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Lendárias e Portuárias debate mulheres, cidades e o futuro dos portos

Podcast chega à sua terceira temporada com episódios gravados em Roterdam (Holanda) e no Brasil

Tempo de leitura: 5 minutos

Viver em uma cidade portuária é, muitas vezes, como dividir a casa com um vizinho poderoso e bilionário. Apesar de sustentar a economia, este vizinho vive de costas para a rua. O porto define a paisagem, o trânsito e o ar que respiramos. Mas, para quem caminha pelas ruas e avenidas de Santos, a cidade mais feminina do Brasil, ele frequentemente opera como uma fortaleza de aço e concreto. Além disso, permanece intocável e distante.

Esse casamento entre cais e urbe se transforma em uma convivência tensa, onde a cidade sente os impactos. Enquanto isso, o porto celebra números superlativos quase que em isolamento. Só que, para as mulheres, esse abismo é ainda mais profundo. Elas não estão separadas apenas por muros alfandegários, mas por uma cultura que historicamente nunca as convidou para entrar. 

www.juicysantos.com.br - Lendárias e Portuárias debate mulheres, cidades e o futuro dos portosFoto: Flávia Saad

No dia 2 de fevereiro de 2026 (segunda-feira), aniversário do Porto de Santos, estreia a terceira temporada de Lendárias e Portuárias. E, neste ano, o podcast vem com uma missão ousada: triangular porto, cidade e gênero através de referências internacionais e contextos locais. Assim, busca inspirar decisores, executivos e a população sobre seus papéis nesse cenário.

Com episódios semanais até o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, a produção, apresentada por Ludmilla Rossi, CEO do Juicyhub, investiga como a relação entre porto e cidade evoluiu de uma simbiose harmoniosa para uma codependência problemática — e como as mulheres podem ser protagonistas na transformação desse relacionamento.

Conexão Roterdã-Santos

Os dois primeiros episódios da temporada foram gravados em Roterdã, na Holanda, onde fica o maior porto da Europa. A cidade holandesa representa uma referência global para entender as transformações na relação porto-cidade. Especialmente após projetos de revitalização urbana como o Kop van Zuid, que transformou áreas portuárias abandonadas em distritos vibrantes, verdes e habitáveis.

Diferentemente de Santos, onde o porto é federal e gerido por Brasília, em Roterdã o porto pertence à cidade. Isso facilita uma governança mais integrada e democrática.

No primeiro episódio, Ludmilla conversa com Irene Jacobs, curadora do Museu Marítimo de Roterdã e idealizadora da exposição “Mulheres Marítimas”. Esta exposição celebra os 50 anos do Ano Internacional da Mulher da ONU. 

www.juicysantos.com.br - Lendárias e Portuárias debate mulheres, cidades e o futuro dos portosFoto: Maurício Matias

A entrevista revela histórias invisibilizadas de mulheres que se disfarçaram de homens para navegar, de viúvas de armadores que lideraram batalhas navais, e de trabalhadoras portuárias que sustentaram famílias e economias ao longo dos séculos.

“Você não consegue ser aquilo que não consegue ver”, diz Ludmilla, ecoando a frase de Marian Wright Edelman que inspirou as temporadas anteriores do podcast.

Vozes que constroem pontes

A terceira temporada de Lendárias & Portuárias traz convidadas que representam diferentes dimensões da relação porto-cidade-gênero.

Gabriela Otero, gerente de Água, Oceano e Resíduos do Pacto Global da ONU no Brasil, aborda como cidades portuárias podem equilibrar prosperidade econômica com preservação da natureza. Ela mostra que 80% do lixo nos oceanos vem do continente, não apenas dos portos.

Gabriela Rocha é executiva de finanças portuárias com experiência em Europa, África e América Latina. Ela compartilha como viveu em diferentes cidades portuárias ao redor do mundo. Assim, aprendeu que portos não são só números, e sim são reflexos das cidades que os cercam.

Ana Paula Schettino, da DP World, contou sua jornada de mais de 20 anos construindo políticas ambientais que relacionam um gigante terminal portuário com comunidades locais.  

E, em um belo depoimento que questiona “porto é lugar de criança?”, Camila Genaro explica como um projeto de contação de histórias levou a educação portuária para dentro das escolas. 

Os demais episódios trazem, ainda, narrativas sobre liderança e oportunidades de carreiras para mulheres no setor portuário. 

Histórias que precisamos contar

Apenas 17,3% das posições no setor portuário brasileiro são ocupadas por mulheres, e somente 5,9% dos cargos de direção são femininos. Mas a temporada não se limita a apresentar estatísticas: ela humaniza esses números através de narrativas reais de mulheres que estão rompendo barreiras.

Lendárias & Portuárias mostra que a presença feminina não é apenas uma questão de justiça social. Pois é, empresas com mulheres em lideranças apresentam melhores práticas de ESG e performance.

A terceira temporada também inova no formato, mesclando narrativas audiovisuais externas com podcast gravado em estúdio, criando um conteúdo híbrido e imersivo. Ao conectar o maior porto da América Latina ao maior porto da Europa, Lendárias e Portuárias propõe um novo imaginário coletivo sobre a relação porto-cidade, desconstruindo visões negativas de que o porto é um lugar distante, perigoso e hostil, e construindo uma narrativa de espaço de oportunidades profissionais para todos.

A estreia acontece no dia 2 de fevereiro de 2026, com episódios duplos semanais indo ao ar no canal do YouTube do Juicy Santos. Isso prova que, quando as mulheres têm espaço para contar suas histórias, cidades inteiras se transformam. 

Lendárias e Portuárias é um projeto incentivado pela DP World através da Lei Municipal de Apoio à Cultura Alcides Mesquita, o Promicult.