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Duas exposições na Pinacoteca de Santos misturam humor e reflexão

Colagens, fotografia e outras técnicas interagem nas duas novas exposições da Pinacoteca Benedicto Calixto até 8 de novembro

Tempo de leitura: 3 minutos

Quem gosta de arte que incomoda e faz pensar vai adorar as duas novas mostras da Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos.

Até o dia 8 de novembro, o casarão branco da orla abre as portas para exposições que vão mexer com a forma como você enxerga o mundo ao redor: “Um Vislumbre no Real”, do paulistano Alexandre Frangioni, e “A Linha”, mergulho coletivo do grupo Heteronymous.

Um Vislumbre no Real: o dinheiro nunca pareceu tão estranho

O dinheiro que a gente usa todo dia é, na verdade, só um pedaço de papel ou metal carregado de simbolismo. Alexandre Frangioni parte dessa premissa para causar aquele “estranhamento” necessário na gente.

Pintura abstrata vermelha com grande círculo preto contendo estrelas brancas e a palavra CHINA em vermelho, com formas triangulares brancas.Alexandre Frangioni/divulgação

O artista, que tem formação em Engenharia Química, decidiu trocar as fórmulas pelas tintas, esculturas e objetos em 2012. O resultado é uma obra que pega símbolos do poder, moedas, bandeiras e documentos e os retira do lugar comum. Não espere algo estático ou chato. A curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho defende o humor como ferramenta principal.

Quem visitar as obras vai pensar sobre como a sociedade é construída em cima de convenções que, se olharmos de perto, são bem estranhas.

A exposição é um convite para rever as obviedades do cotidiano, com o humor como porta de entrada para questionar as relações de poder que aceitamos sem reclamar.

A Linha

Se a exposição de Frangioni foca na desconstrução, a mostra “A Linha” traz o calor do encontro para a mesa, mesmo que ele tenha nascido na distância da pandemia. O grupo Heteronymous (formado por Claudia Furlani, Duda Rosa, Fernando Ribeiro, Maazo Heck e Nelson Muniz) apresenta um trabalho que começou em 2020, no auge da crise de saúde pública.

Colagem surrealista vibrante com figura feminina, pássaros, máscaras, elementos de rostos e objetos diversos sobre fundo azul.Obra de Claudia Furlani/divulgação

Um “telefone sem fio” artístico permeia a lógica de “A Linha”. Cada artista recebe um impulso visual do anterior, transforma a imagem e passa adiante. O resultado é uma sequência de 50 obras que, embora mantenham a identidade individual de cada um, formam uma espécie de “memória visual” compartilhada.

Claudia Furlani mistura colagem com tecnologia e Duda Rosa explora a abstração geométrica, por exemplo. Fernando Ribeiro transita entre figuração e abstração, Maazo Heck combina formas e sinais que emergem da própria matéria pictórica, e Nelson Muniz traz personagens, objetos, máquinas e referências da cultura visual em composições de dimensão narrativa.

É um exercício de coletividade que demonstra que, mesmo em tempos de isolamento, a arte sempre encontra um jeito de juntar as pessoas.

Arte contemporânea de alto nível e grátis em Santos

Além de ser uma oportunidade de ver grandes nomes das artes visuais do país, visitar a Pinacoteca é um dos programas mais legais aqui na Baixada Santista.

Reserve um tempo na sua agenda, convide alguém e vá ver com os próprios olhos. Às vezes, tudo o que a gente precisa é de um “vislumbre” diferente pra ver a cidade com outros olhos.

Serviço – “Alexandre Frangioni: Um Vislumbre no Real” e “A Linha – nas artes de Furlani, Rosa, Heck, Ribeiro e Muniz” na Pinacoteca Benedicto Calixto

Onde: Pinacoteca Benedicto Calixto, Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão
Quando: até 8 de novembro de 2026. Horário de funcionamento: de terça-feira a domingo, das 9h às 18h (inclusive em feriados)
Quanto: entrada gratuita

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