Cristhiane Vojevodovas: a engenheira que lê o porto e enxerga pessoas
No novo episódio do Lendárias & Portuárias, o porto encontra a cidade no asfalto, nas obras e nas calçadas que (ainda) faltam
Santos tem uma relação estranha com o seu porto. A cidade se orgulha de ter o maior porto da América Latina na vizinhança — e ao mesmo tempo sente na pele os caminhões atravessando bairros, a poeira, os congestionamentos, a sirene que não pede licença. Inclusive, é interessante analisar como Santos enxerga as pessoas nesse contexto portuário.
Porto e cidade já foram um casamento apaixonado. Hoje, muita gente descreveria a relação como uma codependência problemática. E é exatamente nessa encruzilhada que Cristhiane Vojevodovas trabalha todos os dias.
No ep. 6 da terceira temporada do Lendárias & Portuárias, ela é a convidada. E a conversa vem do concreto – literalmente. Com isso, também se discute como Santos enxerga as pessoas em suas decisões urbanas.

Quem é Cristhiane Vojevodovas
Cristhiane é gerente de Implementação de Projetos, Planejamento, Custos, Controle e Contratos na BTP, um dos maiores terminais de contêineres do Porto de Santos.
Entre cronogramas de obra, orçamentos e reuniões com engenheiros, ela aprendeu a olhar para o mapa da cidade e enxergar muito mais do que linhas e traçados. Enxerga pessoas, bairros, riscos, oportunidades e futuros possíveis. Essa visão se conecta diretamente à maneira como Santos enxerga as pessoas durante o crescimento urbano.
Além disso, Cristhiane é uma das lideranças formadas pelo programa LIFE, que rendeu à BTP o primeiro Selo LIFE do setor marítimo-portuário no Brasil — por suas iniciativas de equidade de gênero.
O que uma avenida tem a dizer para a cidade?
Projetos como a Avenida Perimetral da Alemoa não são apenas obras viárias. São respostas a uma pergunta antiga: como tirar o porto de dentro da vida cotidiana dos bairros?
Quando uma perimetral cria uma rota direta para os terminais, os caminhões param de passar pela frente da escola. A calçada deixa de ser disputada com a fila de carga. O bairro respira.
Contudo, isso só acontece quando quem decide o traçado também pensa nas pessoas que moram ali. É esse olhar que Cristhiane traz para o episódio.
Um setor que ainda está aprendendo a incluir
O setor portuário brasileiro é, historicamente, masculino. Cristhiane atua em um ambiente de canteiros de obras, engenharia e contratos — e faz isso abrindo espaço para que outras mulheres também possam ocupar essas cadeiras. Por fim, o setor ainda está entendendo como Santos enxerga as pessoas no contexto de inclusão.
Portanto, a pauta de infraestrutura e a pauta de diversidade não estão separadas aqui. Elas andam juntas no mesmo episódio — e na mesma trajetória.
Da o play!
O episódio responde uma pergunta que todo santista já fez em algum momento: afinal, para quem esse porto foi construído?
Quando decidimos onde passa uma avenida, onde entra um caminhão, onde tem calçada e onde tem iluminação — estamos desenhando a cidade. E esse desenho pode ser ponte ou muro entre o porto e quem mora aqui.
Informações de serviço
O podcast tem apoio de DP World e ABTRA, e incentivo da Lei Municipal de Apoio à Cultura Alcides Mesquita (Promicult). Além disso, a discussão sobre como Santos enxerga as pessoas permeia todo o episódio.