Creative Mornings Santos: como crescer sem apagar a memória?
Entre prédios cada vez mais altos e comércios que fazem parte da história dos bairros, encontro em Santos propõe uma conversa sobre o futuro da cidade e o que merece continuar de pé
Sabe aquele lugar onde todo mundo se conhece pelo nome? A padaria em que o pedido já sai quase automático, o restaurante que faz parte da história da família ou aquela rua que parece ter parado no tempo, mesmo com um prédio novinho surgindo na esquina?
Pois é. Santos tem muito disso. Mas também tem visto a paisagem mudar, com novos empreendimentos ocupando cada vez mais espaço no horizonte. E, no meio de tanta transformação, será que a cidade está crescendo de um jeito que faz sentido para quem vive nela?

Essa discussão vai ganhar espaço no dia 30 de outubro, durante mais uma edição do Creative Mornings Santos, com o tema Santos sem limites: como crescer sem apagar a memória?. A conversa acontece no Hideout Fizz, na Ponta da Praia, com Rafael Mlatisoma, arquiteto, urbanista e alguém que conhece a cidade de mais de um lugar da mesa.
Quem olha para a cidade também precisa olhar para a calçada
Rafael nasceu em Santos, cresceu em Brasília e acabou construindo uma relação com as duas cidades. De um lado, a escala monumental da capital federal. Do outro, as ruas, os bairros e a dinâmica de uma ilha onde tudo parece relativamente perto, mas cada região tem seu próprio jeito.
Além da formação em Arquitetura e Urbanismo, ele carrega uma experiência que não se aprende só na faculdade: a de quem está atrás do balcão de um negócio tradicional da cidade.
Rafael assumiu a gestão do Restaurante Drina, fundado por sua avó em 1967, no Embaré. Ou seja, conhece de perto os desafios de manter vivo um estabelecimento que atravessa gerações enquanto a cidade ao redor continua mudando.
E isso tem tudo a ver com urbanismo. Afinal, uma cidade não é feita apenas de prédios, avenidas e projetos assinados. Ela também depende dos lugares onde as pessoas se encontram, trabalham, circulam e constroem suas histórias.
Quando um bairro muda, o comércio sente. Os moradores sentem. Quem passa por ali todos os dias também percebe.
O prédio subiu. E o bairro, acompanhou?
Santos tem uma relação antiga com a verticalização. Basta olhar para a orla e comparar a paisagem atual com fotografias de décadas atrás. O horizonte mudou, os bairros se adensaram e o mercado imobiliário ganhou protagonismo na forma como a cidade se desenvolve.
Novos empreendimentos podem trazer investimentos, movimentar a economia e ampliar a oferta de moradias. Mas existe uma conversa que precisa acompanhar esse crescimento: a infraestrutura consegue dar conta de tudo isso?
É aí que entram questões bem menos abstratas do que parecem. Como fica o trânsito? Há calçadas boas para caminhar? O transporte atende às necessidades dos moradores? O comércio de rua consegue continuar funcionando? E quem já vive no bairro consegue permanecer ali quando tudo fica mais caro?
Tem também uma dimensão afetiva nessa história. Quando um estabelecimento fecha ou uma construção antiga desaparece, a cidade perde referências que ajudavam a contar sua trajetória.
Isso não significa que Santos precise parar no tempo. Até porque uma cidade que não muda também deixa de responder às necessidades de quem mora nela. A questão é pensar em como modernizar os espaços sem tratar a memória como um detalhe dispensável.
Santos para quem já está aqui e para quem ainda vai chegar
A proposta do encontro é justamente tirar o urbanismo daquele lugar de assunto restrito a arquitetos, engenheiros e reuniões sobre planos diretores.
Afinal, todo mundo participa da cidade, mesmo sem perceber. Quem vai de bicicleta ao trabalho, pega ônibus, abre uma loja, procura um apartamento ou simplesmente gosta de caminhar pelo próprio bairro sente os efeitos das decisões urbanas.
A conversa também chega em um momento oportuno. O evento acontece na véspera do Dia Mundial das Cidades, celebrado em 31 de outubro, data que convida à reflexão sobre o desenvolvimento urbano.
O Creative Mornings é iniciativa internacional que promove encontros gratuitos sobre criatividade. Em Santos, o tema da vez é Altitude, uma proposta que combina bem com uma cidade que olha cada vez mais para cima.
Só que, enquanto os edifícios disputam espaço no céu, vale prestar atenção no que acontece lá embaixo. São as ruas, os pequenos negócios, os espaços públicos e as relações entre vizinhos que ajudam a dar personalidade a cada pedaço da cidade.
Santos pode, sim, continuar mudando. Mas seria interessante que o futuro também reservasse espaço para aquilo que fez tanta gente escolher ficar por aqui.
Serviço
Santos sem limites: como crescer sem apagar a memória?
- Data: 30 de outubro de 2026
- Horário: das 8h30 às 11h
- O encontro acontece no Hideout Fizz, rooftop do Comfort Hotel Santos, na Ponta da Praia, e conta com o apoio de marcas como Adobe, Centro Universitário São Judas campus Unimonte, SB7 Som e Luz e Cursino & Teodoro da Silva Advogados Associados.
- Palestrante: Rafael Mlatisoma, arquiteto, urbanista e gestor do Restaurante Drina
- Entrada: gratuita, mediante inscrição e disponibilidade de ingressos
Atenção: o espaço tem limite de assentos. Recomendamos chegar cedo, porque o acesso poderá ser encerrado quando a lotação for atingida.
Inscrições: Acesse aqui!