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Com vista para as catraias, novo Mercado Municipal será centro cultural e gastronômico

Será que o santista vai aderir a esse novo rolê, inspirado em mercadões pelo Brasil e mundo afora?

Tempo de leitura: 8 minutos

Tem coisa que faz o coração santista bater mais forte. O cheiro de peixe fresco, o apito das catraias e até mesmo o barulho da cidade que praticamente não para. A região do Mercado Municipal sempre foi esse reduto de gente que trabalha duro, que sustenta a cidade no braço. Por isso, nada mais justo que o Mercado Municipal ressurgir homenageando quem melhor soube traduzir essa alma portuária em palavras: Plínio Marcos.

A revitalização do novo mercado municipal é uma conquista importante para todos que têm orgulho dessa tradição. O novo mercado municipal certamente marcará uma nova era para o Centro histórico.

Foto: Divulgação 

Essa não é apenas mais uma obra entregue. Na verdade, representa uma aposta concreta na transformação do Centro Histórico através da economia criativa, mesclando tradição e inovação. Além disso, o investimento de R$ 30 milhões demonstra que é possível devolver dignidade a espaços históricos sem perder suas raízes. Ao mesmo tempo, o prédio, inaugurado originalmente em 1902 e reconstruído em 1947, agora oferece infraestrutura moderna.

A reforma do novo mercado municipal começou no segundo semestre de 2022 e tinha previsão de entrega em fevereiro de 2025. Agora, em janeiro de 2026, ele está entre nós.

De BH a Nova Iorque, como são os mercados por aí

Se você viaja para comer e conhecer a cultura local, sabe que o “Mercadão” é parada obrigatória em qualquer lugar do mundo. Com a revitalização, Santos finalmente vai poder inserir seu nome num roteiro seleto de cidades que transformaram seus entrepostos históricos em polos de lifestyle, gastronomia e cultura.

O de São Paulo ficou famoso mundialmente pelo sanduíche de mortadela e pelos vitrais. A nossa versão santista aposta numa escala mais humana e conectada com a água, algo que SP não tem.

Já a experiência de Belo Horizonte é de renovação conectada com as raízes. A cidade revitalizou seu antigo mercado – um verdadeiro templo do queijo, do doce de leite e da cachaça construído em 1960 com belíssimos tijolos vazados e muita luz natural. O Mercado Novo virou casa de artistas, tatuadores, estilistas e até coworking! Isso sem contar os inúmeros bares e restaurantes que o transformaram em point hypado da cidade.

Niterói, uma cidade bem parecida com Santos, reabriu o seu em 2023 e já faz um baita sucesso. Pode-se dizer que é um “primo próximo” do projeto santista, apostando alto na arquitetura e na transformação de áreas anteriormente degradadas.

Pelo mundo, Lisboa tem o Time Out Market e o Mercado da Ribeira. Este último é uma referência global: um mercado histórico se destinou a uma curadoria dos melhores chefs da cidade. E o nosso mezanino gastronômico bebe direto dessa fonte portuguesa.

Nova Iorque tem o Chelsea Market, uma antiga fábrica de biscoitos (onde inventaram o Oreo!) que virou um complexo de comida e escritórios do Google. Essa é a prova de que a econoima criativa que queremos ver no Mercado Plínio Marcos pode ser o motor da revitalização urbana.

E, se você já foi pra Londres, o Borough Market fica sob os trilhos do trem e é onde a história medieval encontra a comida de rua descolada.

Agora, o santista não precisa mais pegar a estrada (ou um voo internacional!) para viver essa experiência.

Um mercado que conta histórias

O novo Mercado Municipal – Centro Cultural Plínio Marcos ocupa 5,3 mil m² na Praça Iguatemi Martins. Porém, mais importante que os números, é entender o projeto: unir comércio tradicional (peixaria, açougue, padaria) com economia criativa (coworking, ateliês, estúdios de tatuagem).

No térreo, o visitante encontra boxes tradicionais de alimentos frescos. Por outro lado, o mezanino reserva 18 espaços para artesanato, joias, salão de beleza e até áreas de coworking. Já o segundo pavimento abriga restaurantes com vista privilegiada. Sem dúvida, o novo mercado municipal valoriza diferentes tipos de negócios.

A climatização garante conforto em qualquer estação. Enquanto isso, o teto em PVC imitando madeira dialoga com guarda-corpos de vidro transparente. Assim, modernidade e tradição conversam sem conflito.

