Gabriela Rocha, uma mulher que vivenciou os portos em três continentes diferentes
Santos, Luanda e Oslo: veja onde o porto levou esta profissional
Santos tem uma relação histórica com o seu porto. Mas nem todo mundo já parou para pensar como seria viver essa mesma relação em Oslo, em Luanda, em mundos completamente diferentes. Gabriela Rocha, executiva de finanças com mais de 17 anos de experiência no setor marítimo, não precisou imaginar. Ela viveu como uma santista.
No quinto episódio da terceira temporada do Lendárias & Portuárias, Gabriela conta como sua trajetória a levou do Brasil para Angola e depois para cinco anos como expatriada na Noruega — e o que cada uma dessas cidades portuárias ensinou sobre a relação entre porto, economia e território.

Portos não são só infraestrutura
A visão que Gabriela carrega não vem de planilhas. Vem de acordar todo dia olhando para a mesma água, mas vivendo realidades completamente diferentes dependendo do país.
Em Luanda, ela trabalhou em portos de reconstrução, estruturas que precisavam ser erguidas junto com a cidade ao redor. Em Oslo, conviveu com um modelo em que o porto integra o tecido urbano de forma quase natural. No Brasil, voltou com olhos calibrados por essas comparações.
Portanto, quando ela fala sobre finanças portuárias, está falando também sobre urbanismo, sobre comunidade, sobre quem fica com o que quando um porto prospera.
5,9% — o número que explica muito
A carioca radicada em Santos também representa uma realidade rara. Apenas 17,3% das pessoas que trabalham no setor portuário brasileiro são mulheres. Nos cargos de direção, esse número cai para 5,9%.
Ela é uma mulher negra brasileira que chegou a posições de liderança internacional em um setor que, historicamente, não foi construído para recebê-la. Além disso, navegou sistemas tributários complexos em diferentes jurisdições — e fez isso sendo quem é.
Esse contexto importa. Não como detalhe biográfico, mas como dado estrutural sobre quem toma decisões no setor e como essas decisões impactam as cidades.
O que Santos tem a aprender com isso?
Santos é uma cidade que convive com seu porto há mais de um século. Contudo, a pergunta sobre como essa riqueza se distribui pelo território ainda está longe de ter uma resposta satisfatória.
Quando uma profissional como Gabriela compara modelos de gestão portuária ao redor do mundo, ela traz um repertório que pode — e deveria — alimentar o debate local. Afinal, a cidade que melhor integra seu porto é também a cidade que melhor distribui o que ele gera.
Assistir a esse episódio é uma forma prática de entender o próprio Porto de Santos com outros olhos.
Informações de serviço
O episódio está disponível no canal do Lendárias & Portuárias no YouTube. O podcast tem apoio de DP World e ABTRA, e incentivo da Lei Municipal de Apoio à Cultura Alcides Mesquita (Promicult).