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Guarujá afundou um museu no mar do Guaiúba – e foi de propósito

O Guarujá vai abrir o primeiro museu subaquático da América Latina na Praia do Guaiúba. São 15 esculturas no fundo do mar, arte de nível mundial e peixes prestes a ficarem muito mais cultos do que a gente.

Tempo de leitura: 5 minutos

A Praia do Guaiúba, no Guarujá, acaba de ganhar 15 esculturas no fundo do mar. Não, não foi descuido de ninguém. Foi arte. E vai virar o primeiro centro de visitação subaquática da América Latina.

www.juicysantos.com.br - Guarujá afundou um museu no mar, e foi de propósito

Foto: Reprodução/Instagram

Pode respirar fundo. De preferência, com snorkel.

Atlântida ficou com inveja

Durante séculos, a humanidade sonhou com civilizações submersas, cidades perdidas no oceano, povos que viviam debaixo d’água. Atlântida, a pequena sereia, o Aquaman. E agora, de forma muito menos dramática e muito mais real, o Guarujá.

As obras são assinadas por Adélio Sarro, filho de agricultores que chegou a São Paulo ajudando o pai no ofício de pedreiro. Em 1972, uma viagem casual à cidade de Brodowski mudou tudo. Depois de descobrir Portinari, decidiu que seria pintor. Construiu uma carreira que o levou ao Japão, à França, à Austrália e a mais uma dúzia de países. É o tipo de trajetória de quem chegou sem nada e foi longe pelo talento.

As 15 esculturas homenageiam a região com figuras que falam diretamente da nossa identidade: Santos Dumont, uma sereia, um estivador. Figuras que, convenhamos, já teriam muito assunto numa mesa de bar. Imagina, então, no fundo do mar.

O espaço vai funcionar como um museu subaquático acessível por mergulho. Turistas de máscara e nadadeira vão poder contemplar as obras enquanto cardumes passam do lado e fingem que entendem de arte contemporânea.

Os peixes da Baixada, finalmente, ficam cultos

Vamos ser honestos: a fauna marinha do Guaiúba nunca teve muito acesso à cultura. Algumas algas por aqui, um coral por ali. Mas agora? Agora tem museu.

Os peixes locais vão acordar toda manhã ao lado de uma escultura de Santos Dumont e começar o dia com um senso de propósito que a maioria dos humanos leva anos pra desenvolver. Um baiacu vai poder circular entre obras de arte internacional antes do café da manhã. Um polvo vai ter oito braços pra aplaudir.

Brincadeiras à parte, a ciência sustenta o lado sério disso tudo. Estruturas submersas funcionam como recifes artificiais. Elas atraem peixes, favorecem a biodiversidade e ajudam a recuperar ecossistemas marinhos degradados. Projetos semelhantes no México e na Espanha já comprovaram esse impacto positivo. O Guaiúba, portanto, não ganha só turismo. Ganha vida marinha.

Uma mensagem para os arqueólogos do ano 3026

Existe um detalhe levemente perturbador nessa história toda.

Daqui a mil anos, algum arqueólogo submarino, ou dependendo de como as coisas correrem por aqui, algum ser de outro canto do universo, vai mergulhar na costa do Guarujá e encontrar essas esculturas. Vão pensar: “Claramente, esses humanos viviam na água.”

Não vai estar errado sobre a nossa relação com o mar. Afinal, quem cresceu na Baixada Santista sabe que a gente vive mais dentro do oceano do que fora dele nos fins de semana de verão.

www.juicysantos.com.br - lula molusco bonitãoFoto: Reprodução

Vale lembrar que em 2025, o youtuber Sunday Nobody já tinha a mesma visão de futuro: ele instalou uma estátua de bronze do Lula Molusco no fundo do mar da Grécia, explicitamente para confundir arqueólogos do futuro. O Guarujá chegou na mesma frequência, mas com mais sofisticação e sem os direitos autorais da Nickelodeon envolvidos.

Cultura para os peixes e dinheiro para o bolso

O Guaiúba tem cerca de 790 metros de extensão e condições ideais para atividades aquáticas. A praia já era uma das mais valorizadas do Guarujá. Com o centro subaquático, ela se consolida como polo de turismo náutico e ecológico, o tipo de atração que coloca uma cidade no roteiro internacional de verdade.

E o impacto não fica só na beleza da experiência. Projetos assim geram empregos diretos na economia local: guias de mergulho, instrutores, condutores de embarcações, comércio no entorno. A cadeia toda se movimenta. Isso é exatamente o tipo de desenvolvimento que faz diferença no dia a dia, não só na foto de Instagram, mas no bolso de quem trabalha no litoral.

O diretor de Turismo do Guarujá, Sérgio Zagarino, definiu o projeto como um marco para o turismo sustentável que une cultura, meio ambiente e experiência única.

A abertura está chegando

O centro ainda passa por etapas finais antes da abertura oficial ao público. A data exata ainda não foi divulgada, mas a expectativa é que aconteça em breve.

Quando abrir, vai ser o tipo de programa que você vai querer contar que fez antes de virar tendência. Aquele “eu fui quando ainda era pouco conhecido” que todo mundo da Baixada adora.

Daqui a mil anos, quando alguém encontrar essas esculturas no fundo do Guaiúba, que saibam: a gente não vivia debaixo d’água. A gente só gostava muito do mar, e tinha bom gosto.

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