Estas são as campeãs de reclamação em Santos de 2025 segundo o PROCON
Se você já ficou na fila do PROCON Santos com uma fatura errada na mão, saiba que não estava sozinho. O levantamento anual do órgão revela quem lidera, com certa folga, o ranking do "preciso resolver isso pessoalmente"
O PROCON Santos divulgou, em março de 2026, o balanço oficial de atendimentos referentes a todo o ano de 2025.
Ao longo dos 12 meses, o órgão registrou 6.781 interações com consumidores santistas. Dessas, 2.579 viraram reclamações formais, um número que, por si só, já diz muito sobre a qualidade do atendimento privado na cidade.

E quem está no topo desse ranking nada honroso? As mesmas empresas que provavelmente estão no seu bolso agora.
O ranking completo: quem mais fez o santista perder a paciência
Antes de explicar o que está por trás dos números, vale ver a lista completa das dez mais reclamadas em Santos em 2025:
- Claro S/A — 373 reclamações (5,50%)
- Vivo (Telefônica Brasil) — 305 reclamações (4,50%)
- SABESP — 278 reclamações (4,10%)
- Via Varejo (Casas Bahia/Ponto) — 158 reclamações (2,33%)
- Banco Bradesco — 148 reclamações (2,18%)
- Itaú Unibanco — 147 reclamações (2,17%)
- Banco Santander — 117 reclamações (1,73%)
- CPFL (Piratininga) — 116 reclamações (1,71%)
- Banco BMG — 111 reclamações (1,64%)
- Caixa Econômica Federal — 102 reclamações (1,50%)
Juntas, essas dez empresas respondem por cerca de 31% de todas as reclamações formais registradas no período. O restante se distribui entre centenas de outros fornecedores. Portanto, dominar o topo não é mérito pequeno.
O pódio da telefonia (esperado)
A Claro levou a medalha de ouro com 373 reclamações. O problema mais citado foi cobrança indevida e falhas em telefonia celular. Em segundo lugar, a Vivo acumulou 305 queixas, com destaque para contestações de cobranças e serviços que foram prometidos, cobrados e nunca entregues.
Portanto, se você já passou uma tarde inteira no atendimento tentando cancelar um serviço que nunca pediu, os dados confirmam, não foi uma experiência individual.
A SABESP entrou no ranking e isso deveria incomodar
A surpresa fica por conta da SABESP, terceira colocada com 278 reclamações. O principal problema não é nem a conta: é a ausência de resposta. O consumidor liga, registra, aguarda e nada acontece.
Água e esgoto são serviços essenciais. Quando a empresa responsável por isso ignora o cidadão, o impacto vai além do bolso: atinge a dignidade de quem depende de um serviço básico funcionando. Lembrando que a empresa foi privatizada e Santos sentiu o efeito disso com a falta de água no início de 2026.
Os bancos dominam o ranking
Os bancos aparecem em peso na lista. Bradesco, Itaú, Santander, BMG e Caixa Econômica Federal somam juntos mais de 600 queixas formais em Santos, sem contar tudo que ficou no campo da orientação informal.
O BMG merece atenção especial: cartões não solicitados e empréstimos consignados irregulares lideram suas reclamações. Essas práticas afetam desproporcionalmente idosos e aposentados, um grupo expressivo na população santista. Contudo, o problema não é exclusividade do BMG, a insegurança digital e as fraudes aparecem como pano de fundo em boa parte das queixas contra instituições financeiras.
Varejo ainda não resolveu a logística
A Via Varejo (Casas Bahia/Ponto Frio) aparece em quarto lugar com 158 reclamações, majoritariamente por atraso ou não entrega de produtos. Quem comprou online no fim de ano e ficou esperando uma geladeira que nunca chegou já conhece esse capítulo. Além disso, a CPFL entra na lista em oitavo lugar, com 116 queixas concentradas em cobranças indevidas de energia elétrica.
Os quatro padrões que explicam tudo
O relatório aponta quatro eixos que concentram a quase totalidade das reclamações:
- Cobrança indevida ou abusiva é o campeão absoluto, presente em todos os setores do ranking.
- Falta de resolução no primeiro contato transforma o PROCON no SAC que o setor privado deveria ter.
- Falha de entrega e vício de produto revelam que o varejo ainda não resolveu sua cadeia logística e pós-venda.
- Vulnerabilidade financeira envolve fraudes, golpes e produtos não solicitados, com vítimas preferenciais bem definidas.
Contudo, o próprio PROCON esclarece que o ranking não é uma lista negra. É um termômetro de falha sistêmica: quando o consumidor chega ao órgão, geralmente já esgotou todas as tentativas diretas com o fornecedor. A reincidência das mesmas empresas, ano após ano, indica que o problema não é pontual. É estrutural.
Santos reclama, mas poderia reclamar mais e melhor
O número de 2.579 reclamações formais numa cidade de mais de 400 mil habitantes pode parecer baixo, e de fato é. Não porque os problemas são poucos, mas porque grande parte da população ainda desconhece seus direitos ou desiste antes de formalizar a queixa.
Assim, o dado mais importante deste levantamento talvez não seja quem lidera o ranking. É o que ele representa: cada reclamação registrada é um consumidor que não desistiu. E em Santos, esse consumidor tem um lugar para ser ouvido.
Você tem problema com alguma dessas empresas e ainda não foi ao PROCON? A fila vale a pena.
Ah, e a São Judas Unimonte agora tem um posto avançado do PROCON em que estudantes de Direito atendem a população de graça.