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Em quem a Baixada Santista vai votar para deputado federal em 2026?

Paulo Alexandre lidera com folga na estimulada, mas 55% dos eleitores não conseguem citar um único nome na espontânea

Tempo de leitura: 7 minutos

Você sabe em qual deputado federal vai votar? Pode apostar que a maioria dos eleitores da Baixada Santista não sabe responder.

Uma nova pesquisa do Instituto Badra ouviu 10.020 eleitores nos 9 municípios entre 27 de maio e 2 de junho. O levantamento, registrado no TSE com margem de erro de três pontos percentuais, mostrou que Paulo Alexandre Barbosa (PSD) lidera com 24,5% na pesquisa estimulada. Logo atrás, Rosana Valle (PL) aparece com 18,5% e o Delegado Da Cunha (União Brasil), com 12,8%.

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Na espontânea, no entanto, Paulo Alexandre e Rosana Valle empatam em 0,8% cada, enquanto 55,8% dos entrevistados não conseguem citar um único nome.

Esse abismo entre os dois cenários tem uma explicação simples: o eleitor da BaixadaSantista reconhece os candidatos quando confrontado com a lista. Mas, deixado por conta própria, o cargo de deputado federal é quase invisível. O problema é que essa invisibilidade tem um custo alto, especialmente num momento em que o Congresso Nacional acumula decisões que foram diretamente contra o bolso e os direitos da população.

O pior Congresso da história?

A alcunha não vem da torcida adversária. Vem de juristas, economistas e entidades da sociedade civil que acompanharam, voto a voto, o que aconteceu na Câmara dos Deputados nos últimos dois anos.

A blindagem de parlamentares contra investigações, a anistia para envolvidos nos atos de 8 de janeiro, a derrubada de uma medida que tributaria bets e bilionários, e a flexibilização de regras ambientais compõem um conjunto de decisões que, para uma parcela significativa dos especialistas, representa o ponto mais baixo do Legislativo federal em décadas.

Renovar a Câmara deixou de ser uma ideia abstrata de “mudar a política”. Virou uma questão prática: quem vai ocupar essas 513 cadeiras a partir de 2027 decidirá impostos, direitos trabalhistas, proteção ambiental e até quanto o Estado pode investigar seus próprios membros. Na Baixada Santista, esse debate começa pelos nomes que já aparecem na pesquisa do Badra.

Quem está na frente

Na pesquisa estimulada, o cenário completo coloca Delegado Da Cunha (União Brasil) em terceiro, com 12,8%, seguido por Doutor Caseiro (PT), com 5,4%, Gilmar André (Republicanos), com 4,4%, Jefferson Cezarolli (Podemos), com 2,8%, Marcelo Strama (PSB), com 1,6%, e Pai Roblez Jorge (PDT), com 0,6%. Outros 15,3% disseram não votar em nenhum dos listados.

Um detalhe muda o tabuleiro: Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, ambos do PL e entre os mais votados na região em 2022, não disputarão em 2026. Esse eleitorado está em aberto e a candidata mais natural para absorvê-lo é Rosana Valle. Os 18,5% que ela registra agora, por isso, podem subestimar sua força real em outubro.

Vale entender também como o sistema eleitoral funciona. No Brasil, o voto para deputado não é só para o candidato: é também para o partido.

O sistema proporcional de lista aberta funciona com base no quociente eleitoral, ou seja, o número de votos necessários para garantir uma vaga. Cada vez que um partido atinge esse valor, conquista um assento, ocupado pelos candidatos mais votados da legenda. Por isso, votar em Paulo Alexandre com 100 mil votos e votar com 50 mil têm efeitos diferentes, tanto para ele quanto para os colegas de partido que dependem do saldo geral da legenda.

O que eles fizeram quando (quase) ninguém estava olhando

Os três principais candidatos já têm histórico de votos para analisar. Abaixo, um resumo das pautas mais relevantes dos últimos meses.

