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Documentário Marisqueiras da Ilha Diana ganha sessão gratuita no Cine Roxy

Produção mostra a força das marisqueiras que preservam uma tradição ancestral ligada ao mangue e às marés

Tempo de leitura: 4 minutos

Enquanto Santos se transforma em ritmo acelerado, uma tradição antiga ainda resiste na cidade. Na Ilha Diana, mulheres seguem atravessando o mangue para preservar a pesca artesanal do marisco bico de ouro, um conhecimento passado entre gerações e profundamente ligado às marés, ao território e à cultura caiçara.

Foto: divulgação

Elas não viralizam nas redes. Não aparecem nos cartões-postais da cidade. Mesmo assim, sustentam uma das histórias mais potentes da cultura caiçara santista e agora, essa memória viva ganha espaço na tela grande.

Um conhecimento que sobrevive no silêncio do mangue

Produzido pela ONG Vida Caiçara em parceria com a Malagueta Produções, o documentário acompanha a rotina das mulheres que mantêm viva a pesca artesanal do marisco bico de ouro na Ilha Diana.

Hoje, apenas 4 marisqueiras seguem exercendo a atividade que já foi comum entre dezenas de mulheres da comunidade caiçara.

Entre elas está Tia Mina, de 89 anos, personagem central da produção. Sua trajetória representa uma memória viva da relação entre território, cultura e sobrevivência.

Ao longo do filme, o público acompanha não apenas a coleta do marisco, mas também o conhecimento transmitido entre gerações. Cada gesto carrega leitura de maré, respeito ao mangue e uma conexão profunda com o ambiente.

Além disso, o documentário reforça um ponto importante para Santos: preservar cultura também significa preservar pessoas, modos de vida e territórios tradicionais.

Quando a cidade cresce, o risco de apagar memórias também aumenta

A modernização da pesca, as mudanças ambientais e o avanço urbano no entorno portuário transformaram a dinâmica da Ilha Diana nas últimas décadas.

Foto: divulgação

Consequentemente, muitas gerações mais jovens se afastaram do ofício. O resultado é um saber tradicional cada vez mais raro.

“Se essas histórias não forem contadas agora, corremos o risco de perdê-las para sempre. Cada marisqueira que para é um pouco da tradição que se apaga”, afirma Alexandre Lima, presidente da ONG Vida Caiçara e produtor executivo do curta.

O tema conversa diretamente com discussões cada vez mais presentes em Santos. Afinal, até que ponto a cidade consegue crescer sem deixar parte da própria identidade para trás?

Um olhar feminino sobre mulheres que sustentam a cultura caiçara

O documentário “Marisqueiras da Ilha Diana: Tradição e Resistência Caiçara” terá uma sessão gratuita no dia 27 de maio, no Cine Roxy 5, em Santos.

A direção do curta é assinada pela cineasta santista Sirley Franco, que constrói uma narrativa sensível sobre o cotidiano das marisqueiras.

O olhar feminino aparece não apenas na câmera, mas na forma como o filme observa os silêncios, os afetos e a força dessas mulheres.

“As marisqueiras são um patrimônio vivo: um aprendizado que se transmite no corpo, no tempo e na convivência”, destaca a diretora.

O documentário foi realizado pela ONG Vida Caiçara e pela Malagueta Produções, com patrocínio da DP World, por meio do Programa Municipal de Incentivo Fiscal de Apoio à Cultura PROMICULT – “Alcides Mesquita”, da Prefeitura de Santos.

A Ilha Diana continua existindo 

De acesso exclusivamente por barco, a Ilha Diana permanece como um dos poucos territórios caiçaras preservados dentro de Santos.

A travessia parte da região próxima à Alfândega, no Centro Histórico. Por lá, a vida segue em outro ritmo. A pesca artesanal, a culinária caiçara e o senso de comunidade ainda fazem parte da rotina.

Serviço

Data: 27 de maio de 2026
Horário: 20h30
Local: Cine Roxy 5
Entrada gratuita
Capacidade: 150 lugares por ordem de chegada, sujeitos à lotação da sala

Vitor Fagundes
Texto por

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