Caixa d’água da Aparecida vira Patrimônio Histórico de Santos
Equipamento foi construído nos anos 1930 e é referência no bairro
Se você já passou pela Avenida Pedro Lessa, provavelmente reparou naquela estrutura imponente e diferente que divide espaço com a policlínica do bairro Aparecida. Agora, ela entra para a lista de patrimônios históricos de Santos. Sim, a famosa caixa d’água da Aparecida foi oficialmente tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa).
A decisão não é apenas uma garantia de preservação. Isso porque ela também marca um reconhecimento da importância do local para quem vive e circula pela Zona Leste (e claro, para os mais curiosos em história da região).

Caixas d’água são símbolos do desenvolvimento urbano
Antes de tudo, vale lembrar que não é só em Santos que caixas d’água se transformaram em marcas registradas de bairros. Em cidades brasileiras de rápido crescimento entre as décadas de 1920 e 1950, estruturas como essa eram um sinal de modernidade e de que aquele pedaço da cidade estava crescendo.
Pois é, as caixas d’água em concreto armado começaram a despontar nesse período como uma solução prática para distribuir água de modo seguro e constante, minimizando problemas de abastecimento nas cidades.
No caso da Baixada Santista, o crescimento de bairros como Aparecida, Macuco, Embaré, Estuário e Ponta da Praia, especialmente a partir dos anos 1930, teve a influência direta de investimentos em infraestruturas de saneamento. Ou seja, a caixa d’água da Aparecida não é só um ponto de referência visual. Ela foi peça-chave para garantir que a expansão da cidade não ficasse travada por falta d’água.
A história da caixa d’água da Aparecida em Santos
Construída em 1938 pela antiga Companhia City, a caixa d’água da Apareciuda se destaca não só pela função técnica, mas pelo desenho arquitetônico. Com doze pilares aparentes, reservatório elevado e uma torre central cheia de histórias, ela integrava um sistema de abastecimento que trazia água desde o Rio Pilões, em Cubatão. O equipamento complementava a infraestrutura que mantinha em equilíbrio o fornecimento para toda a Zona Leste.
O reconhecimento como Patrimônio Histórico de Santos pelo Condepasa implica em proteção integral da torre. Estrutura, volumetria, equipamentos originais, passarelas e escadarias agora estão preservados por lei. O objetivo é garantir que intervenções futuras não descaracterizem esse pedaço tão marcante da paisagem santista.
Fotos: Francisco Arrais/PMS
O que muda na prática com o tombamento
Além de contribuir para o roteiro de quem se interessa pela história da região – e quem vive pelas redondezas da Aparecida ou transita para Ponta da Praia certamente já usou a caixa d’água como ponto de referência -, o tombamento facilita a captação de recursos para futuras restaurações. Ou seja, aumentam as chances de o local ser cuidado como merece.
No pavimento térreo, onde hoje funciona uma policlínica municipal, ficou assegurada a proteção da volumetria original e do recuo frontal. Portanto, o visual da caixa d’água continua como memória viva do bairro, sem perder a identidade nem sumir atrás de construções.
Já a parte do lote voltada para a Rua Comendador Alfaia Rodrigues, ocupada atualmente pela Vila Criativa Sênior, pode receber projetos livres, contanto que valorizem a caixa d’água tombada e mantenham o verde para não tirar o charme do cenário.
Com mais de 60 bens tombados individualmente ou em conjunto, Santos reforça sua postura de valorizar pedaços importantes da sua história, seja em grandiosos edifícios ou em pontos que fazem parte do dia a dia do santista.
Só vale lembrar: qualquer reforma ou mudança em imóveis protegidos precisa de autorização prévia do órgão municipal.