De olho no clima: festival em São Vicente propõe debates para desafios ambientais
Não dá para pensar em combater ameaças climáticas sem ouvir quem vive, dia após dia, seus impactos.
Sabe aquele papo de que as grandes decisões sobre o clima do planeta sempre rolam longe da vida real? Em São Vicente, não é bem assim.
Nos dias 20 e 21 de março (sexta-feira e sábado), acontece o Festival OPA – Das Margens para o Centro. O evento é aberto e gratuito. E vem mostrar, na prática, o resultado de um mapeamento participativo sobre ameaças climáticas feito com quem entende do riscado: os próprios moradores.
Fotos: divulgação
A iniciativa integra o projeto CoopClima e convida a entender como as mudanças do clima já transformam o cotidiano vicentino. Além disso, celebra os caminhos que a comunidade encontrou para encarar o problema.
Por trás de exposições, instalações e atividades artísticas, a proposta é clara: traduzir em relatos, imagens e memórias as marcas que as alterações no clima deixam por aqui.
Mudanças climáticas na Baixada Santista
As famílias sentem de perto a subida do nível do mar, enchentes recorrentes e ondas de calor mais intensas. Um relatório da Fundação SOS Mata Atlântica mostrou que, só em 2022, a região registrou 37 pontos de alagamento. Os mais afetados são, principalmente, quem vive em áreas mais vulneráveis.
Esses problemas não nascem do nada. No litoral, ocupações irregulares, falta de infraestrutura e desigualdade social aumentam a exposição de grupos já vulnerabilizados a riscos ambientais bem reais.
Portanto, mapeamentos coletivos vêm ganhando espaço para apontar onde o bicho pega de verdade. Pesquisas do Observatório das Metrópoles confirmam: ouvir quem vive nas periferias e favelas é fundamental para desenhar políticas públicas mais justas.
CoopClima e o papel do mapeamento participativo
O CoopClima — parceria entre a USP, universidades, prefeitura e sociedade civil, com financiamento da Fapesp — iniciou uma série de oficinas em 2025. Foram 12 encontros de escuta ativa com moradores de diferentes comunidades de São Vicente. As pessoas compartilharam histórias, preocupações e, principalmente, ideias para lidar com os desafios ambientais.
Essa experiência coletiva virou a base do Festival OPA. O objetivo foi simples, mas importante: garantir que as decisões sobre mudanças climáticas no município não fiquem restritas a especialistas distantes.

Durante o festival, sete exposições revelam esse mosaico. Tem fotografias, relatos, registros artísticos e propostas de ações práticas. Além disso, rola a atividade “São Vicente pelas Nossas Janelas”, com estudantes da rede pública, e sessões do mini documentário “Olhar Marginal”.
Quando a população é protagonista
O recado que fica é direto: não dá para combater ameaças climáticas sem ouvir quem vive seus impactos todo dia.
Na prática, o que foi discutido nas oficinas deve se transformar em políticas públicas reais — colocando a justiça climática no centro das decisões que moldarão os próximos anos de São Vicente. Contudo, o modelo colaborativo também aponta para algo maior: inspirar outras cidades brasileiras.
Para a Baixada Santista, enfrentar o clima não é só questão de ciência. É questão de escuta, ação local e celebrar juntos o poder de quem nunca saiu das margens.
Serviço
Festival OPA – Das Margens para o Centro
20 de março (sexta-feira) Das 8h às 18h — exposição aberta ao público Das 17h às 18h30 — pré-lançamento e roda de conversa sobre “Olhar Marginal” Atividades com estudantes em horários variados
21 de março (sábado) Das 10h às 16h — visitação aberta e visitas autoguiadas Sessões do documentário às 10h, 12h, 14h e 16h
Rua Tenente Durval do Amaral, nº 72, Catiapoã, São Vicente – SP
Entrada gratuita
Mais informações nas redes sociais do CoopClima e da Prefeitura de São Vicente