Mobilidade e revitalização urbana

No entanto, a obra não se restringe ao edifício. A Bacia do Mercado passa por renovação completa com investimento de R$ 12,8 milhões do Fundurb. Dessa forma, o projeto prevê:

  • Bulevar voltado para a bacia
  • Deck flutuante e acessível para embarque nas catraias
  • Nova cobertura em arcos de concreto na estação
  • Recuperação dos taludes com novos guarda-corpos
  • Área de estacionamento regulamentada

Acessibilidade que inclui de verdade

Rampas conectam todos os pavimentos. Da mesma forma, banheiros adaptados estão distribuídos estrategicamente. Além disso, cada permissionário recebe relógios individualizados de água, luz e gás, permitindo gestão autônoma do negócio.

A entrada principal, defronte à Estação Mercado do VLT, apresenta piso que remete às muretas da orla santista. Por sua vez, o restante utiliza granilite, material durável e de fácil manutenção. Na outra entrada, pela Rua do Meio, portão metálico reproduz fielmente o design original.

Plínio Marcos volta pra casa

Nomear o equipamento como Centro Cultural Plínio Marcos transcende homenagem. Afinal, o dramaturgo santista ambientou obras como “Querô” e “Dois Perdidos Numa Noite Suja” exatamente nessa região da Bacia do Mercado. Desse modo, o novo mercado municipal se consolida também como espaço de memória.

Nascido em 1935, Plínio começou como palhaço de circo e ator de rádio antes de revolucionar o teatro brasileiro. Posteriormente, sua primeira peça, “Barrela”, ficou censurada por mais de 20 anos. Aliás, o texto nasceu de uma história real da Rua Antônio Damin, onde cresceu.

Obras como “Navalha na Carne” e “Abajur Lilás” expõem contradições sociais com linguagem direta e contundente. Portanto, nada mais adequado que levar seu nome a um espaço que propõe democratizar acesso à cultura e oportunidades.

Distrito Turístico

O governador Tarcísio de Freitas, presente na inauguração, destacou a criação do Distrito Turístico. Nesse contexto, o Mercado Municipal integra circuito que reúne Vila Belmiro, Museu Ferroviário e Parque Valongo. Assim, a região promete movimentar economia e turismo de forma integrada.

Fica de olho nas novas regras de estacionamento

A Prefeitura de Santos implementou mudanças importantes no trânsito do bairro Vila Nova. A partir desta terça-feira (20), os motoristas não podem mais parar ou estacionar no entorno do Mercado Municipal. Para oficializar a medida, a administração instalou novas placas de sinalização em trechos estratégicos antes e depois da estação do VLT. Dessa forma, a Companhia de Engenharia de Trânsito (CET-Santos) pretende eliminar gargalos que prejudicavam o deslocamento de pedestres e o acesso ao mercado. Além disso, a restrição evita que veículos estacionados incorretamente bloqueiem a operação das composições do VLT.

Consequentemente, a CET foca em três pilares principais:

  • Fluidez: Melhorar o fluxo de veículos na região.

  • Segurança: Proteger usuários e pedestres.

  • Organização: Ordenar o espaço viário urbano.

Atenção às penalidades

É fundamental que os condutores fiquem atentos à diferença na sinalização. Diferente da placa de “Proibido Estacionar” (que permite paradas rápidas), a nova placa de “Proibido Parar e Estacionar” é a mais restritiva do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Portanto, quem desrespeitar a norma comete uma infração grave. O descumprimento gera:

  1. Multa no valor de R$ 195,23;

  2. Acréscimo de cinco pontos na CNH;

  3. Risco de remoção do veículo pelo guincho.

Abertura gradual para eventos

Inicialmente, o espaço funcionará apenas para eventos. Essa estratégia permite ajustes operacionais antes da abertura total ao público. Entretanto, a data de funcionamento permanente ainda não foi divulgada. Vale ressaltar que o novo mercado municipal será um ponto de referência para esses eventos no Centro.

O lançamento do livro “Santos 480 anos – Memórias de uma Cidade em Evolução” também marcou a cerimônia. Nesse sentido, a publicação da Fundação Arquivo e Memória de Santos (Fams) revisita aspectos históricos e culturais da cidade através de acervo fotográfico robusto.

Será que conseguiremos manter vivo o espírito de Plínio Marcos nesse novo espaço? A resposta depende de como santistas e visitantes vão ocupar, criar e transformar o lugar. Afinal, o local está pronto. Agora falta a gente fazer dele nosso e tornar o novo mercado municipal um verdadeiro símbolo de revitalização.

Vitor Fagundes
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