Navio histórico Besnard começa a ser retirado após adernar em Santos
Ele navegou até a Antártida e formou gerações de oceanógrafos. E, agora, o Prof. W. Besnard precisa ser resgatado
Quem passa ali perto do cais do Porto de Santos nos últimos dias deve ter notado – ou visto as notícias – de que um patrimônio da ciência e da navegação brasileiras estava submerso em uma situação que causa não só estranhamento, mas também uma imensa tristeza. Um dos navios mais emblemáticos da pesquisa científica no Brasil, o Prof. W. Besnard, está prestes a deixar o local onde ficou parcialmente submerso desde o último dia 13 de março. Sua retirada deve ser iniciada ainda nesta primeira semana do mês de abril, em caráter emergencial, de acordo com a Autoridade Portuária de Santos (APS).
Foto: Luiz Buscapé
O episódio envolve não só questões de logística portuária, mas também o resgate de parte da memória científica nacional. Por trás da preocupação (muito justa, por sinal) com a navegação e o meio ambiente, há a história de uma embarcação que participou das primeiras missões brasileiras à Antártida e ajudou a formar gerações inteiras de oceanógrafos.
E agora, estamos na torcida para que se inicie um novo capítulo para este velho conhecido do mar.
Entenda o que aconteceu com o navio Besnard
Para quem está chegando agora nesse assunto: o Prof. W. Besnard adernou – ou seja, inclinou e afundou parcialmente – no Porto de Santos. O incidente, além de despertar a atenção de quem circula pelo entorno, traz à tona preocupações recorrentes sobre o destino de embarcações que fizeram história e depois, por falta de recursos e manutenção, acabam esquecidas nos fundos dos nossos portos.
Essa situação não é tão incomum em portos pelo mundo. Embarcações desativadas costumam gerar debates entre preservação, sucateamento e riscos ambientais.
Mas, em lugares como Roterdam, eles encontram nova vida como equipamentos turísticos e culturais. Então, é possível, sim.
A remoção desses “cemitérios flutuantes” exige planejamento para minimizar os riscos ambientais, oferecer segurança para a área portuária e garantir que nada prejudique a vida marinha local.
Reflutuação
Como explicou a Autoridade Portuária de Santos, houve a contratação emergencial da empresa Marfort Serviços Marítimos, especializada nesse tipo de operação. O contrato, publicado no Diário Oficial da União no último dia 31 de março, prevê desde o plano de mergulho e contenção de poluição até o içamento e docagem do navio.
Nos próximos dias, a companhia vai entrar em ação para tentar reflutuar o Prof. W. Besnard.
A expectativa é que essa operação leve até cinco dias. O objetivo é estabilizar a embarcação, liberar a área para as operações comerciais e avaliar suas condições técnicas para um eventual reaproveitamento, mesmo que parcial. Vale lembrar que, apesar de não ter apresentado riscos imediatos à navegação, a embarcação seguia sendo monitorada pela Marinha e pela Capitania dos Portos.
Tomara que Santos – e o Brasil – consigam superar mais esse desafio de preservação da sua memória no maior porto da América Latina.