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CreativeMornings Santos fala de criatividade e generosidade

Rodrigo Rubido é cofundador do Instituto Elos e chega a Santos para discutir generosidade, criatividade comunitária e as sementes que podem transformar um território

Tempo de leitura: 5 minutos

Existe uma árvore que passa anos crescendo antes de entregar aquilo que todo mundo espera dela.

A tamareira enfrenta calor extremo, pouca água e um solo difícil. Ainda assim, cresce. E, quando finalmente produz frutos, eles não servem apenas para quem plantou.

Essa história milenar inspira a próxima edição do CreativeMornings Santos, que acontece no dia 28 de agosto (sexta-feira), das 8h30 às 11h, no Juicyhub.

Palestrantes no palco à frente de uma tela grande com listras coloridas verticais e o logo 'CREATIVEMORNINGS', com público sentado.Foto: UnlockFilms

O encontro traz para Santos o arquiteto, educador e empreendedor social Rodrigo Rubido, cofundador e diretor do Instituto Elos. A conversa parte do tema global Nakhlah, palavra árabe associada à tamareira.

A proposta vai além de falar sobre criatividade em ambientes difíceis. O encontro convida a pensar em como pessoas e comunidades conseguem criar oportunidades quando os recursos parecem limitados.

A criatividade também pode criar raízes

Quem trabalha com criatividade costuma conhecer bem a sensação de fazer muito com pouco.

Um orçamento apertado, uma equipe pequena, pouco tempo ou uma ideia que ainda não encontrou espaço podem virar obstáculos. Também podem provocar soluções inesperadas.

Rodrigo Rubido dedica boa parte da carreira justamente a investigar esse tipo de possibilidade.

Arquiteto e urbanista de formação, ele passou da arquitetura tradicional para uma atuação centrada nas pessoas, na escuta e na construção coletiva.

Em 2001, ajudou a fundar o Instituto Elos, organização que trabalha com desenvolvimento pessoal e comunitário e formação de lideranças.Um dos principais programas da instituição é o Guerreiros Sem Armas, experiência de desenvolvimento de lideranças

A metodologia parte de uma ideia simples, embora nada fácil de colocar em prática: comunidades possuem recursos, talentos e desejos que muitas vezes ficam escondidos quando o olhar começa pela falta.

O que uma tamareira tem a ver com uma cidade?

No universo simbólico árabe, a tamareira ocupa um espaço especial. A árvore consegue sobreviver em condições extremas porque desenvolve raízes profundas em busca de água. Ao crescer, porém, seus benefícios não ficam restritos a ela.

A sombra protege quem passa. Os frutos alimentam. Suas folhas e fibras podem virar materiais para diferentes usos. A lógica do Nakhlah acompanha justamente essa ideia de abundância compartilhada.

No CreativeMornings Santos, Rodrigo vai levar esse conceito para uma conversa sobre criatividade comunitária e a Metodologia Elos.

A pergunta passa a ser menos sobre como sobreviver à escassez e mais sobre como identificar aquilo que já existe em um território.

Talento, conhecimento, afeto, memória, colaboração e vontade de fazer podem ser recursos tão importantes quanto dinheiro.

A cidade tem uma longa história de iniciativas culturais, coletivos, projetos comunitários e pessoas que criam soluções a partir dos recursos disponíveis. Muitas vezes, essas histórias começam pequenas e ganham força quando outras pessoas entram na roda.

Criar também pode ser um gesto de generosidade

A edição de agosto coloca a generosidade no centro da conversa. Em uma época de imediatismo, existe uma certa estranheza em fazer algo cujo resultado talvez outra pessoa aproveite primeiro.

Plantar uma árvore é um exemplo clássico. Quem coloca a semente na terra não necessariamente será quem vai aproveitar a sombra.

No campo da criatividade, a lógica funciona de maneira parecida.

Uma ideia compartilhada pode virar ferramenta para outra pessoa. Um conhecimento passado adiante pode abrir uma oportunidade. Um projeto coletivo pode continuar crescendo muito depois de quem o iniciou.

É esse tipo de criatividade que Rodrigo Rubido pretende explorar em Santos.

O encontro também aproxima o tema global do CreativeMornings de uma discussão bastante local: como transformar territórios vulneráveis em lugares de potência?

CreativeMornings volta para casa

Depois de circular pelo Cine Roxy, pela Concha Acústica e pelo Centro Universitário São Judas Unimonte, o CreativeMornings Santos retorna ao Juicyhub.

A casa da comunidade criativa santista volta a receber o encontro em uma edição que combina café, conversa e boas doses de repertório.

Para quem acompanha o CreativeMornings, a proposta continua familiar: uma manhã gratuita para encontrar pessoas de áreas diferentes, trocar ideias e sair com alguma coisa nova na cabeça.

Para quem nunca foi, pode ser uma boa porta de entrada.

A programação faz parte da comunidade global do CreativeMornings, considerada a maior comunidade criativa presencial do planeta.

E se a próxima ideia precisar de uma comunidade?

Rodrigo Rubido chega a Santos para falar de criatividade enraizada, colaboração e abundância.

A tamareira entra como metáfora, mas também como provocação.

Em uma cidade cheia de iniciativas, talentos e problemas complexos, a criatividade pode estar justamente em perceber quais sementes já foram plantadas. E, especialmente, decidir quais delas merecem água, cuidado e companhia para crescer.

Serviço

CreativeMornings Santos: Quem planta tâmaras não colhe tâmaras: criatividade e generosidade na escassez

Data: 28 de agosto de 2026, sexta-feira
Horário: das 8h30 às 11h
Local: Juicyhub, Santos/SP
Tema global: Nakhlah
Palestrante: Rodrigo Rubido, cofundador do Instituto Elos
Entrada: gratuita
Inscrições gratuitas 

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Vitor Fagundes
Texto por

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