PL da Devastação

Aprovado em julho de 2025, o projeto flexibilizou diversas regras de proteção ambiental. Ambientalistas classificaram o texto como um retrocesso histórico.

  • Rosana Valle (PL): A favor
  • Paulo Alexandre Barbosa (PSD): A favor
  • Delegado Da Cunha (União Brasil): A favor

PEC da Blindagem

A PEC 3/2021 expandiu os privilégios judiciais de parlamentares e presidentes de partidos.

  • Rosana Valle (PL): A favor
  • Paulo Alexandre Barbosa (PSD): Contra
  • Delegado Da Cunha (União Brasil): A favor

PL da Anistia

O projeto busca perdão judicial para condenados e investigados desde outubro de 2022, incluindo os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

  • Rosana Valle (PL): A favor da urgência
  • Paulo Alexandre Barbosa (PSD): Contra
  • Delegado Da Cunha (União Brasil): A favor da urgência

PL da Dosimetria

Conhecido como “PL da Soltura”, o projeto estabelece limites para penas em caso de concurso de crimes. Críticos argumentam que a medida pode beneficiar facções e traficantes.

  • Rosana Valle (PL): A favor
  • Paulo Alexandre Barbosa (PSD): A favor
  • Delegado Da Cunha (União Brasil): A favor

MP do BBB

A Medida Provisória 1303/2025 propunha tributar apostas online, bancos e grandes fortunas. A Câmara rejeitou sua análise em outubro, abrindo um déficit de mais de R$ 20 bilhões nas contas públicas.

  • Rosana Valle (PL): Pela derrubada
  • Paulo Alexandre Barbosa (PSD): Pela derrubada
  • Delegado Da Cunha (União Brasil): Pela derrubada

Paulo Alexandre justificou seu voto explicando que o texto original foi desidratado durante a tramitação, perdendo pontos importantes, como o aumento da alíquota das bets e a taxação mais forte sobre super-ricos.

Isenção do Imposto de Renda

A Câmara aprovou o projeto que isenta do IR quem recebe até R$ 5 mil mensais, com desconto progressivo até R$ 7.350.

  • Rosana Valle (PL): A favor
  • Paulo Alexandre Barbosa (PSD): A favor
  • Delegado Da Cunha (União Brasil): A favor

Fim da escala 6×1

O projeto reduz a jornada de trabalho prevista na CLT de 44 para 40 horas semanais de forma gradual.

  • Rosana Valle (PL): A favor
  • Paulo Alexandre Barbosa (PSD): A favor
  • Delegado Da Cunha (União Brasil): A favor

O que os votos mostram é que Paulo Alexandre se afasta de Rosana Valle e Da Cunha nas pautas ligadas a privilégios parlamentares e anistia, mas converge com eles nas questões ambientais e fiscais.

O eleitor que ainda não decidiu

Na pesquisa espontânea, 31,9% disseram que não vão votar em ninguém para deputado federal. Outros 9,5% pretendem anular ou votar em branco. Nikolas Ferreira, que concorre por Minas Gerais e não pela chapa paulista, foi citado por 0,1% dos entrevistados, o que indica que uma parcela do eleitorado sequer sabe que o voto é restrito ao estado onde está registrado.

Essa desinformação tem consequência direta: quando o eleitor não ocupa esse espaço com escolha consciente, outros elegem por ele. O sistema proporcional garante que os votos dos partidos carreguem candidatos que muita gente nunca ouviu falar. Além disso, num cenário em que a renovação da Câmara é cada vez mais urgente, o voto nulo ou em branco é ausência em um debate que continua sem você.

A pesquisa do Badra mostra uma região onde a corrida tem liderança definida, mas dois terços do eleitorado ainda sem decisão tomada. Paulo Alexandre tem vantagem real. Rosana Valle tem um eleitorado órfão à espera de direção. Da Cunha, em terceiro, mantém uma base que pode surpreender, dependendo de como o cenário nacional se mover até outubro.

Falta pouco mais de três meses. O histórico de votos já está disponível e a escolha, por enquanto, ainda é sua.

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