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Família acolhedora em Santos, um lar que não estava nos planos, mas fez toda a diferença

Programa santista transforma casas comuns em lares de recomeço

Tempo de leitura: 5 minutos

Imagine uma criança que, por decisão judicial, precisa ser afastada temporariamente de sua família de origem. Em vez de aguardar a resolução do processo longe de qualquer referência afetiva, ela vai para uma casa de família com sala, quintal, cheiro de comida e alguém esperando na porta.

Isso é o que o Programa Família Acolhedora faz em Santos desde 2004.

Vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social, o programa oferece uma alternativa de acolhimento em ambiente familiar para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Ao longo de mais de duas décadas, já passou por esse cuidado mais de 200 pessoas. Cada uma com sua história. Cada uma merecendo atenção individual.

O que é, afinal, uma família acolhedora?

Não é adoção. Esse ponto precisa ficar claro logo de cara.

A família acolhedora recebe, temporariamente, uma criança ou adolescente afastado do lar de origem por medida de proteção. O tempo de acolhimento depende do processo judicial. Portanto, o destino pode ser o retorno à família de origem, à família extensa — tios, avós, primos — ou, quando isso não é possível, o encaminhamento para adoção.

A família acolhedora não está ali para substituir ninguém. Está ali para garantir que, enquanto a Justiça decide e a assistência social age, aquela criança durma em uma cama com alguém por perto.

Cuidando de quem cuida

A equipe técnica do serviço não larga a mão de ninguém. Ela seleciona, capacita, cadastra e acompanha as famílias. Além disso, monitora o bem-estar da criança acolhida e mantém contato ativo com a família de origem.

Esse acompanhamento não é burocrático. É psicossocial — feito por profissionais treinados para lidar com histórias complexas, com vínculos fraturados e com a delicadeza que cada situação exige. Portanto, a família acolhedora nunca está sozinha nesse processo.

Para ser habilitada, a família passa por etapas concretas: visita domiciliar com todos os moradores presentes, entrega de documentação, atestados de saúde e antecedentes criminais. Depois de aprovada no cadastro pelo Grupo Gestor do serviço, ainda participa de oficinas de preparação com presença obrigatória de 100%.

Esse rigor não é burocracia pelo burocracia. É proteção tanto para a criança quanto para a própria família acolhedora.

O que acontece com a criança durante o acolhimento?

Essa é uma dúvida que muita gente tem — e raramente encontra resposta clara.

A criança acolhida mantém, sempre que possível, o vínculo com sua família de origem. Visitas são organizadas e supervisionadas. O objetivo nunca é apagar a história de ninguém, mas criar condições para que ela possa continuar — com mais segurança.

Além disso, a criança segue frequentando a escola, tem acesso à saúde e participa da rotina da família acolhedora como qualquer membro da casa. Não como hóspede. Como parte daquele ambiente, ainda que temporariamente.

O tempo de permanência varia. Alguns acolhimentos duram semanas. Outros, meses. Tudo depende da resolução judicial e do trabalho da assistência social com a família de origem. Assim, a incerteza é real — e é justamente por isso que as famílias acolhedoras precisam de preparo emocional e de uma rede de apoio sólida ao redor.

Quem pode se tornar uma família acolhedora em Santos?

O perfil é mais acessível do que parece. Assim, vale a pena conferir os critérios:

  • Ser morador de Santos
  • Ter 18 anos ou mais
  • Não ter dependência de álcool ou outras drogas
  • Não ter doença incapacitante
  • Ter condições favoráveis de moradia
  • Contar com uma rede de apoio para situações emergenciais
  • Ter disponibilidade para cuidar da criança ou adolescente
  • Não ter interesse em adoção (isso é fundamental para o programa)

Famílias de todos os formatos podem se candidatar. Pessoas solteiras, casais, famílias com filhos — a cidade precisa de diversidade também nesse espaço.

Acolher também transforma quem acolhe

Existe um dado que o programa não costuma divulgar em press release, mas que qualquer família acolhedora confirma rapidamente: o processo muda os dois lados.

Quem abre a porta para uma criança em situação de vulnerabilidade passa a enxergar o mundo com outros olhos. Passa a entender de perto o que significa proteção social, o que o Estado pode fazer e o que só uma pessoa comum consegue oferecer.

Não é ativismo. Não é caridade no sentido condescendente da palavra. É uma troca real entre pessoas que, em contextos diferentes, precisam umas das outras.

Santos é uma cidade acostumada a receber. Recebe turistas no verão, trabalhadores do porto o ano inteiro, estudantes que chegam para a faculdade e ficam. Portanto, acolher uma criança temporariamente não é uma ruptura com a identidade da cidade — é uma extensão dela.

Serviço

Programa Família Acolhedora — Santos

Av. Senador Pinheiro Machado, 73, Vila Mathias
Telefone: (13) 3251-9333 | (13) 3225-3986 | (13) 3223-6246
E-mail: [email protected]

Inscrições pelo formulário online: clique aqui

O programa é vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social e conta com apoio do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).

Vitor Fagundes
Texto por

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