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Anarquia de Vestir mostra criatividade santista na passarela do FWPS

Criação que celebra corpos plurais, identidade e expressão artística

Tempo de leitura: 7 minutos

Durante muito tempo, a moda decidiu quais corpos mereciam estar nas vitrines, nas campanhas e nas passarelas. Felizmente, essa conversa está mudando. E uma marca nascida em Santos quer fazer parte dessa transformação.

Foto: Mica Honorato

A Anarquia de Vestir prepara uma coleção inspirada em Liniker para ocupar a passarela do Fashion Weekend Plus Size (FWPS). Com o nome de “Corpo, Voz e Esplendor”, a criação será apresentada no dia 8 de novembro, durante a Mostra LGBTQIAPN+ do evento, em São Bernardo do Campo. A marca é a única representante da Baixada Santista nesta edição.

A participação marca o retorno da Anarquia de Vestir ao FWPS. Em 2024, as fundadoras Drix Seix e Suzaña Azär apresentaram a primeira coleção da marca justamente no evento. Agora, encontram uma edição que coloca a diversidade LGBTQIAPN+ no centro da programação.

Desde o início, a proposta da marca é criar roupas e acessórios para diferentes corpos e formas de amar. Por isso, a temática desta edição conversa diretamente com o que as duas empreendedoras defendem.

“O primeiro desfile da Anarquia de Vestir foi em 2024, também no FWPS. A edição deste ano é ainda mais especial, pois traz a comunidade LGBTQIAPN+ para o destaque. Desde o início da Anarquia de Vestir, nossa proposta é vestir todos os corpos e todos os amores”, explica Drix Seix, co- fundadora e designer de acessórios.

Inspirações e referências 

Liniker é a grande referência criativa da nova coleção. A cantora, conhecida pela potência vocal e pela identidade artística marcante, inspira as peças que chegarão à passarela.

A proposta reúne elementos associados à artista, como elegância, teatralidade, referências vintage, raízes brasileiras e afrofuturismo. Tudo isso aparece na construção de uma coleção que busca transmitir liberdade e personalidade.

Drix também destaca a conexão entre a artista e os valores defendidos pela marca.

“Nossa coleção que estará na passarela foi inspirada na Liniker, que representa muito bem o que acreditamos: abraçar todos os corpos, e cuja música nos inspira e traz toda a energia que acreditamos”, conta.

O nome “Corpo, Voz e Esplendor” resume essa intenção. A ideia é apresentar a moda como uma possibilidade de expressão, especialmente para quem nem sempre encontra espaço nas representações tradicionais da indústria.

Suzaña Azär, cofundadora e diretora de comunicação e marketing, acredita que as roupas também carregam mensagens sobre o momento em que uma sociedade vive.

“Na Anarquia de Vestir acreditamos que moda é muito mais que peças de roupas, é expressão pessoal e também representa o espírito do tempo de uma sociedade. E a sociedade que desejamos é inclusiva e diversa, por isso, nossa marca desde o início abraça todos os corpos e amores”, afirma.

A escolha de Liniker também aproxima a coleção de uma discussão sobre representatividade. Afinal, a artista construiu uma trajetória que ocupa espaços importantes na música brasileira, levando sua identidade, estética e referências para diferentes públicos.

Uma marca que nasceu depois dos 50

Por trás das criações existe outra história interessante: a de duas amigas que decidiram transformar uma paixão antiga em negócio depois dos 50 anos.

Drix Seix e Suzaña Azär se conhecem desde 1990. Apesar de terem seguido caminhos profissionais diferentes, as duas sempre compartilharam o interesse pelo universo da moda.

Em 2024, decidiram finalmente tirar o projeto do papel e fundaram a Anarquia de Vestir.

A marca nasceu com uma proposta autoral, apostando em roupas e acessórios que valorizam a individualidade. A experiência das fundadoras também faz parte dessa construção.

Começar um empreendimento na maturidade mostra outro caminho possível para quem deseja mudar de área, experimentar novas possibilidades ou finalmente investir em um projeto antigo.

No caso das duas santistas, a moda acabou reunindo interesses pessoais, criatividade e vontade de construir algo próprio.

O retorno ao FWPS reforça esse movimento. A primeira coleção foi lançada no evento, em 2024. Agora, a marca volta com um trabalho mais conectado à sua identidade e à proposta de inclusão.

Suzaña destaca a relação entre o evento e os valores da empresa.

“Participar de eventos como o Fashion Weekend Plus Size, que desde 2010 traz corpos plurais para a passarela, tem muita sinergia com nossa proposta. Por isso, lançamos nossa primeira coleção em 2024 no evento e agora voltamos com uma nova coleção”, explica.

A Baixada Santista também vai subir na passarela

Embora o desfile aconteça em São Bernardo do Campo, a produção tem bastante da Baixada.

A Anarquia de Vestir reuniu profissionais da região para desenvolver a coleção. A estilista MICAH ficou responsável pela criação das roupas, que depois passaram pelas mãos de Jô, costureira de bairro que já trabalha com a marca.

MICAH também customizou algumas peças que estarão no desfile.

A trilha sonora ficou por conta do DJ Juba, que preparou uma mixagem com diferentes músicas de Liniker. Já Jia Ly assumiu os cuidados com a logística.

Outra representante da região será Elle Noor, modelo que integra o casting do evento nos dois dias. Ela faz parte da comunidade Anarquia Lovers e já desfilou para a marca em outras oportunidades.

Até os tecidos seguem essa conexão regional. Parte dos materiais veio de lojas de São Vicente e Praia Grande. A escolha acompanha uma preocupação das fundadoras em valorizar fornecedores e profissionais que movimentam a economia criativa da Baixada Santista.

Além disso, os acessórios também têm produção própria. Drix Seix desenvolve bijuterias há mais de 20 anos e preparou uma linha exclusiva para acompanhar os looks.

São colares, brincos, pulseiras e broches criados especialmente para a coleção. As gravatas utilizadas no styling, por sua vez, pertencem ao acervo pessoal da marca e vieram de homens importantes na vida das sócias.

Um dos looks também contará com um chapéu de oncinha da marca parceira Utopian Land.

Moda autoral também é conversa sobre sustentabilidade

A participação da Anarquia de Vestir no FWPS vai além da apresentação da coleção.

No domingo, 8 de novembro, das 13h às 14h, Drix Seix também participa de uma palestra sobre economia criativa.

Ao lado de Suzaña, ela vai compartilhar experiências sobre a gestão de uma marca de moda autoral e os caminhos para incorporar a sustentabilidade ao processo de criação.

O assunto abre espaço para discutir os bastidores de um mercado que envolve muito mais do que escolher tecidos e desenhar peças. Produção independente também passa por fornecedores, mão de obra, escolhas de materiais e formas de manter um negócio criativo funcionando.

Existe algo especialmente interessante em ver uma marca santista levar essa construção para um evento que celebra a pluralidade de corpos e identidades.

Afinal, a moda também pode abrir caminhos para que mais pessoas ocupem espaços, contem suas histórias e sejam vistas como realmente são.

Serviço

FWPS Mostra LGBTQIAPN+

Data: 7 e 8 de novembro de 2026
Local: Fábrica de Cultura 4.0, em São Bernardo do Campo
Desfile da Anarquia de Vestir: domingo, 8 de novembro
Palestra sobre economia criativa: das 13h às 14h, com Drix Seix e Suzaña Azär.

Programação completa: https://fwps.com.br/

Instagram da marca: @anarquiadevestir

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Vitor Fagundes
Texto por

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