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Memória e resistência marcam o Mês da Mulher Negra em Santos

Visitas guiadas, oficinas e rodas de conversa convidam a conhecer histórias que ajudaram a construir a cidade

Tempo de leitura: 4 minutos

Passe pela Igreja do Rosário dos Homens Pretos, no Centro Histórico, e é fácil não perceber a força que aquele endereço carrega. O mesmo vale para o Quilombo do Pai Felipe ou para os túmulos do Cemitério do Paquetá. São lugares que qualquer santista já cruzou e muitas vezes sem saber que ali está guardada parte essencial da história da cidade.

www.juicysantos.com.br - Santos celebra o Mês da Mulher Negra com programação gratuita e roteiros pela cidade

Durante julho, esses espaços ganham um motivo a mais para serem visitados. E dessa vez, a proposta é ouvir quem quase sempre ficou fora da narrativa oficial.

Uma agenda, várias portas de entrada

A Prefeitura de Santos organizou uma programação gratuita ao longo de todo o mês em celebração ao Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, data comemorada em 25 de julho. A iniciativa também marca o Dia Nacional de Tereza de Benguela e tem a parceria do Coletivo AfroTu.

Visitas guiadas, rodas de conversa, oficinas, ações de saúde e encontros voltados ao empreendedorismo tomam conta da cidade. Cada atividade funciona como um convite a olhar para Santos por um ângulo pouco explorado: o das mulheres negras que resistiram, lideraram comunidades e seguem produzindo cultura e transformação social na cidade.

O verdadeiro protagonismo não está no calendário

Reduzir essa programação a uma lista de eventos seria perder o ponto. O calendário é só a porta. Quem realmente importa aqui são as histórias que ele torna visíveis.

Santos tem uma herança afro-brasileira profunda, presente na formação da cidade, no patrimônio e nos movimentos culturais que sobrevivem até hoje. Ainda assim, boa parte dessa memória permanece distante do santista. Poucos sabem, por exemplo, o papel histórico da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos ou o significado do Quilombo do Pai Felipe para a formação da identidade negra na cidade.

Ocupar esses espaços com atividades abertas ao público muda essa lógica. Aproxima moradores de uma parte essencial de Santos que, até então, vivia mais nos livros de história do que nas conversas do dia a dia.

Protagonismo negro na cidade

Cidade nenhuma se conhece por completo enquanto deixa parte da sua própria formação na sombra. Santos construiu sua identidade também com o protagonismo de mulheres negras, mas essa parte da história raramente aparece nos roteiros turísticos ou nos livros didáticos distribuídos por aí.

Segundo informações divulgadas pela Prefeitura, a programação busca justamente esse resgate, colocando espaços historicamente ligados à população negra santista no centro do mês.

Veja o que ainda vai rolar

17/7 – 14h30 – Oficina “Ervas que Curam”, com a terapeuta Sirlei Camilo, na Casa da Mulher.

20/7 – 15h – Oficina de Tranças e Penteados, com Lika Borges, na Casa da Mulher.

21/7 – 15h – Roda de Conversa “Eu Mulher Empreendedora”, com Kelly “Kelluma” Aguiar, na Casa da Mulher.

22/7 – 15h – Apresentação do Coral Sênior Vilas Criativas, sob regência de Edi Velani, na escadaria interna do Paço Municipal.

23/7 – 15h – Roda de Conversa “Mulheres Negras: do apagamento histórico ao reconhecimento” (atividade interna), na UME Oswaldo Justo.

23/7 – 17h – Roda de Conversa “Mulheres Negras: do apagamento histórico ao reconhecimento” (atividade interna), na UME Padre Francisco Leite.

24/7 – 14h30 – Palestra sobre Violência Doméstica, com a Dra. Tatiana Evangelista Santos, na Casa da Mulher.

24/7 – 19h – Roda de Conversa “Mulheres Negras que Inspiram”, no Espaço do Educador Santista (Av. Bernardino de Campos, 355 – Campo Grande).

29/7 – 9h30 – Tour pelo Cemitério do Paquetá – Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, com os guias Elen Miranda e Carlos Eduardo da Cruz.

29/7 – 16h – Roda de Conversa “Eu Mulher Trans e Preta”, na Casa da Mulher.

31/7 – 14h30 – Encontro de Velhas Guardas de Escolas de Samba, na Praça Mauá (Centro Histórico).

De 1º a 31/7 – Exibição de vídeos curtos com mulheres negras, produzidos pela Secretaria da Mulher.

De 21 a 31/7, às 9h – Exposição “Nossas Mulheres – Servidoras das Prefeituras”, no saguão do Paço Municipal (Centro Histórico).

Serviço

O quê: Programação gratuita em celebração ao Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela
Quando: Ao longo de julho de 2026 (datas de 25 de julho como marco central)
Onde: Cemitério do Paquetá, Quilombo do Pai Felipe, Casa da Mulher e outros espaços culturais da cidade
Realização: Prefeitura de Santos, em parceria com o Coletivo AfroTu

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Vitor Fagundes
Texto por

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