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Free flow: cobrança automática na Anchieta-Imigrantes começa em agosto

A promessa é trânsito mais fluido. Mas e a adaptação, será que vai acompanhar?

Tempo de leitura: 4 minutos

Se você costuma pegar a estrada rumo a São Paulo ou descer da capital rumo à Baixada Santista, preste atenção aqui nesta notícia. O pedágio eletrônico do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) passou por testes e começa a funcionar oficialmente em 1º de agosto de 2026. Ou seja, o chamado free flow, a cobrança automática, vai substituir os guichês das praças de cobrança na estrada que liga o planalto ao litoral de São Paulo.

O novo sistema identifica veículos automaticamente por tags ou pela placa. O motorista vai passar direto e receber a cobrança posteriormente.

Pórtico da Ecovias em fase de implantação sobre rodovia movimentada, com mensagem 'sem cobranças' visível no letreiro digitalFotos: divulgação/Ecovias

Essa mudança impacta diretamente moradores, turistas e trabalhadores da região. Além de acabar com paradas longas nos pedágios, em especial em épocas mais cheias, como feriados e fim de ano, a cobrança eletrônica traz uma série de perguntas: como será feito o pagamento? E quem não tem tag, faz o quê?

Vamos explicar tudo o que mudou e o que você precisa saber para evitar surpresas desagradáveis.

Como vai funcionar o pedágio eletrônico na Anchieta-Imigrantes

O início da operação eletrônica no Sistema Anchieta-Imigrantes segue uma tendência que já está em outros estados do Brasil.

Modelos semelhantes operam no Rio Grande do Sul e Bahia, para tentar diminuir filas e deixar o trânsito mais fluido e seguro nas rodovias.

Aqui no Estado de São Paulo, o pedágio eletrônico chega ao principal corredor entre a capital e o litoral, onde circulam milhares de carros, ônibus e caminhões diariamente. Segundo dados da Ecovias, só em feriados prolongados passam mais de 300 mil veículos, em média, em direção à Baixada Santista.

Na fase de testes do SAI, realizada durante o último mês de junho, os pórticos eletrônicos posicionados nos km 29 da Imigrantes e km 33 da Anchieta contabilizaram 2,5 milhões de veículos, sendo a maioria carros de passeio.

Cerca de 77% já tinham tag eletrônica e passaram direto, enquanto o restante foi identificado a partir do sistema de leitura de placas, o OCR (sigla para reconhecimento óptico de caracteres).

Como você vai pagar o pedágio eletrônico?

As praças à moda antiga deixam de funcionar para cobrança. Agora, a identificação é feita por pórticos, sem necessidade de diminuir a velocidade. Motoristas com tag ativa continuam tendo o valor debitado automaticamente na fatura vinculada, como já ocorre em muitos pedágios automáticos.

Câmeras de vigilância e sensores eletrônicos montados em uma estrutura de pórtico metálico, com cabos e correntes visíveis, sob um céu claro.

Para quem não possui tag, há as seguintes alternativas:

  • dá para pagar online, pelo site Siga Fácil ou pelo portal Pedágio Digital
  • por totens de autoatendimento espalhados em postos de combustível e bases ao longo das estradas.

O pagamento é por PIX ou cartão, e existe um prazo de até 30 dias após a passagem pelo pórtico.

Existe outra mudança importante que precisamos alertar aqui. Enquanto antes a tarifa era só na descida (sentido litoral), agora ela fica dividida equitativamente entre os dois sentidos. Ou seja, o valor total (R$ 40,60) será cobrado em duas etapas: R$ 20,30 em cada sentido.

Segundo a Ecovias, a promessa é não alterar o valor final, apenas repartir a cobrança para ajudar no fluxo de veículos e ter um controle mais justo, já que há retorno significativo de carros e caminhões subindo e descendo o SAI.

E será que todo mundo está sabendo?

A concessionária alega que as mudanças estão sendo comunicadas com uma campanha de orientação, com sinalização, painéis informativos e conteúdo digital. Além disso, alerta para que pagamentos dessa tarifa sejam feitos apenas através de canais oficiais. Então, todo cuidado com golpes por SMS ou e-mails duvidosos é pouco.

Mas a tecnologia, sozinha, não resolve o principal problema: o impacto no dia a dia de quem não tem tag, de quem passa pela rodovia só de vez em quando e de quem ainda não domina esse novo formato. O free flow pode até reduzir as filas. Só que a experiência de outras rodovias brasileiras já mostrou que, sem clareza de informações e campanhas recorrentes, a modernização pode virar uma grande dor de cabeça para o motorista, com direito a multa e tudo.

E vale lembrar: o sistema não barateia a viagem. Só o que muda é o jeito de cobrar o mesmo deslocamento. Deve vir muita confusão por aí com essa adoção.

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