Eleições 2026: tudo o que você precisa saber antes de votar
Projetos aprovados longe dos holofotes mostram como decisões do Legislativo impactam diretamente a vida nas cidades, muitas vezes sem a atenção do eleitor
O ano de 2026 chegou e nós, do Juicy, não queremos que você comece o ano com o pé direito, mas com os dois pés e, de preferência, uma mente capaz de interpretar textos.

Ano novo, vida nova, polarização igual
Muitos devem ter sentido nas ceias de natal ou durante a queima de fogos aquele clássico climão entre os parentes. Vivemos em um país dividido que cada vez mais se afasta. Todo mundo já perdeu uma amizade ou uma relação por uma briga de política inflamada, são raros os casos que não passaram por isso.
É preciso lembrar que vivemos em uma democracia e vamos sempre defender a democracia. Não existe problema algum em ser de esquerda ou de direita, mas não podemos virar inimigos. Somos todos brasileiros, estamos no mesmo barco e não podemos ir de Titanic.
A eleição vai além do presidente
Quando falamos em eleições, a maioria das pessoas pensa apenas na disputa presidencial. É natural, afinal, é a mais divulgada, a que ganha mais holofotes. Mas aqui vai uma verdade inconveniente: sua vida é mais afetada pelos deputados que você elege do que pelo presidente.
Enquanto o presidente vive em Brasília e decide questões amplas de governo, são os deputados federais e estaduais que votam as leis que chegam na sua vida cotidiana. Eles decidem sobre meio ambiente, impostos, saúde pública, educação, segurança e até mesmo sobre a própria impunidade deles.
E em 2026, você não vai votar só para presidente. Você também vai escolher:
- Governador (e vice)
- Senador (1 vaga por estado)
- Deputado Federal (513 vagas no Brasil, 70 por São Paulo)
- Deputado Estadual (94 vagas em SP)
São quatro cargos diferentes no mesmo dia de votação. Quatro decisões que vão impactar sua vida pelos próximos quatro anos.
O cenário eleitoral em Santos
Para quem vive em Santos e na Baixada Santista, as pesquisas já começam a desenhar um panorama interessante para outubro.
Disputa pelo Governo de São Paulo
Segundo pesquisa Enfoque/Boqnews realizada com eleitores de Santos entre 15 e 20 de dezembro, o atual governador Tarcísio de Freitas lidera com folga a corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, com 31,8% das intenções de voto.
Com a recente definição de que Flávio Bolsonaro será o candidato presidencial apoiado por seu pai, Jair Bolsonaro, Tarcísio deve buscar a reeleição ao governo estadual. Sua vantagem é significativa: descontados os indecisos (33,9%) e os que não pretendem votar (15%), o percentual do governador supera em mais de dez pontos a soma de todos os demais possíveis candidatos.
Vale lembrar que em 2022, Tarcísio venceu em Santos no segundo turno com 56,58% dos votos válidos (141.005 votos), contra 43,42% de Fernando Haddad (108.205 votos).
Câmara Federal: a dupla da Baixada
Na disputa por vagas na Câmara Federal, dois nomes se destacam com ampla vantagem em Santos:
Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) lidera com 26,9% das intenções de voto, seguido por Rosana Valle (PL) com 22,6%. A distância entre eles e os demais candidatos é considerável: Kayo Amado aparece com apenas 2,1% e o Delegado da Cunha com 1,6%.
Esses números praticamente repetem o cenário de 2022, quando Barbosa obteve 23,96% dos votos válidos em Santos (60.309 votos) e Valle ficou em segundo com 22,53% (56.704 votos), uma diferença de apenas 3.605 votos.
Um detalhe importante: Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, ambos do PL e bem votados em 2022, não disputarão em 2026, o que pode beneficiar Rosana Valle entre o eleitorado bolsonarista.
Assembleia Legislativa: Audrey na frente
Para a Assembleia Legislativa de São Paulo, a vice-prefeita de Santos Audrey Kleys (Novo) aparece na liderança com 12% das intenções de voto, seguida pelo deputado estadual Tenente Coimbra (PL) com 9,3% e Telma de Souza (PT) com 4,9%.
O dado mais interessante aqui é a inversão de posições: em 2022, Coimbra foi o mais votado em Santos (12,74%), com Audrey em segundo (11,71%). Agora, a vice-prefeita aparece à frente nas pesquisas.
O histórico recente: como votaram nossos deputados
Antes de decidir seu voto, é fundamental olhar para trás e entender como os atuais representantes da Baixada Santista votaram nas pautas mais controversas dos últimos meses. Afinal, democracia não é só votar, é acompanhar.
PL da Devastação
Em julho de 2025, o Congresso aprovou o Projeto de Lei 2159/2021, apelidado de “PL da Devastação”, que flexibiliza diversas regras de proteção ambiental. Ambientalistas classificaram o texto como um retrocesso histórico.
Como votaram:
- Rosana Valle (PL): A favor
- Paulo Alexandre Barbosa (PSDB): A favor
- Delegado da Cunha (PP): A favor
PEC da Blindagem (ou PEC da Impunidade)
A PEC 3/2021 expandiu os privilégios judiciais de parlamentares e presidentes de partidos. O PL, partido do ex-presidente Bolsonaro, teve 100% de seus deputados votando a favor.
Como votaram:
- Rosana Valle (PL): A favor
- Paulo Alexandre Barbosa (PSDB): Contra
- Delegado da Cunha (PP): A favor
PL da Anistia
O projeto que busca perdão judicial para condenados e investigados desde outubro de 2022, incluindo os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, teve aprovação de urgência em setembro.
