Armazém 7 do Porto de Santos vai virar espaço para inovação
Primeira fase deve estar finalizada em abril de 2026
Quem caminha pelo Centro de Santos já percebeu que a paisagem do cais está mudando. E não é só impressão: vem novidade grande por aí, conectando passado, presente e futuro. O Armazém 7, uma das construções marcantes do Porto de Santos, está passando por uma revitalização. Em breve, deve se transformar em um centro tecnológico e educacional.
A reforma preserva a história do imóvel para dar a ele um novo propósito. Isso quer dizer preparar profissionais e fortalecer ideias para os próximos anos da economia local e nacional.
Pois é, vamos a mais um capítulo do movimento de reaproximação entre a cidade e o Porto – e um motivo a mais para circular pelo entorno do Parque Valongo e do Centro Histórico.

A ideia é que o antigo armazém ganhe nova vida ainda em 2026, já com previsão de funcionamento do centro tecnológico para 2027.
A Autoridade Portuária de Santos (APS) ficará responsável pela gestão do espaço, que pretende conectar ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico, principalmente com foco em temas ligados ao universo portuário.
O movimento de revitalização na área portuária de Santos
Não é de hoje que o Porto de Santos, o maior da América Latina, busca se reinventar. Além dessa transformação, há uma tentativa de um olhar mais cuidadoso para seu patrimônio histórico. Por muito tempo, o patrimônio ficou em segundo plano diante das demandas logísticas.
Segundo dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), cidades portuárias que investem em requalificação urbana e preservação tendem a fortalecer a identidade cultural local e também a atrair novos negócios e turismo.
Falar de revitalização do cais, então, é também falar de histórias construídas ali. Foi nesse local onde o progresso da região sempre caminhou junto de desafios urbanos.
Nos últimos anos, intervenções como a criação do Parque Valongo e a requalificação de ruas e praças do Centro buscaram resgatar essa conexão Porto-Cidade. Esse movimento é fundamental para quem vive na Baixada Santista. O novo uso para o Armazém 7 não só preserva a memória industrial de Santos. Além disso, responde à necessidade de ocupar esses espaços com funções voltadas para o amanhã.
Esse centro tecnológico pode ser a peça que faltava em um quebra-cabeça de inovação que vem sendo montado entre 2022 e 2026 que inclui porto, Parque Tecnológico e a tentativa de construção e manutenção de um ecossistema de inovação.
De prédio histórico a núcleo de inovação
O Armazém 7 não é apenas um galpão antigo no cais. Inaugurado em 1899, ele carrega uma curiosidade. Foi pré-fabricado na Alemanha e depois montado em Santos, algo incomum para sua época. Se você reparar, os demais armazéns, aqueles de “tijolinho”, têm uma aparência bem diferente desse.
Segundo o arquiteto Gino Caldatto Barbosa, responsável pelo projeto atual, a revitalização está resgatando o design original. Isso inclui as chapas metálicas importadas que substituem as típicas paredes de alvenaria. Até mesmo a cor das paredes, uma tonalidade próxima do salmão de tempos passados, deve voltar.
E mais: a icônica chaminé de 26 metros de altura está sendo reconstruída, devolvendo ao skyline do porto sua silhueta original do século XIX.
Além dele, a vizinha Casa de Máquinas nº 2, que já fazia parte do funcionamento portuário desde o século 19, também passa por restauração cuidadosa, incluindo o processo de anastilose – ou seja, montagem das pedras exatamente como estavam. A ideia é devolver à cidade ícones do passado, mas com novo propósito: sede para pesquisas, cursos, eventos e polos de tecnologia.
A proposta é abrir as portas também para a população, com atividades educacionais e ações de integração entre Porto e a cidade.
A primeira fase está prevista para conclusão em abril de 2026.
E quem paga essa conta?
Uma dúvida comum do santista é: “Isso é dinheiro público?”. A resposta é: sim e não. A obra é fruto de uma medida compensatória (TAC).
A gigante do agronegócio Cofco está bancando a revitalização como contrapartida para a realização de obras ferroviárias essenciais para a operação deles.
Isso significa que o dinheiro privado ajuda a recuperar um patrimônio público sem onerar o caixa da Prefeitura ou da APS diretamente nesta fase de obra.
Uma onda de oportunidades vem aí
No cenário das empresas portuárias, a iniciativa privada está sedenta por gente que entenda de tech. A Santos Brasil, por exemplo, investiu cerca de R$ 55 milhões entre 2023 e 2025 apenas em transformação digital, focando em Gêmeos Digitais e IoT.
A DP World anunciou, em novembro de 2025, um pacote de R$ 1,6 bilhão para ampliação e modernização com foco em tecnologias mais limpas.
A própria Autoridade Portuária (APS) vem implementando redes 5G privativas e sistemas de monitoramento avançado (VTMIS).
O Armazém 7 surge, portanto, como uma espécie de “sala de aula” para preparar o santista para operar esse porto do futuro.
O Juicy Santos pergunta: o prédio (“hardware”) é lindo e será entregue em abril de 2026. Mas e o “software”?
Ainda falta clareza sobre o plano de ocupação. O desafio agora é garantir que o local não vire apenas um escritório com vista para o estuário, mas que realmente ofereça cursos, inclusão digital e oportunidades para a juventude da Baixada Santista.
O sucesso do Armazém 7 não será medido por suas estruturas arrojadas, mas por quantos novos profissionais e projetos ele conseguirá colocar no mapa a partir de 2027.