmo tempo, precisamos lembrar que o empreendimento ocupa um local que já possui suas próprias regras naturais. E é justamente aí que começa essa partida nível FIFA.
Quando o estudo terminar, vai ser o momento de entender se (e quanto) São Vicente pode construir naquele lugar sem comprometer seus recusos naturais.
Por enquanto, a bola está no campo da ciência, do licenciamento e da transparência. E, nesse jogo, vale acompanhar cada lance.