Como votaram:
- Rosana Valle (PL): A favor da urgência
- Paulo Alexandre Barbosa (PSDB): Contra
- Delegado da Cunha (PP): A favor da urgência
PL da Dosimetria
Este projeto, que ficou conhecido como “PL da Soltura”, estabelece limites para penas em caso de concurso de crimes. Críticos argumentam que a medida pode beneficiar criminosos perigosos, incluindo facções e traficantes.
Como votaram:
- Rosana Valle (PL): A favor
- Paulo Alexandre Barbosa (PSDB): A favor
- Delegado da Cunha (PP): A favor
MP do BBB (Tributação de Bets, Bancos e Bilionários)
A Medida Provisória 1303/2025 propunha tributar apostas online, bancos e grandes fortunas. A Câmara rejeitou sua análise em outubro, fazendo a MP perder validade e abrindo um déficit de mais de R$ 20 bilhões nas contas públicas.
Como votaram:
- Rosana Valle (PL): Pela derrubada
- Paulo Alexandre Barbosa (PSDB): Pela derrubada
- Delegado da Cunha (PP): Pela derrubada
Paulo Alexandre justificou seu voto explicando que o texto original foi desidratado durante a tramitação, perdendo pontos importantes como o aumento da alíquota das bets e a taxação mais forte sobre super ricos.
Isenção do Imposto de Renda
Em uma rara votação unânime, a Câmara aprovou o projeto que isenta do IR quem recebe até R$ 5 mil mensais, com desconto progressivo até R$ 7.350. Foi uma das principais bandeiras econômicas do governo Lula.
Como votaram:
- Rosana Valle (PL): A favor
- Paulo Alexandre Barbosa (PSDB): A favor
- Delegado da Cunha (PP): A favor
Entenda o Sistema Proporcional
Muita gente não sabe, mas quando você vota em um candidato a deputado (federal ou estadual), seu voto também conta para o partido ou federação dele. O Brasil adota o sistema proporcional de lista aberta.
Funciona assim:
- A Justiça Eleitoral soma todos os votos válidos e divide pelo número de vagas, definindo o quociente eleitoral.
- Cada vez que um partido atinge esse número, garante uma vaga.
- Os candidatos mais votados de cada partido ocupam as vagas conquistadas.
- Atenção: Desde 2015, o candidato precisa alcançar pelo menos 10% do quociente eleitoral para ser eleito. Se não atingir esse mínimo, mesmo que o partido tenha garantido a vaga, ela vai para outro partido através do cálculo de sobras.
Exemplo prático: Se há 10 mil votos válidos e 10 cadeiras, o quociente é 1.000 votos. Um partido que conseguir 3.000 votos garante 3 cadeiras, que serão ocupadas pelos três candidatos mais votados desse partido (desde que cada um tenha pelo menos 100 votos).
Por isso seu voto é tão importante: ele ajuda o partido a conquistar vagas E define qual candidato será eleito.
A verdadeira luta não é direita contra esquerda
A discussão polarizada entre direita e esquerda não passa de um cabo de guerra que mantém o Brasil estagnado. A direita puxa para um lado, a esquerda para o outro, as forças se anulam e as pautas realmente relevantes nunca avançam. Enquanto isso, quem perde é sempre a população.
A verdadeira luta é aquela que sempre existiu, mas que foi mascarada ao longo dos anos por esse viés ideológico artificial: são os de cima contra os de baixo, não a direita contra a esquerda. O rico luta contra o pobre desde que o mundo é mundo.
Mas em uma democracia de verdade, o pobre pelo menos precisa ter a garantia de direitos básicos para sobreviver com dignidade. E quando deputados votam pela própria blindagem, pela devastação ambiental que afeta principalmente os mais pobres, ou derrubam impostos sobre os mais ricos enquanto o país tem déficit, fica claro de que lado eles estão.
O poder está nas suas mãos
Em uma democracia funcional, os representantes escolhidos pelo povo devem votar a favor do povo. Simples assim.
Neste ano de eleições, é fundamental:
- Guardar nomes e votos dos seus representantes
- Acompanhar cada movimento dos parlamentares
- Questionar decisões que não beneficiam a população
- Cobrar resultados e transparência
- Lembrar na hora de votar
A atenção do eleitor é a ferramenta mais poderosa da democracia. Os deputados trabalham para a população. São escolhidos por ela e é ela quem tem o poder de tirá-los de lá, a cada quatro anos pelo menos.
Calendário Eleitoral 2026
- 4 de outubro: Primeiro turno
- 26 de outubro: Segundo turno (se necessário, apenas para presidente e governador)
O que você vai decidir em 2026
Recapitulando, você vai votar para:
- Presidente da República (e vice)
- Governador do Estado (e vice)
- Senador (1 vaga por estado)
- Deputado Federal (para a Câmara em Brasília)
- Deputado Estadual (para a Assembleia Legislativa)
São cinco decisões que vão definir os rumos do país, do estado e da sua cidade pelos próximos quatro anos.
A Mensagem Final
2026 não é apenas sobre escolher entre A ou B, entre direita ou esquerda. É sobre escolher quem realmente representa seus interesses, quem vota pelas causas que importam para você e sua família, quem trabalha para melhorar a vida de todos e não apenas de uma elite privilegiada.
O Juicy Santos continuará acompanhando de perto as decisões do Congresso e os desdobramentos das eleições. Nosso compromisso é mostrar os fatos, trazer transparência e ajudar você, eleitor, a tomar decisões informadas.
Porque democracia não é só apertar botão na urna eletrônica uma vez a cada dois anos. É acompanhar, questionar, cobrar e, principalmente, lembrar.
Em 2026, será sua vez de decidir quem merece te representar.
E dessa vez, vamos votar com os dois pés no chão e a cabeça no lugar, certo?